Estilo
Fenadoce 2019

Tradição de dar água na boca

Em meio a tantas atrações, Feira conserva na gastronomia aquelas que estão entre as mais populares do evento

16 de Junho de 2019 - 08h26 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Clientes de Eulália Duarte apreciam a combinação oferecida pela doçaria na Fenadoce (Foto: Paulo Rossi - DP)

Clientes de Eulália Duarte apreciam a combinação oferecida pela doçaria na Fenadoce (Foto: Paulo Rossi - DP)

Os produtos típicos coloniais são atração do café Crochemore (Foto: Rafael Takaki - Especial DP)

Os produtos típicos coloniais são atração do café Crochemore (Foto: Rafael Takaki - Especial DP)

Nos dois últimos anos o quindim foi o mais vendido da Feira (Infocenter DP)

Nos dois últimos anos o quindim foi o mais vendido da Feira (Infocenter DP)

A Feira Nacional do Doce (Fenadoce) de Pelotas sempre apresenta alguma novidade. Ela pode estar em um dos vários estandes do comércio e serviços. Quem sabe na área cultural ou de eventos, mas certamente na temática e, consequentemente, na ambientação em torno do tema.

Neste ano, Pelotas Patrimônio Nosso envolve as atividades no Centro de Eventos. Mas independentemente das estreias, são as atrações gastronômicas conhecidas e aprovados pelo público que marcam. Nesse sentido, a tradição doceira reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), carro-chefe do evento, não perde para ninguém.

Os destacados doces finos, os artesanais, as compotas, os cristalizados e os de tacho conquistaram diferentes paladares e a cada edição o público elege os seus queridinhos. Mas, claro, entre essas atrações há as que se tornaram clássicas para os consumidores. Como os apreciados quindim e bombom de morango, seguidos de fortes concorrentes, como o bem-casado, o ninho e o pastel de Santa Clara. Nesta edição o Estilo apresenta três desses inesquecíveis atrativos.

"Dupla dinâmica"

Um desses clássicos da Fenadoce chega em forma de parelha: o pastel de nata em parceria com um cálice de vinho do porto. A dobradinha é destaque no estande da Delícias Portuguesas. O doce com base de ovos, molhinho e quentinho contrasta com a textura crocante da massa folhada que forma a panelinha base da iguaria. Quem aprecia, coloca canela, o que faz a diferença.

Entre uma mordida e outra, desliza pela garganta um pequeno gole do licoroso vinho do Porto. "É um sucesso, temos há várias edições", fala Eulália Duarte, proprietária da doçaria.
A aprovação é tanta que muitos dos clientes costumam voltar, feira após feira, na expectativa de degustar novamente a sobremesa. Segundo a doceira, a atração tem vários apelidos carinhosos ofertados pelos apreciadores, o mais comum é "dupla dinâmica".

Na loja, que fica na região central, o pastel sai por volta das 15h, uma fornada quentinha que já é esperada pela clientela. Na Fenadoce, o estante tem estrutura de cozinha com fornos que ficam alimentando o balcão e a cobiça de quem passa, com os doces também recém-saídos da assadeira.

A receita segue a tradicional feita em diferentes partes de Portugal. Eulália esclarece que a iguaria deve ser chamada de pastel de nata e não de Belém, visto que este nome é uma marca registrada da confeitaria Belém, de 182 anos, que fica em Lisboa, local que guarda em segredo sua receita. "Mas o pastel de nata é encontrado em todo o Portugal ", diz.

Para muitos apreciadores da duplinha o ideal é que o doce esteja morninho, o que faz rescindir a canela que é jogada por cima. Quem leva para casa ganha algumas sugestões das atendentes da Delícias Portuguesas, uma dela é nunca esquentar no micro-ondas. Deixa a massa mole e borrachuda. O conselho é dar uma pré-aquecida no forno em temperatura média e deixar o pastelzinho por lá no máximo uns cinco minutinhos. Não mais do que isso para não ressecar. Na 27ª Fenadoce o combo custa R$ 9,00.

"O queridinho"

O quindim é outro soberano da Fenadoce. Eleito entre os melhores pelos visitantes, se destacou como o mais vendido nas duas últimas edições, seguido de perto pelo bombom de morango. Incrivelmente o doce não é uma receita típica portuguesa, mas sim uma combinação bem brasileira.

O chef de cozinha, professor do Senac Pelotas André Eduardo Fonseca, defende que a sobremesa não é uma criação do acaso. "Não foi um preparo acidental, mas sim um doce criado pelas mãos negras das doceiras que usaram do coco vindo da África como complemento e substituição para alguns insumos que eram utilizados na produção de alguns doces portugueses a base de gemas."

Fonseca destaca que no Sul do Brasil não foi diferente. O professor argumenta que o docinho foi criado por mulheres que encontravam no dom de cozinhar uma maneira de viver e sobreviver aos desalentos deixados pelas barbáries da história colonial.

De Norte a Sul do país, o doce é apreciado pelos brasileiros. Com essa origem miscigenada, ele tem diversidade até no seu modo de preparo, porém, segundo o cozinheiro, ele não perde sua essência, nem ancestralidade. Nas regiões ao Norte do país, por exemplo, a massa ganha leite de coco, aqui em Pelotas se usa manteiga.

Popular, esse doce integra também os rituais das religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul. Seguindo uma lenda que conta a história de uma ex-escrava que queria ter um filho e só o conseguiu ao ofertar quindins a Oxum. Por este motivo, as sobremesas derivadas de gemas estão entre os presentes a este orixá.


O café colonial

A dieta é assunto desnecessário diante de geleias, chimias, doces em calda, bolos, pães e cucas, entre outras delícias que oferece o café colonial da família Crochemore. Tradicional na Feira há mais de 20 edições, o local é puro deleite. E o melhor, além de degustar no aconchegante espaço, o visitante ainda pode levar para casa algumas das delícias produzidas pela empresa.

A família Crochemore produz doces há mais de 60 anos, uma história que a quarta geração dá prosseguimento. Na Fenadoce a marca acompanha a Feira desde a primeira edição. "Nossa maior atração é o café colonial, com produtos artesanais, movimenta muito", conta Ricardo Crochemore, um dos proprietários.

No local estão mais de 50 variedades de produtos que remontam a origem colonial da família. Para quem gosta este é um momento único, porque fora da Fenadoce a marca não disponibiliza café colonial.

Neste ano o bufê livre custa R$ 48,00 por pessoa, que inclui cafés, leite, vinhos e sucos, os de pêssego e uva são da produção própria. Crianças até sete anos tem entrada livre e até R$ 12,00, pagam meia. Quem quer se programar tem que ficar de olho nos horários do café: de segunda a quinta, das 15h às 21h; sexta-feira, das 15h às 22h; sábados, domingos e feriados, das 11h30min às 22h. A venda de produtos na banca montada no espaço segue o horário da Feira.

Serviço

O quê: Fenadoce 2019

Data: até o dia 23 deste mês

Local: Centro de Eventos Fenadoce (avenida Presidente Goulart com a BR-116) - Pelotas

Horário: de segunda a quinta-feira, das 14h às 22h; sexta-feira, das 14h às 23h; sábados, domingos e feriado, das 10h às 23h.

Site: www.fenadoce.com.br

Ingressos: de segunda a sexta: R$ 10,00; sábado, domingo e feriados: R$ 12,00; estacionamento: R$ 15,00

Valor do doce: R$ 4,00 a unidade.

 

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados