Editorial

Adivinha quem voltou à Formula 1?

19 de Março de 2019 - 08h03 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A volta do patrocínio das indústrias de tabaco a eventos esportivos, com destaque para a Fórmula 1, parece surreal, mas aconteceu. Como nos anos 1980, quando os carros dos principais pilotos ostentavam marcas de cigarros, a principal modalidade do automobilismo volta a flertar com o cigarro, em uma associação contraditória entre a ideia de unir o esporte (sinônimo de saúde) e produtos cancerígenos.

O caso já chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS), que pediu aos governos a proibição de tal publicidade em eventos esportivos, com solicitação específica à realização e transmissão de competições da Fórmula 1 e da MotoGP.

Segundo a OMS, o chamado ocorre após as companhias do setor tabagista anunciarem novos acordos com gigantes do automobilismo. A British American Tobacco (BAT) divulgou “uma nova parceria global” com a McLaren e o slogan Um amanhã melhor. A Philip Morris International (PMI), por sua vez, criou um logo (Mission Winnow) para uso pela Ferrari nos carros e pela Ducati nas motocicletas. O organismo internacional, em relação ao pedido, reforça ainda o que diz o Artigo 13 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS, que obriga as partes a implementar restrições ou interdições dessas práticas à indústria tabagista. Já está provado que proibições abrangentes da publicidade, promoção e patrocínio do tabaco contribuem para reduzir o consumo, principalmente entre os jovens.

O caso é bem mais abrangente, lembra a OMS, e não deve ficar restrito apenas às competições entre Fórmula 1 e MotoGP. Cabe aos países que sediam eventos esportivos regrar a publicidade que promova o tabaco, em associação a atividades que têm como natureza o estímulo à saúde da população. Sob risco de, logo ali, aquelas cenas dos anos 80, quando cigarro, beleza e juventude andavam de braços dados, retornarem.


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