Editorial

Denuncie sempre

20 de Fevereiro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

"Estava com um short do 'tipo Anitta', uma miniblusa, com as pernas abertas no banco, me chamando atenção". Com esse argumento, o motorista de aplicativo de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, que assediou uma adolescente de 17 anos, justificou à polícia o ato com repercussão em todo o Brasil depois de a vítima registrar o episódio em vídeo e torná-lo público através das redes sociais.

Há uma mudança em curso e, definitivamente, os homens são os mais atrasados e relutantes em aceitar que, aquilo que sempre "foi um hábito" para uma boa parte deles, na verdade é crime cometido contra as mulheres.

O motorista, além disso, desconsiderou o fato de a adolescente tê-lo alertado que era menor de idade. Na opinião do homem, isso "não seria problema". E ele foi mais além: "Seria problema se tivesse 13 anos, e acho que tu não tem 13 anos; 14 para cima tu já é responsável".

O caso de Viamão reflete os dados de uma pesquisa divulgada ano passado sobre o tema. O levantamento mostrou que 97% das brasileiras com mais de 18 anos já enfrentaram situações de assédio sexual no transporte público, em serviços por aplicativo ou em táxis, onde, aos olhos de muitos homens, podem ser abordadas sem qualquer problema. A pesquisa foi realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.

A denúncia passou a ser a principal arma das vítimas. Não se calar frente ao constrangimento e mostrar ao assediador que ele poderá responder criminalmente por seus atos é a garantia de que o problema está sendo enfrentado sem camuflagens ou acobertamentos, como, por muitos anos, ocorreu.


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