Estilo
Crônica

Natal

22 de Dezembro de 2018 - 05h00 Corrigir A + A -

Por Maria Alice Estrella - malicestrella@yahoo.com.br

Há mais de dois mil anos, o fenômeno se repete. É uma onda de ternura que se derrama sobre a Humanidade, transbordando do coração de Deus. É o momento da confraternização, do arrependimento, do perdão, da entrega, do encontro, do dar e do receber, da união, da sublimação, do enlevo.
Parece que o anjo que habita em cada um desperta e espreguiça suas asas, ampliando o espaço que ocupamos para que possamos estender nossos braços em direção aos semelhantes na comunhão do amor amplo, geral e irrestrito.

Ficamos melhores, sem dúvida. Alguma coisa acontece para além das luzes brilhando nas casas, das ceias festivas, dos pacotes coloridos colocados debaixo das árvores, das orações e cânticos frente ao presépio.

É algo mais. Transcende os limites do humano porque nos inunda, por um instante, com a grandeza imensurável da graça que o Carpinteiro de Nazaré distribuiu e multiplicou de geração em geração no coração dos homens.

Nisso, o milagre. O maior milagre de que somos testemunhas. Os corações de pedra transformam-se em corações de carne. O Espírito se derrama sobre nós e no interior do templo que somos acende-se a luz, a mesma luz da estrela que mostrou o caminho para os reis magos.

E, sem percebermos, adquirimos idêntica postura e, em nosso íntimo, repetimos a mesma trajetória rumo a Belém para celebrar o marco do nascimento do Menino que mudou o curso da história dos homens, sem espadas, sem guerras, mas com gestos e palavras que, ainda, ressoam como as trombetas de Jericó. E, como no relato bíblico, caem as muralhas do desafeto, do ódio, do rancor para que, em seu lugar, surjam o perdão, o amor, a união.

Em cada celebração do Natal, parece que em volta do planeta Terra surge uma auréola de congraçamento e uma onda gigantesca de amor invade os lugares mais remotos, unificando a aldeia global.

Espero que o anjo que existe dentro de nós não adormeça no dia seguinte para que o fenômeno do amor natalino se estenda à realidade de todo o ano.

A realidade do Amor quer sobreviver às dificuldades, aos atropelos, ao desânimo. Ele deseja permanecer apesar, acima e além das nossas limitações. Homens, mulheres, tudo o que querem é o abraço. Aquele abraço inconfundível de quem vem para ficar, de quem traz a boa-nova da alegria do encontro.

Se o abraço acontece, caem por terra as máscaras e o que é bom aparece.

O abraço verdade que surge por si mesmo, quando menos se espera e, mesmo assim, se espera que seja o mais rápido possível.

Abraço é raridade e não se encontra em lojas de antiquários. É na vida, mesmo!

O Menino envolto em panos numa manjedoura nasceu e está vivo para sempre. Natal é reconhecer esse Amor e fazer dele uma constância no cotidiano, enquanto pudermos nos abraçar nos Natais nossos de cada dia.

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados