Conflito

Transporte público em Rio Grande tem novo impasse

Pouco mais de um mês após enfrentar greve, nova mobilização organizada por ex-funcionários paralisou o ônibus no município na manhã desta sexta-feira

30 de Abril de 2021 - 17h50 Corrigir A + A -
Após a mobilização, os ônibus circularam normalmente (foto: Grupo Oceano) (Foto: Divulgação - DP)

Após a mobilização, os ônibus circularam normalmente (foto: Grupo Oceano) (Foto: Divulgação - DP)

Rio Grande amanheceu com o transporte coletivo paralisado nesta sexta-feira (30). Cerca de cem ex-funcionários da empresa Noiva do Mar Mobilidade Urbana realizaram uma manifestação na sede da instituição, impedindo que se iniciasse o expediente de trabalho. A mobilização, que começou por volta das 2h e terminou próxima às 8h, foi motivada por atrasos salariais, falta de depósitos do 13º salário e FGTS e também por débitos referentes às rescisões acordadas com a empresa no mês passado. Na sequência, com o término da manifestação, os ônibus puderam circular normalmente.

O movimento foi composto por ex-funcionários divididos em dois grupos: trabalhadores demitidos em fevereiro e outros que entraram com o processo de rescisão indireta do contrato com a Noiva do Mar. Em comum, o fato de que não tiveram seus acordos extrajudiciais cumpridos junto à empresa. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Rio Grande, Fábio Machado, os acertos realizados junto à Noiva do Mar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) não foram executados. "Não foi pago 45% do salário referente a março para os trabalhadores que entraram com as rescisões indiretas com a empresa. A parcela do 13º salário, que deveria ter sido paga até dia 29, houve um comunicado que seria paga hoje e também não foi", conta. Ele ainda destaca que os valores das rescisões em si também não foram depositados. "A empresa não cumpriu o que acertamos. Não pagou FGTS e nem 40% das rescisões. Tem trabalhador que foi demitido em fevereiro e até agora não recebeu a rescisão e nem o 13º. Além disso, há colegas que reclamaram que, quando há pagamento, as parcelas chegam atrasadas", explica Machado.

O Sindicato definiu que a paralisação seria curta e ela durou aproximadamente seis horas. Segundo Machado, este período foi planejado para que não houvesse prejuízos à população. "Nós acabamos de sair de um longo período de bandeira preta e agora tem alguma flexibilização com a bandeira vermelha, logo deve ter um aumento no número de passageiros. Não queremos prejudicar a população", explicou. Ele ainda pontuou que, caso não sejam efetuados os pagamentos para aqueles que não estão mais no quadro de funcionários da empresa, novas manifestações poderão ocorrer. "Com a pandemia, estão sendo feitas reuniões com a comissão dos trabalhadores que estão paralisados. Esta comissão negocia com o Sindicato, que conversa com os funcionários da ativa. Se não for quitado, haverá novas reuniões no fim de semana para que haja uma decisão na segunda", aponta. Até o fechamento desta reportagem, os trabalhadores que estavam com vencimentos atrasados informaram que os débitos ainda não haviam sido quitados.

Empresa contesta

Em nota, a Noiva do Mar contestou as informações apresentadas pelo Sindicato. A instituição afirmou que, conforme os compromissos firmados no TRT, o pagamento dos 45% do salário restante de março foi efetuado junto aos colaboradores ativos. "O primeiro ponto é que não houve paralisação dos funcionários. Todos estavam aqui, a postos. Nossos funcionários ativos estão com o salário em dia. O que aconteceu foi uma manifestação por parte do Sindicato e de alguns ex-funcionários, que solicitaram rescisões indiretas. O maior exemplo disso é que, assim que foi liberada a saída, os ônibus voltaram a circular normalmente, já que estavam todos a postos para trabalhar", afirma a gerente-operacional da Noiva do Mar Mobilidade Urbana, Edneumann Assunção.

Quanto às rescisões, ela explica que todos os procedimentos estão transcorrendo no Tribunal. Desta forma, conforme as tratativas avançarem, os pagamentos serão feitos através da justiça. A nota da empresa aponta que os funcionários que participaram da mobilização "já não fazem mais parte da folha salarial e devem tratar os seus assuntos no Judiciário, onde entraram com ações e cujas audiências já estão marcadas".

Sobre os atrasos nos pagamentos do 13º salário, a gerente lembra que foi feito um acordo junto ao sindicato em dezembro de 2020, estabelecendo que os valores seriam pagos em três parcelas, definidas para fevereiro, março e abril deste ano. Segundo ela, os repasses estavam previstos para esta sexta e todos os funcionários que ainda trabalham na empresa já receberam as quantias.

A Noiva do Mar ainda condenou as manifestações, apontando que houve um descumprimento de uma liminar judicial que prevê somente dois manifestantes diante da empresa até que haja o julgamento da greve, que tramita no TRT junto às deliberações financeiras. Esta liminar prevê o pagamento de R $30 mil como multa, com o valor sendo revertido para a Santa Casa de Rio Grande. A gerente garante que a instituição irá acionar a justiça para que os manifestantes sejam penalizados. "É uma irresponsabilidade muito grande do Sindicato. Existe uma decisão do TRT que não poderiam obstruir as saídas dos veículos, até porque todas as tratativas estão na justiça. Vamos acionar o Tribunal porque houve esse descumprimento, eles não deixaram os ônibus saírem", conta.

 Matéria atualizada às 17h50 para acréscimo de informações*


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