Falta de luz

Sem energia ou informação

Quatro cidades da Zona Sul ainda apresentam desabastecimento de luz pelos temporais do final de semana

19 de Janeiro de 2022 - 21h47 Corrigir A + A -
CEEE Grupo Equatorial afirma que trabalha para reestabelecer a energia elétrica para as mais de 10 mil pessoas que seguem sem luz desde o final de semana  (Foto: Divulgação - DP)

CEEE Grupo Equatorial afirma que trabalha para reestabelecer a energia elétrica para as mais de 10 mil pessoas que seguem sem luz desde o final de semana (Foto: Divulgação - DP)

Os temporais que atingiram a Zona Sul no último final de semana deixaram rastros que ainda são sentidos pela população de diversas cidades. O desabastecimento de energia elétrica em Morro Redondo, São Lourenço do Sul, Pinheiro Machado e Turuçu tem causado prejuízos que vão desde a queima de eletrodomésticos a perdas na agricultura. Poderes Executivos e Legislativos de alguns municípios têm recorrido à justiça para tentar uma solução ao problema.

Os ventos de até cem quilômetros por hora e as chuvas foram suficientes para afetar as zonas rural e urbana de São Lourenço do Sul. Ainda na tarde de ontem, o Centro da cidade não possuía energia elétrica e, no 4º Distrito, cerca de 450 famílias aguardam o retorno da luz para contabilizar as perdas no leite e no tabaco, considerados os mais afetados por dependerem de resfriadores e ordenhadeiras, e estufas elétricas, respectivamente.

A aposentada Miriam Freitas, 57, mora no bairro Navegantes e conta que ficou 24 horas sem energia elétrica, entre sábado e domingo. Desde o retorno, no entanto, há instabilidade, com quedas recorrentes ou luz em apenas uma fase. "A luminosidade fica fraca, o ventilador fica muito fraco. Se colocar na velocidade três, parece que está no dois. E isso quando liga", pontua.

Através das redes sociais, as reclamações avaliam o serviço da CEEE Grupo Equatorial como "de péssima qualidade". "Faltou luz no domingo às 14h e até hoje [quarta-feira] nada de luz", afirma um morador. "Muitos alimentos estão sendo colocados fora por ter estragado. Na hora de nos mandar a conta são pontuais, mas na hora de resolver os problemas com falta de energia não estão nem aí para a população", finaliza.

Na tarde de terça-feira a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Lourenço enviou uma denúncia ao Ministério Público (MP), tendo como pauta os atos praticados pelo Grupo Equatorial diante da falta de energia na cidade. O vereador Luis Weber afirma que esteve em frente à sede da empresa no domingo, mas se deparou com portões fechados e veículos estacionados, quando deveriam estar prestando atendimento. "Houve uma debandada de técnicos da empresa e ficamos à mercê de dois ou três". Além do pedido de mais profissionais, o documento pede um posicionamento do MP quanto a uma indenização aos agricultores, para suprir as perdas.

Problema que persiste

Também atingida pela falta de abastecimento, a cidade de Pinheiro Machado tem sido obrigada a se acostumar com a situação. Os pontos mais afetados são as regiões de Chapeado e Alto Bonito, no interior do município, onde cerca de 20 famílias estão sem luz desde domingo. O prefeito Ronaldo Madruga (PP) afirma que há cerca de 120 dias a instabilidade na luz tem atingido os moradores e, com os temporais dos últimos dias, o problema piorou. "Pinheiro Machado já vem há alguns meses sofrendo com o abastecimento e a qualidade da energia elétrica. É frequente a queda ou ela chegar a uma fase só".

Madruga afirma que diante do problema, quase rotineiro, o município contratou uma empresa especializada para realizar um levantamento nos quatro pontos da cidade. No primeiro laudo, consta que a energia que chega a uma das maiores regiões é considerada "péssima" e não atende a regulamentação da Agência Controladora de Qualidade de Energia. Na próxima semana o segundo ponto será mapeado. "A partir desses laudos haverá a movimentação necessária, inclusive levar para conhecimento do MP para uma ação civil pública para resolver o fornecimento de energia".

Mais problemas

Em Morro Redondo, pontos da cidade seguiam sem luz até o fechamento desta edição. O pedreiro Darlam Almeida, 29, conta que o problema é recorrente e as tempestades não são justificativa. "Às vezes nem chove e já falta luz. Já aconteceu de ficarmos até cinco dias sem luz, até mesmo sem haver temporal". No domingo, a energia elétrica, que havia caído às 9h, voltou apenas às 20h.

A situação tem feito Almeida repensar a ideia de um novo negócio. "Estamos em projeto de abrir uma leitaria, mas sentimos medo porque falta [energia] seguidamente e pode comprometer todo o trabalho. O pior é que não adianta ligar ou mandar SMS para a CEEE, porque não fazem nada", finaliza.

Em Turuçu, o responsável local pela Defesa Civil, Clauberto Peres, afirma que um corredor de vento atingiu a região central da cidade e derrubou árvores e postes de luz e danificou 27 casas. A reparação da rede de energia ainda seguia durante o dia de ontem, causando instabilidade.

Contraponto

Em nota, a CEEE Grupo Equatorial afirmou que está trabalhando em estágio de plantão, com 100% do efetivo para restabelecer a energia a dez mil clientes. "A CEEE Grupo Equatorial ressalta que os prazos para a solução de cada ocorrência dependem da complexidade de cada caso", explica o documento.

A companhia ainda pontua que, para restabelecer o fornecimento, são necessários serviços de deslocamento e acesso de equipes às localidades com fornecimento interrompido, ações em parceria com outros órgãos públicos, uma vez que alguns serviços prestados são interligados e envolvem várias atividades.


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