Estiagem

Seca afeta principalmente a soja, milho e o fumo na Zona Sul

Até o momento, situação é de emergência em Amaral Ferrador, Canguçu, São Lourenço do Sul, Piratini e Morro Redondo

23 de Janeiro de 2020 - 08h15 Corrigir A + A -
Plantações de milho estão entre as mais afetadas na região. (Foto: Divulgação - Defesa Civil)

Plantações de milho estão entre as mais afetadas na região. (Foto: Divulgação - Defesa Civil)

Cinco municípios da Zona Sul já decretaram, até o momento, situação de emergência devido a estiagem que atinge todo o Rio Grande do Sul. Até ontem, Amaral Ferrador, Canguçu, São Lourenço do Sul, Piratini e Morro Redondo emitiram seus decretos e aguardam a homologação da Defesa Civil do Estado e da União. As principais perdas são em plantações de tabaco, fumo, soja e milho.

Em um laudo técnico emitido pela Emater é apontado até famílias que estão sem água potável para consumo, além de perdas em diversas culturas. Na região, 329 famílias estão recebendo água para o consumo humano. Entre os casos mais críticos estão cem famílias em Canguçu, 47 em Cerrito, 45 em Piratini e 42 em Arroio Grande.

A última a decretar a situação de emergência foi Piratini, que teve o decreto assinado na manhã de ontem. Por telefone, o prefeito em exercício, Gilson Gomes (PP), lembrou que, em um período de menos de seis meses, o município viveu a emergência do excesso de chuvas, em outubro, e a falta delas, entre dezembro de 2019 e janeiro deste ano. "Na agricultura e pecuária o prejuízo é bem grande e são nossas principais fontes de renda", alerta.

O coordenador regional da Defesa Civil, tenente-coronel Leonardo Nunes, explica que no momento os técnicos auxiliam os municípios na produção de documentos necessários para o processo ser homologado. "Entregamos pipas vinílicas para distribuição de água para as famílias e eventualmente para animais", declarou. Ele cita ainda municípios próximos que estão enfrentando a mesma situação: Camaquã, Dom Feliciano, Chuvisca, Cristal e Encruzilhada do Sul.

Perdas de produção
Traçando um panorama regional, a situação é regular e há perdas em todos os municípios, praticamente. Cidades como Amaral Ferrador devem registrar perdas de até 50% nas plantações de fumo. A média de perdas nesta cultura na região é de 23%.

"É uma cultura que atinge a renda de diversas famílias", comenta Edgar Noremberg, supervisor regional da Emater, que complementa: "Os mais atingidos são Canguçu, São Lourenço, Amaral Ferrador, Piratini. Ao mesmo tempo foi a região que pegou mais chuva. Pela previsão para a próxima semana, a situação deve piorar na Fronteira em cidades como Herval, Jaguarão e Arroio Grande, por exemplo".

Entre as plantações que mais precisam de chuva, o milho também apresenta grandes perdas. Utilizado para alimentação de animais, a previsão de perda no ganho de peso na pecuária, por exemplo, só deve ser sentida no inverno. "Hoje os produtores tem cilagem e alimento. No entanto, aquelas plantações destinadas a isso devem perder muita qualidade", estima Edgar. A seca, informa, está relacionada com o excesso de calor. O fenômeno prejudica o ganho de peso pelo estresse térmico. As perdas neste cultivo são destacadas em Amaral Ferrador, que deve ter perdas na ordem dos 80%, além de Piratini e Capão do Leão, com 50%.

As plantações de feijão, utilizadas basicamente para a alimentação das famílias produtoras, sofreu no início do cultivo e no final. Na hora da semeadura, foram excessos de chuva, o que atrasou a colheita. Na hora de desenvolver as vagens com os grãos, a chuva se fez ausente e produtores devem perder a metade da produção, estima o supervisor.

"Na soja, a perda deve ser de 15% na região. É uma cultura que tem uma grande capacidade de recuperação", prevê. Entre os municípios que registram maiores perdas, estão Arroio do Padre, com perdas de 30%, seguido do Capão do Leão, com 25%, e Amaral Ferrador e São Lourenço do Sul, ambas na ordem dos 20%.

Na pecuária e no leite também há perdas. Nos municípios da região, a produção de leite diária teve redução de 20%. Acima da média está Piratini, que registrou perdas diárias de 30%. Na pecuária estima-se perdas de 20% sobre o rendimento esperado. "A preocupação agora é não entrar no inverno com estiagem, aí será ainda mais crítico", alerta.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados