Saúde pública

Santa Casa de RG busca recuperação judicial

Grave crise financeira forçou pedido encaminhado à Justiça; estimativa é de que até o final de 2022, total das dívidas ultrapasse os R$ 400 milhões

23 de Junho de 2022 - 18h29 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Presidente Renato Silveira (à esquerda) e advogado Rogério Soares garantiram que recuperação judicial não representa o fim, mas um novo começo ao hospital (Foto: Divulgação - DP)

Presidente Renato Silveira (à esquerda) e advogado Rogério Soares garantiram que recuperação judicial não representa o fim, mas um novo começo ao hospital (Foto: Divulgação - DP)

Santa Casa é referência para Zona Sul em áreas como cardiologia, oncologia e traumato (Foto: Divulgação - DP)

Santa Casa é referência para Zona Sul em áreas como cardiologia, oncologia e traumato (Foto: Divulgação - DP)

A Santa Casa de Rio Grande busca autorização para dar início à recuperação judicial, que permitiria interromper - temporariamente - o pagamento de dívidas e garantiria prazo estimado de três anos para renegociá-las. O pedido cautelar preparatório foi encaminhado na manhã desta quinta-feira (23) à Justiça. Em coletiva concedida à imprensa, a direção falou sobre a expectativa de reorganização financeira, que assegure ampliar a receita e fazer investimentos para melhoria dos serviços, que realimentem o caixa.

Até o final do ano passado, as pendências acumuladas com todos os tipos de credores chegavam a R$ 367 milhões. E o bolo não para de crescer: a estimativa é de que até o final de 2022 as dívidas superem os R$ 400 milhões. Hoje, o déficit, considerado só o custo operacional do dia a dia do hospital, já deve ultrapassar R$ 1 milhão por mês. Uma das estratégias para tentar reduzir o vermelho é ampliar o volume de atendimentos prestados por convênios e particulares, que atualmente representa em torno de 15%. A intenção é alcançar os 40%.

"Precisamos aumentar a receita e equacionar a dívida, que nos impede de ir à frente da forma que gostaríamos", afirmou o presidente Renato Silveira. "Com a recuperação judicial teremos a tranquilidade e o tempo necessários para buscar o equilíbrio financeiro e reestruturar o hospital", destacou.

Suspensão de prazos e investimentos em vista

Se o pedido de recuperação judicial for aceito, a Santa Casa recebe uma moratória, que suspende processos e os credores deixam de ser pagos. "Há uma liberação de caixa, mas não descompromissada. Teremos que explicar qual o destino dos recursos", enfatizou o advogado Rogério Soares. Hoje, as verbas repassadas ao hospital, não raro, ficam retidas para pagamento de dívidas individuais.

A estimativa é de que, em até três anos, todas as pendências possam estar renegociadas. A direção da Santa Casa também projeta que em um prazo de até 20 anos todas as dívidas possam estar quitadas. Questionado, o advogado garantiu que o pagamento das ações trabalhistas será prioridade, conforme tratativas e cronograma para honrar com tudo que ficou para trás ao longo de décadas. Hoje, só do montante que deveria ter sido destinado a trabalhadores são R$ 60 milhões.

Em nota oficial, também divulgada na manhã de ontem, a Associação de Caridade Santa Casa garantiu que com a missão de cuidar das pessoas de forma humanizada e segura, e com a visão de ser referência como instituição de saúde pela excelência na prestação de serviços com autossustentabilidade, a instituição trabalhará firmemente em prol da manutenção e do fortalecimento do hospital para enfrentar ao lado da comunidade este momento de crise.

Investimentos como novos tomógrafo e mamógrafo já estão garantidos com verbas do Avançar RS, do governo estadual. Os aparelhos devem chegar no mês de outubro. Reestruturação do Centro Cirúrgico, melhorias na área de oncologia e um elevador também estão na mira para qualificar os serviços de assistência à população.

Saiba mais do hospital 

* 187 anos de história
* Capacidade: 387 leitos ativos
* Internações: 686 Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) contratualizadas por mês, pelo SUS
* Algumas áreas em que é referência regional: oncologia, traumatologia, cardiologia e neurocirurgia
* Funcionários: 1.209
* Médicos: cerca de 250
* Salários:
- Dos funcionários: estão em dia
- Dos médicos: em atraso há quatro meses. Valor chega a R$ 7 milhões.

 


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