Zona Sul

Reitor e comitiva discutem oportunidade de cooperação com a EBR

A pedido do estaleiro, professores e gestores propuseram soluções para demandas da empresa

16 de Setembro de 2021 - 16h48 Corrigir A + A -
Em visita ao estaleiro de São José do Norte, comitiva da FURG propõe soluções para demandas reais da empresa - (Foto: Hiago Reisdoerfer)

Em visita ao estaleiro de São José do Norte, comitiva da FURG propõe soluções para demandas reais da empresa - (Foto: Hiago Reisdoerfer)

Nesta última semana, professores e gestores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) estiveram reunidos com líderes da empresa Estaleiros do Brasil (EBR) em São José do Norte. Voltada para o ramo de construções offshore, a companhia busca na universidade as possíveis soluções para demandas reais, principalmente no tocante à capacitação de mão de obra local. Na oportunidade, ambos os lados apresentaram suas capacidades instaladas e estrutura, identificando pontos de conversão onde a atuação mútua poderia beneficiar as duas partes.

Estiveram presentes no encontro o reitor Danilo Giroldo; o pró-reitor de pesquisa e pós-graduação, Eduardo Secchi; a pró-reitora de Inovação e Tecnologia da Informação, Danúbia Espíndola; o diretor do Parque Científico e Tecnológico da FURG, Artur Gibbon; e os professores Eduardo Borges (Centro de Ciências Computacionas); Rafael Paes (Escola de Engenharia); e Samuel Bonato (Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis). Da EBR, atenderam à reunião o presidente Mauricio Godoy; o diretor administrativo financeiro, Carlos Alberto Rodrigues; a diretora de operações Daniela Guariglia; e o gerente de estimativas e propostas Walley Bonfim Gonçalves.

Possibilidades e demandas: aproximando a universidade da indústria

De acordo com o presidente da EBR, foi observado desde o começo efetivo das atividades do estaleiro que a competitividade é o ponto central para perpetuar o trabalho desenvolvido e toda a estrutura cedida ao estaleiro. “Diferente de fazer uma obra dentro do canteiro do cliente e ir embora, aqui, é a obra que vai embora. E, a gente entende que essas obras precisam ser feitas, em quase sua totalidade, com gente da região. Gente que vai ficar”, explicou o gestor.

Segundo ele, a experiência de contratar mão de obra especializada de outros lugares do país acaba em rompimento, seja em função da difícil adaptação com o clima da região ou pelas distâncias impostas. Para resolver este impasse e garantir a qualidade da mão de obra especializada do estaleiro, é preciso oferecer possibilidades de formação, agregando capacidade teórica e prática aos funcionários que já pertencem ao quadro da empresa, e, também, articulando pontes para contratar novos trabalhadores, igualmente qualificados.

Ainda durante sua fala, o presidente colocou o estaleiro à disposição da universidade e seus alunos o complexo industrial da EBR como um laboratório em escala real para a realização de estudos acadêmicos que possam beneficiar ambas as partes.

Em seguida, a diretora de operações e o gerente de estimativas e propostas realizaram a apresentação da organização estrutural e da capacidade instalada do estaleiro, bem como as áreas de expertise envolvidas nas atividades desenvolvidas pela EBR. Em um segundo momento, os gestores destacaram os projetos em andamento, bem como um breve resumo das operações já concluídas, demonstrando a dimensão e volume das ações no complexo.

Durante a conclusão, foram apresentadas, de forma mais específica, as áreas relacionadas às demandas da EBR, espaços nos quais a parceria com a FURG se faz mais necessária. São exemplos destas áreas: captação e retenção de mão de obra local qualificada; aumento da competitividade por meio da inovação; melhoria da produtividade por meio de iniciativas específicas e processo de melhoria contínua; além da otimização dos processos base a exemplo de setores como planejamento e custos, produção e manutenção e cadeia de suprimentos.

Uma instituição voltada para os ecossistemas costeiros e oceânicos

Durante sua fala, o reitor apresentou a estrutura e a capacidade operacional da FURG, seu contexto institucional, suas unidades acadêmicas, a estrutura multicampi e os cursos de graduação, destacando os espaços com vocação alinhada às demandas apresentadas pela EBR. “A universidade tem seu foco e vocação voltados aos ecossistemas costeiros e oceânicos, de maneira abrangente, não só na perspectiva ambiental, mas também envolvendo o ser humano e suas relações neste sistema”, disse Giroldo.

De acordo com o reitor, a relação da FURG com a indústria naval de óleo e gás é uma parceria que já dura cinco gestões, tendo seu início atrelado ao Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás (Prominp), em 2008, quando da formação do Fórum Regional instalado em Rio Grande, com orientação local e executiva pela Petrobras. Na época, o vice-reitor da FURG, Ernesto Luiz Casares Pinto, representava a universidade neste espaço.

“O Prominp deixou vários legados, um deles é um projeto voltado para a qualificação da mão de obra com base na necessidade local da região naquele momento. A FURG desenvolveu, nesse âmbito, cinco cursos em caráter Lato Sensu: Engenharia Naval; Engenharia Elétrica; Engenharia de Campo; Engenharia de Planejamento; e Engenharia de Automação e Instrumentalização”, adicionou o reitor.

Em sua apresentação, Giroldo destacou a estrutura de operação que a FURG oferece, atuando por meio de braços institucionais como a Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação, que conecta estudantes de pós-graduação e grupos de pesquisa da universidade com a indústria e os problemas reais do mercado; e a Pró-reitoria de Inovação e Tecnologia da Informação que abriga o Parque Científico e Tecnológico (Oceantec), espaço no qual se ligam uma série de empresas e mecanismos voltados para o setor produtivo, pensando em ideias e processos para suprir demandas específicas.

“Dentro deste espaço está situado o iTec, que é um centro de inovação associado, voltado para robótica, automação e ciência de dados e credenciado como unidade Embrapii, que não é fácil. Hoje apenas 30% das universidades federais possuem uma unidade Embrapii”, destacou o reitor. Atualmente, fazem parte deste seleto grupo, apenas instituições com comprovada excelência operacional e uma vasta carteira de entrega de projetos ao setor produtivo, combinando qualidade e experiência com constante avaliação para permanência na iniciativa.

Embrapii e as vias de cooperação

A Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial – Embrapii, é uma organização social ligada ao poder público Federal que, desde 2013, apoia instituições de pesquisa tecnológica para incentivar a inovação na indústria nacional. Na prática, esse mecanismo de incentivo é responsável por dividir os custos da inovação com as empresas contratantes.

“Temos tentado condensar os projetos de relacionamento dentro da Embrapii, é fácil de negociar esses recursos e eles dividem os riscos com as empresas, sem a necessidade de um edital específico e em caráter de fluxo contínuo. Essas vantagens estabelecem uma relação muito mais confortável e ágil para as duas partes”, concluiu o reitor.

Visita guiada

Ao fim da reunião, a comitiva foi guiada pela área de operações do estaleiro para conhecer brevemente alguns processos em atividade, e, também, identificar processos onde a parceria com a universidade pode oferecer melhorias com base na inovação tecnológica. O próximo passo, sinalizado por ambas as partes, é o de oficialmente firmar o acordo de cooperação para avançar nas tratativas e atividades conjuntas para o benefício mútuo das instituições.

 


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