Covid-19

Regras sanitárias transformadas em recomendações

Governo do Estado altera protocolos seguidos desde o início da pandemia e retira Alerta enviado à macrorregião Sul na última semana

17 de Novembro de 2021 - 21h08 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Após reunião do Gabinete de Crise, o governo do Estado decidiu ontem realizar algumas flexibilizaões, transformando regras em recomendações. Enquanto isso, municípios da região adotam cautela na decisão de manter ou cancelar eventos programados para os próximos meses. É o caso do Capão do Leão, que cancelou a edição da festa Sonho de Natal. Outras administrações municipais aguardam até o final do ano para bater o martelo em relação a possíveis adiamentos.

Da regra, à opção

O governo do Estado decidiu na tarde de ontem tornar certas regras, adotadas desde o início da pandemia, recomendações à população, com exceção de algumas determinações que seguirão obrigatórias. A alteração foi apresentada pela manhã ao Conselho de Crise, composto por chefes dos Poderes, entidades comerciais, dirigentes de hospitais e representantes de universidades e teve deliberações finais à tarde, em reunião do Gabinete de Crise.

A partir da vigência do decreto, que deve ser publicado amanhã e válido a partir da meia-noite de sábado, a abordagem com relação ao combate à pandemia passa a priorizar a responsabilidade de cada pessoa pela proteção individual e coletiva. Uma das alterações é a retirada do teto de ocupação dos locais, tanto abertos como fechados, além do cancelamento de multas por não cumprimento. O uso de máscara, o isolamento domiciliar de suspeitos e positivados para a doença, a apresentação do comprovante vacinal antes de entrar e para permanecer em eventos e atividades de maior risco ou aglomeração, bem como a disponibilidade de água e sabão ou álcool 70% para higienização, seguem obrigatórios no Rio Grande do Sul.

“Retiramos essas restrições, mas isso não significa que está tudo bem. Observamos uma estabilização importante e entendemos que podemos dar este passo. Precisamos que toda a população adote essas medidas, mantendo os cuidados, para evitar que tenhamos de dar um passo atrás. Estamos avançando, mas a pandemia ainda não acabou, e seguiremos monitorando diariamente os dados, como fizemos desde o início, em março de 2020”, disse o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB).

Em municípios com 90% da população adulta vacinada - com duas doses - fica autorizado que a apresentação de comprovante vacinal seja apenas uma recomendação e não uma exigência. A apresentação deve ser feita em competições esportivas, festas e casas noturnas, cinemas, teatros, shows, feiras, exposições e congressos, parques de diversão, temáticos, aquáticos, além de outros atrativos turísticos.

Na mesma reunião, o Gabinete de Crise decidiu retirar o Alerta emitido na semana passada para a região Pelotas, a R21. Conforme o Estado, os motivos são a redução de internados em leitos clínicos e a estabilização de internados na UTI na última semana. Já sobre a baixa procura pela dose de reforço na R21, o governo afirma que houve o segundo maior avanço identificado no RS. Entretanto, a cobertura segue como a menor do Estado para a faixa etária.

Cautela para tomar decisões na região Sul

A nota do Executivo leonense, divulgada ontem, inicia com o trecho “o sonho pela saúde da população”, fazendo alusão ao evento Sonho de Natal, que teve seu cancelamento confirmado em função da crise sanitária. O texto segue afirmando que a decisão preza pela prudência e pela necessidade de “repensar e voltar atrás”. “É assim que a administração municipal entendeu como melhor decisão para o momento o cancelamento da edição deste ano da festa Sonho de Natal, encaminhada para ocorrer nos dias 17, 18 e 19 de dezembro, no Cerro do Estado”, continua o texto, que destaca que a elevação dos números de casos, infecções e óbitos foi “fundamental para embasar a decisão dos gestores”.

Ainda de acordo com a nota, o presidente da Comissão de Eventos do município, Paulo Xavier, informa que a avaliação ocorreu após análise dos últimos boletins epidemiológicos da cidade e da região. “Nós não queremos ser responsabilizados por agir contrários ao bom senso, quando a situação ainda indica riscos à saúde da população”, defende.

Além do Sonho de Natal, a Festa da Melancia e o Levante da Canção Gaúcha, ambos com realização prevista para fevereiro no Capão do Leão, seguem sob avaliação, segundo a prefeitura. “Caso haja mudanças favoráveis até o final deste ano, a Comissão passará a trabalhar na realização dos eventos. Em caso de confirmação, a ideia é a realização de um evento em um domingo, na primeira semana de janeiro, no Cerro do Estado, para a escolha da corte da Festa da Melancia”, finaliza a nota.

Outros municípios também aguardam para decidir

Em Pelotas, tanto o Carnaval quanto a Feira do Livro no Laranjal, esta planejada para janeiro, também terão de aguardar o cenário da pandemia nos próximos meses para uma decisão definitiva. A prefeitura comenta que ainda não há um posicionamento do município quanto à realização da festa carnavalesca no próximo ano. A Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap) pretende realizar o Carnaval fora de época em 2022, mas isso também dependerá do quadro da crise sanitária. “O número de casos e internações influencia diretamente na adoção de medidas de controle e prevenção ao coronavírus, por isso é preciso aguardar, assim como as recomendações também são baseadas nos protocolos exigidos pelas autoridades sanitárias, conforme a situação”, diz o Executivo, também em nota.

O presidente da Câmara Pelotense do Livro, André de Souza, fala que havia a programação da Feira do Livro, em local diferente aos anos anteriores, em parceria com a prefeitura, através da Secretaria de Cultura (Secult) e também com o Sesc. Entretanto, o atual momento é de análise até o final do ano. “Ainda estamos apreensivos, mas pretendemos fazer a feira de 28 de janeiro a 6 de fevereiro, no Laranjal”, adianta.

Outro evento, sobre o qual o público ainda deve aguardar orientações quanto à realização, é o Carnaval de Jaguarão, o maior da Zona Sul. Em agosto, a prefeitura - junto a representantes da Liga das Entidades Carnavalescas de Jaguarão, da Liga dos Trios Elétricos e da administração - lançou um projeto de viabilidade para a realização da tradicional festa, que reúne milhares de pessoas na fronteira. Após isso, foram iniciados os trabalhos de preparação, com contatos para atrações e infraestrutura.

Com a iniciativa do Executivo, a Câmara de Vereadores de Jaguarão realizou ontem uma audiência pública para debater o assunto. A sessão, no entanto, teve início após o fechamento desta edição.

Já os protocolos para realização do Carnaval de São Lourenço do Sul, que vinha tendo destaque antes da pandemia, também estão em sob análise. Uma reunião entre as secretarias responsáveis deve ser realizada ainda esta semana.

A Expofesta Regional da Melancia, que ocorre anualmente em Pedro Osório, também aguarda confirmação da edição de 2022. O secretário municipal de Saúde, Ricardo Alves, diz que o aumento dos casos na região tem preocupado a prefeitura. “Os casos no nosso município têm poucos ativos, mas uns quantos em análise de teste e monitorados. A região em Alerta, os avisos do governo do Estado têm se tornado rotineiros, então nós não teríamos como confirmar a realização neste momento, assim como do Carnaval”, diz.

Após reunião do Gabinete de Crise, o governo do Estado decidiu ontem realizar algumas flexibilizaões, transformando regras em recomendações. Enquanto isso, municípios da região adotam cautela na decisão de manter ou cancelar eventos programados para os próximos meses. É o caso do Capão do Leão, que cancelou a edição da festa Sonho de Natal. Outras administrações municipais aguardam até o final do ano para bater o martelo em relação a possíveis adiamentos. 
Da regra, à opçãoO governo do Estado decidiu na tarde de ontem tornar certas regras, adotadas desde o início da pandemia, recomendações à população, com exceção de algumas determinações que seguirão obrigatórias. A alteração foi apresentada pela manhã ao Conselho de Crise, composto por chefes dos Poderes, entidades comerciais, dirigentes de hospitais e representantes de universidades e teve deliberações finais à tarde, em reunião do Gabinete de Crise. A partir da vigência do decreto, que deve ser publicado amanhã e válido a partir da meia-noite de sábado, a abordagem com relação ao combate à pandemia passa a priorizar a responsabilidade de cada pessoa pela proteção individual e coletiva. Uma das alterações é a retirada do teto de ocupação dos locais, tanto abertos como fechados, além do cancelamento de multas por não cumprimento. O uso de máscara, o isolamento domiciliar de suspeitos e positivados para a doença, a apresentação do comprovante vacinal antes de entrar e para permanecer em eventos e atividades de maior risco ou aglomeração, bem como a disponibilidade de água e sabão ou álcool 70% para higienização, seguem obrigatórios no Rio Grande do Sul. “Retiramos essas restrições, mas isso não significa que está tudo bem. Observamos uma estabilização importante e entendemos que podemos dar este passo. Precisamos que toda a população adote essas medidas, mantendo os cuidados, para evitar que tenhamos de dar um passo atrás. Estamos avançando, mas a pandemia ainda não acabou, e seguiremos monitorando diariamente os dados, como fizemos desde o início, em março de 2020”, disse o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB).Em municípios com 90% da população adulta vacinada - com duas doses - fica autorizado que a apresentação de comprovante vacinal seja apenas uma recomendação e não uma exigência. A apresentação deve ser feita em competições esportivas, festas e casas noturnas, cinemas, teatros, shows, feiras, exposições e congressos, parques de diversão, temáticos, aquáticos, além de outros atrativos turísticos.Na mesma reunião, o Gabinete de Crise decidiu retirar o Alerta emitido na semana passada para a região Pelotas, a R21. Conforme o Estado, os motivos são a redução de internados em leitos clínicos e a estabilização de internados na UTI na última semana. Já sobre a baixa procura pela dose de reforço na R21, o governo afirma que houve o segundo maior avanço identificado no RS. Entretanto, a cobertura segue como a menor do Estado para a faixa etária. 
Cautela para tomardecisões na região SulA nota do Executivo leonense, divulgada ontem, inicia com o trecho “o sonho pela saúde da população”, fazendo alusão ao evento Sonho de Natal, que teve seu cancelamento confirmado em função da crise sanitária. O texto segue afirmando que a decisão preza pela prudência e pela necessidade de “repensar e voltar atrás”. “É assim que a administração municipal entendeu como melhor decisão para o momento o cancelamento da edição deste ano da festa Sonho de Natal, encaminhada para ocorrer nos dias 17, 18 e 19 de dezembro, no Cerro do Estado”, continua o texto, que destaca que a elevação dos números de casos, infecções e óbitos foi “fundamental para embasar a decisão dos gestores”.Ainda de acordo com a nota, o presidente da Comissão de Eventos do município, Paulo Xavier, informa que a avaliação ocorreu após análise dos últimos boletins epidemiológicos da cidade e da região. “Nós não queremos ser responsabilizados por agir contrários ao bom senso, quando a situação ainda indica riscos à saúde da população”, defende.Além do Sonho de Natal, a Festa da Melancia e o Levante da Canção Gaúcha, ambos com realização prevista para fevereiro no Capão do Leão, seguem sob avaliação, segundo a prefeitura. “Caso haja mudanças favoráveis até o final deste ano, a Comissão passará a trabalhar na realização dos eventos. Em caso de confirmação, a ideia é a realização de um evento em um domingo, na primeira semana de janeiro, no Cerro do Estado, para a escolha da corte da Festa da Melancia”, finaliza a nota.
Outros municípios também aguardam para decidirEm Pelotas, tanto o Carnaval quanto a Feira do Livro no Laranjal, esta planejada para janeiro, também terão de aguardar o cenário da pandemia nos próximos meses para uma decisão definitiva. A prefeitura comenta que ainda não há um posicionamento do município quanto à realização da festa carnavalesca no próximo ano. A Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap) pretende realizar o Carnaval fora de época em 2022, mas isso também dependerá do quadro da crise sanitária. “O número de casos e internações influencia diretamente na adoção de medidas de controle e prevenção ao coronavírus, por isso é preciso aguardar, assim como as recomendações também são baseadas nos protocolos exigidos pelas autoridades sanitárias, conforme a situação”, diz o Executivo, também em nota. O presidente da Câmara Pelotense do Livro, André de Souza, fala que havia a programação da Feira do Livro, em local diferente aos anos anteriores, em parceria com a prefeitura, através da Secretaria de Cultura (Secult) e também com o Sesc. Entretanto, o atual momento é de análise até o final do ano. “Ainda estamos apreensivos, mas pretendemos fazer a feira de 28 de janeiro a 6 de fevereiro, no Laranjal”, adianta.Outro evento, sobre o qual o público ainda deve aguardar orientações quanto à realização, é o Carnaval de Jaguarão, o maior da Zona Sul. Em agosto, a prefeitura - junto a representantes da Liga das Entidades Carnavalescas de Jaguarão, da Liga dos Trios Elétricos e da administração - lançou um projeto de viabilidade para a realização da tradicional festa, que reúne milhares de pessoas na fronteira. Após isso, foram iniciados os trabalhos de preparação, com contatos para atrações e infraestrutura.Com a iniciativa do Executivo, a Câmara de Vereadores de Jaguarão realizou ontem uma audiência pública para debater o assunto. A sessão, no entanto, teve início após o fechamento desta edição.Já os protocolos para realização do Carnaval de São Lourenço do Sul, quew vinha tendo destaque antes da pandemia, também estão em sob análise. Uma reunião entre as secretarias responsáveis deve ser realizada ainda esta semana.A Expofesta Regional da Melancia, que anualmente em Pedro Osório, também aguarda confirmação da edição de 2022. O secretário municipal de Saúde, Ricardo Alves, diz que o aumento dos casos na região tem preocupado a prefeitura. “Os casos no nosso município têm poucos ativos, mas uns quantos em análise de teste e monitorados. A região em Alerta, os avisos do governo do Estado têm se tornado rotineiros, então nós não teríamos como confirmar a realização neste momento, assim como do Carnaval”, diz. 


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