Cultura

Projeto da Furg São Lourenço do Sul utiliza a literatura para promover a saúde mental

Oficinas do Ateliê Literário acontecem quinzenalmente, mesclando ações que apresentam potencial terapêutico

20 de Junho de 2022 - 18h03 Corrigir A + A -
Os encontros iniciaram em maio e ocorrem quinzenalmente (Foto: Divulgação - DP)

Os encontros iniciaram em maio e ocorrem quinzenalmente (Foto: Divulgação - DP)

Se falar sobre ou buscar entender os próprios sentimentos já não são tarefas fáceis, o desafio se tornou ainda mais complicado nos últimos dois anos, em um contexto pandêmico, onde as emoções se mantiveram afloradas. Pensando nisso, o curso de Letras e a equipe da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) do Campus São Lourenço do Sul promovem desde o início de 2021 o projeto de ensino “Ateliê Literário: As emoções através da arte”.

A iniciativa, que é oriunda de um projeto anterior - Ateliê das Emoções, desenvolvido até março de 2020 exclusivamente pela Prae – foi realizada de forma totalmente remota em seu primeiro ano de existência, com o intuito de ofertar um espaço voltado para a prevenção em saúde mental dos discentes. Com o tempo, a proposta se expandiu e passou a abranger mais públicos, como estudantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e de escolas da rede pública de ensino, também virtualmente. No entanto, agora, com o retorno presencial das atividades da Furg em 2022, o Ateliê Literário continua acontecendo, mas desta vez diretamente no Campus. Os encontros iniciaram em maio e ocorrem quinzenalmente. Em cada ocasião, é realizada uma oficina temática.

Camila Lara, docente vinculada ao curso de Letras e uma das coordenadoras do Ateliê, explica que em respeito aos protocolos sanitários, a equipe do projeto realizou adaptações e pensou em novos materiais a serem utilizados no Campus. “Esperamos boas interações durante as oficinas ao longo do semestre. Desejamos que os participantes se sintam acolhidos e utilizem esse espaço também como promotor de qualidade de vida universitária”, afirma.

Todos os encontros apresentam um planejamento estruturado, com abertura e acolhimento, meditação, inserção de texto literário, realização de dobradura e diálogos em grupo. A coordenadora ressalta que, individualmente, essas ações apresentam potencial terapêutico, enquanto estratégias de promoção de saúde.

Além disso, são indicadas leituras de artigos acadêmicos sobre os temas trabalhados nas oficinas e ao final de cada módulo as participantes devem apresentar ao grupo um resumo das leituras realizadas.

Arte e cultura na promoção da saúde mental
Segundo a professora Camila, priorizar a promoção da qualidade de vida universitária é um tema urgente para debate e reflexão. Ela também destaca que demandas trazidas pelos discentes no retorno presencial vão ao encontro dos objetivos do Projeto. Assim, explica que a equipe busca, a partir de oficinas lúdicas, dialogar com os participantes do grupo sobre as suas emoções.

Os participantes são convidados a experimentar a concentração, a atenção e o acesso aos conteúdos internos, tais como lembranças e sentimentos. Dessa forma, há oportunidade para que cada um libere parte de seu fluxo de energia psíquica, fazendo com que os integrantes partilhem um espaço de prevenção em saúde mental.

Conforme relata Camila, as oficinas também possibilitam que os alunos e demais participantes vivenciem expressões criativas, levantem e identifiquem demandas espontâneas, ampliem, bem como construam relações e diálogos entre a Universidade e a comunidade de São Lourenço do Sul e outros municípios.

De acordo com ela, a perspectiva do ensino está entrelaçada pela arte e pela cultura, pois entende que ensinar e aprender são indissociáveis das expressões e manifestações artísticas e culturais. “A arte e a cultura, justamente por permitirem expressões mais livres, com formatos mais descolados possíveis das ações cotidianas em que os sujeitos tendem a se formatarem e a se condicionarem. Podem ser promotoras de fazeres singulares, de manifestações únicas e criativas. Assim, oportunizam às pessoas sensações de vivências singulares, de alegrias, de bem-estar na vida”, frisa.

O papel do projeto no retorno à presencialidade
Durante o período de isolamento social, Camila acredita que o projeto foi um espaço que proporcionou aos estudantes a possibilidade de encontros, com aprendizados manuais e meditativos, trocas, e partilhas com a comunidade acadêmica e externa, bem como um lugar para expressar as suas emoções e sentimentos vividos neste momento tão adverso.

Considerando que o retorno presencial se configura como um momento sensível para todos, Camila aponta que diversos sentimentos foram vivenciados no isolamento e agora na presencialidade as atividades sociais precisam ser (re)negociadas. “Nossos desafios seguem neste momento de retorno às aulas presenciais na medida em que vamos nos adaptando às novas realidades, aos protocolos sanitários e aos encontros presenciais depois de dois anos afastados fisicamente. Já tivemos alguns encontros grupais no modelo presencial e constatamos o quanto esse projeto é importante para os que dele participam, especialmente como um lugar onde as manifestações são as mais livres possíveis, no sentido da expressão dos pensamentos e emoções”, vislumbra.

 


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