Empreendimento

Projeto Cobra Brasil é apresentado a lideranças em Rio Grande

O projeto de instalação de uma Termoelétrica em Rio Grande foi tema de uma reunião-almoço com o CEO do grupo que investirá R$ 6bi

25 de Março de 2022 - 21h32 Corrigir A + A -
 (Foto: Divulgação - DP)

(Foto: Divulgação - DP)

O projeto de instalação de uma Termoelétrica em Rio Grande foi tema de uma reunião-almoço do “Tá em Pauta”, promovida pela Câmara do Comércio. Em um auditório lotado, autoridades e empresários locais puderam conhecer um pouco mais do projeto, que foi apresentado pelo CEO do Grupo Cobra Brasil, Jaime Llopis.

O projeto está orçado em aproximadamente R$ 6 bilhões e será o maior investimento privado do estado. Ele é visto por lideranças como um divisor de águas que trará impactos positivos e ajudará a cidade a dar a volta por cima após a crise do polo naval.

“Vai oportunizar que as indústrias instaladas aqui tenham mais eficiência, por meio de uma matriz energética menos poluente e mais barata, e também irá possibilitar atrair novas indústrias que necessitam do gás como matéria prima”, declara o prefeito Fábio Branco.

O chefe do Executivo acredita que a proposta trará uma transformação ao Distrito Industrial, que conta com mais de 2 mil hectares disponíveis, aumentando a competitividade da cidade. Com a perspectiva de que as operações comerciais comecem em 2024, a Prefeitura já mapeia empresas que possam ser atraídas pela oferta de um porto competitivo e uma área industrial com infraestrutura.

Esse cenário promissor para Rio Grande, no entendimento de Branco, também será fundamental para o estado do Rio Grande do Sul. “Esse é o único projeto a curto prazo que resolve o problema de gás RS, que não tem mais capacidade de atendimento. Portanto será um divisor de águas para atração de novos investimentos”, afirma o prefeito.

Com previsão de geração de até 4 mil novos postos de trabalho, a construção da usina desperta otimismo pelo seu potencial em acelerar a retomada do desenvolvimento e do crescimento econômico da cidade, que ainda busca se reerguer do baque sofrido com a crise pós Polo Naval. Como representante dos empresários de Rio Grande, o presidente da Câmara do Comércio, Paulo Roberto Bertinetti, salienta que a iniciativa privada deve estar atenta para que possa ter condições de atender a demanda de pessoal trazida pelo empreendimento.

“Nós somos empresários, temos que nos preparar para o projeto que está chegando e olhar para frente. Não tenho dúvida de que a mão de obra de Rio Grande será utilizada tanto na obra quanto no funcionamento, desde que estejamos preparados. Então precisamos trabalhar forte nisso”, diz.

Sobre o projeto
De acordo com o CEO do Grupo Cobra, Jaime Llopis, a planta do empreendimento é pioneira do país. A proposta inclui a Usina Termoelétrica (UTE) de Ciclo combinado, com capacidade de fornecer 1280 Megawatts, energia que será transportada por uma linha de transmissão de 32km de extensão até a subestação Povo Novo, de onde será distribuída.

Um dos grandes diferenciais da proposta é a Estação de Armazenamento e Regaseificação (REGAS), com capacidade para 180 mil M³ de Gás Natural Liquefeito (GNL). Conforme afirmou Llopis, o produto chegará à Rio Grande por meio de navios, oriundos de países como Trinidad e Tobago, Nigéria e Catar, e poderá ser armazenado na estrutura rio-grandina para atender as demandas para geração de energia e para as atividades industriais do estado. Segundo a empresa, o projeto, em total funcionamento, teria capacidade para atender até 30% da atual demanda estadual de gás.

“Teremos uma planta de regaseificação que será pioneira no Brasil, não existe nenhuma outra planta nessas características. A partir daí teremos a alimentação da UTE, que será a geradora de energia. E também teremos a possibilidade de usar o gás no distrito industrial e em outras modalidades, como para a construção de novos gasodutos para atender o consumo de outras cidades e também a utilização do gás como combustível para os barcos, que é uma tendência e uma forma mais eficiente para garantir as condições de navegabilidade e consumo de boa parte da frota industrial” destacou.

Além disso, ele reforçou que não vê alternativa para a utilização do gás no Brasil a não ser o sistema de armazenamento como o que está sendo planejado para Rio Grande.

Com esse modelo de funcionamento, Rio Grande teria capacidade de socorrer o estado com relação a demanda pelo gás. Por meio dessa planta de armazenamento e regaseificação nós temos a possibilidade de ter um excedente de gás para atender o mercado que é deficitário e que necessita a sua ampliação”, explica o prefeito.

Além disso, está incluso no projeto a construção de um novo píer para descarga do GNL que chega por meio de navios. Esse trabalho, entretanto, não deverá ocupar o píer por um grande período de tempo, e a empresa estima que ele esteja disponível para outras funções por cerca de 75% do tempo.

Esse píer será conectado ao REGAS por meio de um gasoduto com cerca de 1km. O REGAS, por sua vez, estará conectado diretamente com a Usina, por meio de um gasoduto de 7km.

Próximas fases
Com as licenças ambientais prévias e de instalação da Fepam em mãos desde 15 de fevereiro, estágio considerado um dos passos mais importantes para a concretização do empreendimento, a empresa agora trabalha para a obtenção junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) da aprovação da transferência da operação, que anteriormente pertencia aos paulistas da Bolognesi para os espanhóis da Cobra.


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