Vacinação

Piratini aplica doses fora dos grupos prioritários

Secretaria de Saúde autorizou uso da vacinas contra a Covid-19 em farmacêuticos da rede privada

21 de Janeiro de 2021 - 19h57 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
henrique.risse@diariopopular.com.br 

Município recebeu 150 unidades do governo do Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação - DP)

Município recebeu 150 unidades do governo do Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação - DP)

O início da vacinação está sendo comemorado Brasil afora. Em Piratini, no entanto, a aplicação das primeiras doses da CoronaVac está gerando uma grande polêmica. Na tarde da última quarta-feira, dois farmacêuticos da rede privada utilizaram suas redes sociais para publicar fotos no momento em que recebiam doses do imunizante. O problema é que mesmo fazendo parte da linha de frente - pois fazem coleta de material para testes da Covid-19 - os beneficiados não estavam autorizados receber a vacina no momento.

A situação deixou profissionais da saúde de Piratini indignados. Segundo um funcionário do hospital local que não quis se identificar, de quatro a seis farmacêuticos foram vacinados antes mesmo das equipes que atuam diretamente no combate ao novo coronavírus, deixando a situação ainda mais controversa.

Na última segunda-feira, o governo do Estado enviou nota técnica aos municípios detalhando como deveria ser feita a distribuição das doses do lote inicial. De acordo com a publicação, os primeiros a serem imunizados correspondem a 34% dos trabalhadores da saúde, 100% das pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência (ILPIs), 100% das pessoas a partir de 18 anos de idade com deficiência em residências inclusivas e 100% da população indígena vivendo em aldeias.

Ainda segundo a nota, a orientação para a vacinação prioriza quem trabalha em Unidades de Tratamento Intensivo, de Internação Clínica e componentes da Rede de Urgência e Emergência (Unidades de Pronto Atendimento e Samu). Dentro destas áreas, devem ser contemplados os trabalhadores de saúde de diferentes categorias (incluindo nível superior e técnico), trabalhadores de higienização, de setor administrativo, motoristas de ambulância e técnicos.

A prefeitura de Piratini alega que optou por destinar vacinas aos funcionários da rede privada de farmácias que mantém contato direto com testes de Covid-19 porque o município não possui residentes em ILPIs e populações indígenas. A prática, no entanto, é considerada irregular. Em uma mensagem de áudio enviada aos secretários municipais, a coordenadora regional de saúde, Caroline Hoffmann, ressaltou aos gestores municipais a vedação à aplicação da vacina em grupos não prioritários.

“Os municípios menores, que conseguirem fazer a imunização de todos os seus profissionais da saúde, que são grupos prioritários, das ILPIs, ou que não tiverem ILPis nem saúde indígena, não abram a vacinação para nenhum outro grupo. Se mantenham nesse primeiro critério, nessa primeira etapa e nesse primeiro grupo prioritário. Município menor que recebeu doses suficientes para imunizar todos os profissionais da saúde do município e sobrar dose, nos avisem, nos comuniquem. Caso aconteça de abrir (para outros grupos) a gente vai criar um grande problema para todos os municípios”, alertou.

Secretária se defende

Alertada sobre as denúncias desde quarta-feira, a secretária de saúde do município, Gerusa Porto, revela que houve falha na interpretação da nota técnica enviada pelo governo estadual. “A equipe técnica, conjuntamente com a gestão municipal, deliberaram, em atenção ao Plano Estadual de Vacinação, a ordem de recebimento dos profissionais de saúde num critério inicial para linha de frente, ou seja, aqueles que possuem contato com pessoas e ambientes potencialmente contamináveis ao coronavírus. Neste sentido, o município após o recebimento da leva de 150 vacinas encaminhadas pelo governo estadual, começou sua vacinação, incluindo em maioria os profissionais da rede pública e uma pequena parcela da rede privada que realiza exames de detecção do vírus, pois ambos possuem contato com estes vetores”, justifica em nota.

Quanto aos farmacêuticos terem se vacinado antes dos demais, Porto explica que não foi elaborada fila para a vacinação. “Nós fomos avisando as 150 pessoas e elas estavam liberadas para comparecer ao Posto Central no horário mais conveniente para elas. Alguns ligaram para pedir informações, mas foi passado a todos que não seria feito agendamento”, argumenta.

Para Caroline Hoffmann, o equívoco em Piratini é único até o momento no Rio Grande do Sul e não teria havido má fé. “Recebi um print na noite de quarta-feira com uma foto, dizendo que a pessoa tinha se vacinado e não era da área da saúde e dizendo que aquilo não podia. Nós havíamos enviado todas as instruções, mas eles acharam que era importante essa vacinação. Agora que já estão vacinados, não tem o que fazer. Aconteceu, o município assumiu o equívoco. Tenho certeza que não houve intenção maldosa”, finalizou.


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