Agronegócio

Pinheiro Machado e Piratini ganham estações meteorológicas

Equipçamento vai apontar as condições adequadas para minimizar ou evitar a deriva do herbicida 2.4-D

23 de Julho de 2020 - 15h40 Corrigir A + A -
As 20 estações meteorológicas, que custaram em torno R$ 600 mil, foram entregues simbolicamente pelo MP ao governador Eduardo Leite em abril deste ano. (Foto: Divulgação MP)

As 20 estações meteorológicas, que custaram em torno R$ 600 mil, foram entregues simbolicamente pelo MP ao governador Eduardo Leite em abril deste ano. (Foto: Divulgação MP)

Começaram a ser instaladas as estações meteorológicas que vão apontar as condições adequadas para minimizar ou evitar a deriva do herbicida 2.4-D no Rio Grande do Sul. Os equipamentos foram adquiridos com verbas provenientes de acordo firmado no ano passado pelo Ministério Público com empresas fabricantes do herbicida, para garantir o controle de sua utilização.

As duas primeiras estações estão localizadas em olivais dos municípios de Pinheiro Machado e Piratini. Elas vão captar os dados atmosféricos para gerar os alertas meteorológicos de deriva, das condições adequadas ou inadequadas de aplicação dos agrotóxicos hormonais.

As 20 estações meteorológicas, que custaram em torno R$ 600 mil, foram entregues simbolicamente pelo MP ao governador Eduardo Leite em abril deste ano. Conforme o promotor de Justiça do Meio Ambiente Alexandre Saltz, que esteve à frente das negociações envolvendo os problemas causados pelo 2.4-D, os equipamentos estão dentro de um conjunto de medidas adotadas com o objetivo de minimizar os problemas causados pela aplicação do herbicida e aperfeiçoar a fiscalização em todos os municípios do estado.

O valor é parte de um acordo com as indústrias fabricantes do herbicida. O fundo, que totalizará cerca de R$ 6 milhões, também será utilizado para custear melhorias dos sistemas de informática da Secretaria do Meio Ambiente, interligando o monitoramento e qualificando a fiscalização e a prestação de informações aos produtores rurais. As instalações são feitas em parceria com produtores, universidades e prefeituras, que cedem os locais.

Para Alexandre Saltz, o início da operação das estações é um grande avanço, "não apenas porque representa o produto de um acordo que foi construído durante uma árdua negociação envolvendo o uso do herbicida hormonal no Estado, mas também porque vai qualificar a prestação de informações à sociedade, aos produtores rurais, e vai qualificar os processos de fiscalização e controle do uso de agrotóxicos no RS", explica.

"Estamos fazendo um esforço conjunto para que possamos auxiliar os agricultores gaúchos a fazer a aplicação correta dos defensivos agrícolas. Estas estações vão colaborar com o monitoramento e trazer mais segurança ao cultivo nas lavouras do estado", afirma o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho.

Entre as principais culturas sensíveis ao 2.4-D estão a macieira, videira, oliveira, nogueira-pecã, erva-mate, tomate e hortaliças. Conforme dados da Secretaria da Agricultura, nesta safra, das 171 amostras coletadas em 54 municípios para detecção do 2.4-D, 87,13% deram resultado positivo. No ano passado, o índice foi de 85,2%, mas em uma amostra menor, de 81 análises.

Várias instruções normativas já foram publicadas pela Secretaria da Agricultura desde o início das denúncias de deriva do 2.4-D no Estado em 2019, regulamentando e instituindo processos, como o curso de aplicadores de agrotóxicos, o cadastro de aplicadores, a venda orientada do produto e a declaração de uso.

Fonte: Ministério Público


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