Zona Sul

O histórico problema da falta de energia elétrica

Moradores da região da fronteira com o Uruguai reclamam de constantes quedas no fornecimento de luz

28 de Agosto de 2021 - 08h28 Corrigir A + A -
Para solucionar o problema, a CEEE Equatorial informou que dentro do planejamento da companhia está prevista a construção da subestação Salso, que ficará pronta em 2022 - (Foto: Marcelo Pires) (Foto: Divulgação - DP)

Para solucionar o problema, a CEEE Equatorial informou que dentro do planejamento da companhia está prevista a construção da subestação Salso, que ficará pronta em 2022 - (Foto: Marcelo Pires) (Foto: Divulgação - DP)

Não importa a localidade no extremo sul. Seja Santa Vitória do Palmar, Chuí ou os balneários de Hermenegildo e Barra do Chuí, a reclamação é a mesma: a constante falta de energia elétrica. De acordo com os relatos, faça sol ou faça chuva, o problema é recorrente e já dura anos. Enquanto a empresa responsável não revolve, quem mora na região ou possui algum comércio continua somando prejuízos. Para solucionar o problema, a CEEE Equatorial informou que dentro do planejamento da companhia está prevista a construção da subestação Salso, que ficará pronta em 2022.

No Chuí, comerciantes dizem que o item básico para abrir qualquer estabelecimento é um gerador de energia. De acordo com o funcionário público Juliano Pereira, 42, a falta de luz ocorre em média duas vezes por mês, podendo ser até mais frequente conforme as condições climáticas. "Qualquer vento, qualquer chuva, falta luz. Às vezes nem precisa chover que já falta", comenta Pereira. Já a auxiliar de escritório Karina Suburu, 28, diz que às vezes, mesmo após o retorno, o problema demora para ser normalizado, pois muitas vezes a energia volta em meia fase, podendo provocar a queima de eletrodomésticos. Os dois moradores ainda relatam ainda outra dificuldade que vem com a falta de energia: o desabastecimento de água. "Se faltar luz por dez minutos, já ficamos sem água também", diz Karina.

Já na Barra do Chuí, Marcelo Pires, 31, acredita que o crescimento populacional do local nos últimos anos seja o motivo para as constantes faltas de energia elétrica. O jornalista relata que na última semana, quando o tempo ficou instável, antes mesmo da chuva ganhar força a energia já havia sido interrompida. "Parece que é uma rede frágil. O balneário cresceu muito nos últimos anos e não sei se a rede acompanhou esse crescimento." Pires, que trabalha com edição de fotos e vídeos, relata já ter atrasado a entrega de trabalhos por conta das quedas de luz.

Prejuízos financeiros

Na cidade vizinha de Santa Vitória do Palmar a situação é a mesma. Segundo uma comerciante que prefere não se identificar, são comuns relatos de moradores indicando prejuízos. "Muitos perdem aparelhos elétricos por não estarem em casa no momento", comenta. Proprietária de um mercado na cidade, diz que não teve prejuízos com equipamentos, mas que as falhas na rede elétrica já a obrigaram a fechar o estabelecimento mais cedo, representando perda na receita por não ter um gerador.

Segundo os moradores da praia do Hermenegildo, as quedas de luz pioram no verão, justamente a época em que o turismo movimenta a região. Magno Pereira, 45, possui um comércio e contabiliza prejuízos com equipamentos e produtos como sorvetes e picolés. Ele conta que muitas vezes, ao chamar profissionais para verificar a rede, a voltagem que deveria ser 220 encontra-se em 180. "Além dos equipamentos terem que trabalhar mais, não rendem o suficiente. Aqui quase todo mundo tem um gerador porque já sabe desse problema histórico."

O que diz a concessionária

A energia elétrica da região é de responsabilidade da CEEE Equatorial. Em nota, a empresa diz que as ocorrências dos últimos dias foram em virtude das chuvas e ventos que atingiram a região, com a queda de galhos e árvores sobre a rede elétrica. No entanto, a concessionária destaca que a empresa anterior - CEEE sob gestão estatal - passou por um período sem realizar os investimentos necessários e que o momento é de recuperação.

Para solucionar o problema na região, a companhia anunciou que dentro do chamado Plano de 100 Dias, está previsto o investimento de R$ 8,5 milhões na construção da subestação Salso, que terá capacidade para atender 22,4 mil unidades consumidoras entre os municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí. A conclusão da obra está prevista para 2022.


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