Agricultura

O florescer da esperança de boa safra

Expectativa dos produtores é colher 60 mil toneladas de pêssego do tipo indústria entre outubro e janeiro

28 de Julho de 2021 - 08h31 Corrigir A + A -
Scheunemann espera bons resultados, mas espera pelo clima dos próximos meses (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Scheunemann espera bons resultados, mas espera pelo clima dos próximos meses (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Pelotas é a maior produtora de pêssegos da Zona Sul do Estado com três mil hectares de terras destinadas ao plantio. Tanto do tipo indústria, quanto mesa. E, a se confirmar a expectativa gerada pelo acumulado de frio e chuvas até o momento, os produtores da região esperam que a colheita entre outubro e janeiro, período da safra 2021/22, chegue a 60 mil toneladas da fruta. A quantidade representa 30% a mais do que o ano passado.

Na propriedade do Mauro Scheunemann os pessegueiros estão começando a florar e sustentam a espectativa de boa safra. Na área de 30 hectares que possui, dez são destinados à fruta. Ele diz que as horas de frio e as chuvas do verão possibilitaram à planta criar reservas de energia que auxíliam em seu desenvolvimento. Segundo o fruticultor, as geadas têm sido boas para os pomares, mas diz temer que uma possível onda de frio no final de agosto e em setembro possam causar prejuízos. "Quando mais tardio, pior para nós, produtores", comenta.

Dos pêssegos colhidos nas terras do agricultor, 90% são vendidos in natura (do tipo mesa) para uma rede de supermercados de Santa Maria. Mesmo otimista com a possível colheita, outro problema o assombra. O custo de produção. "Todos os anos há aumento, mas esse ano está fora do normal. Alguns insumos tiveram aumento de 100% no valor", lamenta.

Maior produção do Brasil

Com oito municípios da Zona Sul dedicados ao plantio de pêssego, a região se tornou a maior produtora do país. São mais de 5,3 mil hectares com pomares que produzem para mesa e indústria. São 1.062 produtores investindo no cultivo.

Conforme o engenheiro agrônomo Evair Ehlert, da Emater, boa parte dos pomares estão com as plantas apresentando bom desenvolvimento de ramos e gemas. O que embasa a previsão da colheita de 60 mil toneladas de pêssegos do tipo indústria, o que superaria com folga as 46 mil toneladas da Zona Sul na safra 2020/21.

No momento os pessegueiros estão no estágio de floração das cultivares precoces. Nas plantas, que ainda permanecem em dormência, é feita a aplicação de tratamentos de inverno. O engenheiro agrônomo diz ainda que os pomares da região estão com o solo coberto e os produtores também intensificaram a poda de inverno, conseguindo efetivá-la em 82% das frutiferas. Esta atividade deve se estender até o mês de agosto para as cultivares mais sensíveis. A estratégia é utilizada para aumentar a produção dos pomares.

A importância do frio

Um dos aspectos importantes para o desenvolvimento do pêssego é o número de horas de frio com temperaturas abaixo de 7,2°C, como explica o engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, também da Emater. "Esse ano estamos notando um número próximo da média e gera uma boa expectativa de produção. Esparamos uma colheita dentro da normalidade, mas isso pode nos surpreender tanto positivamente, como negativamente, vai depender do clima", comenta. Até a segunda semana de julho já foram acumuladas 259 horas de frio, quantidade significativa quando comparada ao histórico para os meses de maio e junho, que somados alcançam 186 horas em média.

No entanto, as estimativas metereológicas não são muito animadoras. De acordo com a metereologista Estael Sias, da Metsul, a previsão preocupa. "Tivemos no final de semana temperaturas elevadas, o que pode ajudar para brotar flor, porém nos próximos dias teremos a presença do frio e geada, podendo matar a flor de onde vem o fruto. Essas oscilações térmicas podem ser prejudiciais para culturas como o pessego." Ela ainda alerta que 2021 é um ano propício a frio tardio, com possibilidade de períodos de baixas temperaturas até setembro ou outubro.

Industrialização da fruta

A Zona Sul possui ao todo 11 indústrias que já confirmaram estar prontas para receber a próxima safra de pêssego. No entanto, a fruta deve custar um pouco mais caro para as empresas, já que os produtores seguem adquirindo insumos que passaram por elevação significativa nos preços, principalmente fertilizantes e óleo diesel. Com isso, o valor do quilo deve sofrer reajuste para compensar os custos.

Além de produtor rural, Scheunemann também é presidente da Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP). E diz que, embora ainda não haja estimativa de preço por quilo, é certa a necessidade de reajuste para que seja possível cobrir o valor investido na produção. "É um risco muito grande que se corre e quem sai prejudicado geralmente são os produtores", finaliza. Na safra de 2020 o quilo do pêssego para indústria variou entre R$ 1,20 e R$ 1,50. Já a comercialização da fruta in natura ficou entre R$ 2,00 e R$ 3,50.

Produção de pêssego na Zona Sul

Tipo indústria
Município Hectares de pomar Produtores

Pelotas 2.700 605
Canguçu 1.200 260
Morro Redondo 600 60
Piratini 300 14
Cerrito 90 7
Jaguarão 60 1
Arroio do Padre 9 3
Capão do Leão 3 3
Total 4.962 953

Tipo mesa
Município Hectáres de pomar Número de produtores

Pelotas 300 100
São Lourenço do Sul 72 3
Jaguarão 26 1
Herval 2 2
Amaral Ferrador 1 3
Total 401 109

 

O florescer da esperança de boa safra
Expectativa dos produtores é colher 60 mil toneladas de pêssego do tipo indústria entre outubro e janeiro
Por Kauã Blankkaua.blank@diariopopular.com.br(Estagiário sob supervisão de Vinicius Peraça)
Pelotas é a maior produtora de pêssegos da Zona Sul do Estado com três mil hectares de terras destinadas ao plantio. Tanto do tipo indústria, quanto mesa. E, a se confirmar a expectativa gerada pelo acumulado de frio e chuvas até o momento, os produtores da região esperam que a colheita entre outubro e janeiro, período da safra 2021/22, chegue a 60 mil toneladas da fruta. A quantidade representa 30% a mais do que o ano passado.
Na propriedade do Mauro Scheunemann os pessegueiros estão começando a florar e sustentam a espectativa de boa safra. Na área de 30 hectares que possui, dez são destinados à fruta. Ele diz que as horas de frio e as chuvas do verão possibilitaram à planta criar reservas de energia que auxíliam em seu desenvolvimento. Segundo o fruticultor, as geadas têm sido boas para os pomares, mas diz temer que uma possível onda de frio no final de agosto e em setembro possam causar prejuízos. "Quando mais tardio, pior para nós, produtores", comenta.
Dos pêssegos colhidos nas terras do agricultor, 90% são vendidos in natura (do tipo mesa) para uma rede de supermercados de Santa Maria. Mesmo otimista com a possível colheita, outro problema o assombra. O custo de produção. "Todos os anos há aumento, mas esse ano está fora do normal. Alguns insumos tiveram aumento de 100% no valor", lamenta.
Maior produção do Brasil
Com oito municípios da Zona Sul dedicados ao plantio de pêssego, a região se tornou a maior produtora do país. São mais de 5,3 mil hectares com pomares que produzem para mesa e indústria. São 1.062 produtores investindo no cultivo.
Conforme o engenheiro agrônomo Evair Ehlert, da Emater, boa parte dos pomares estão com as plantas apresentando bom desenvolvimento de ramos e gemas. O que embasa a previsão da colheita de 60 mil toneladas de pêssegos do tipo indústria, o que superaria com folga as 46 mil toneladas da Zona Sul na safra 2020/21. 
No momento os pessegueiros estão no estágio de floração das cultivares precoces. Nas plantas, que ainda permanecem em dormência, é feita a aplicação de tratamentos de inverno. O engenheiro agrônomo diz ainda que os pomares da região estão com o solo coberto e os produtores também intensificaram a poda de inverno, conseguindo efetivá-la em 82% das frutiferas. Esta atividade deve se estender até o mês de agosto para as cultivares mais sensíveis. A estratégia é utilizada para aumentar a produção dos pomares. 
A importancia do frio
Um dos aspectos importantes para o desenvolvimento do pêssego é o número de horas de frio com temperaturas abaixo de 7,2°C, como explica o engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, também da Emater. "Esse ano estamos notando um número próximo da média e gera uma boa expectativa de produção. Esparamos uma colheita dentro da normalidade, mas isso pode nos surpreender tanto positivamente, como negativamente, vai depender do clima", comenta. Até a segunda semana de julho já foram acumuladas 259 horas de frio, quantidade significativa quando comparada ao histórico para os meses de maio e junho, que somados alcançam 186 horas em média.
No entanto, as estimativas metereológicas não são muito animadoras. De acordo com a metereologista Estael Sias, da Metsul, a previsão preocupa. "Tivemos no final de semana temperaturas elevadas, o que pode ajudar para brotar flor, porém nos próximos dias teremos a presença do frio e geada, podendo matar a flor de onde vem o fruto. Essas oscilações térmicas podem ser prejudiciais para culturas como o pessego." Ela ainda alerta que 2021 é um ano propício a frio tardio, com possibilidade de períodos de baixas temperaturas até setembro ou outubro.
Industrialização da fruta
A Zona Sul possui ao todo 11 indústrias que já confirmaram estar prontas para receber a próxima safra de pêssego. No entanto, a fruta deve custar um pouco mais caro para as empresas, já que os produtores seguem adquirindo insumos que passaram por elevação significativa nos preços, principalmente fertilizantes e óleo diesel. Com isso, o valor do quilo deve sofrer reajuste para compensar os custos.
Além de produtor rural, Scheunemann também é presidente da Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP). E diz que, embora ainda não haja estimativa de preço por quilo, é certa a necessidade de reajuste para que seja possível cobrir o valor investido na produção. "É um risco muito grande que se corre e quem sai prejudicado geralmente são os produtores", finaliza. Na safra de 2020 o quilo do pêssego para indústria variou entre R$ 1,20 e R$ 1,50. Já a comercialização da fruta in natura ficou entre R$ 2,00 e R$ 3,50.
(QUADRO )Produção de pêssego na Zona Sul
Tipo indústriaMunicípioHectares de pomarProdutores
Pelotas2.700605Canguçu1.200260Morro Redondo60060Piratini30014Cerrito907Jaguarão601Arroio do Padre93Capão do Leão33Total4.962953
Tipo mesaMunicípioHectáres de pomarNúmero de produtores
Pelotas300100São Lourenço do Sul723Jaguarão261Herval22Amaral Ferrador13Total401109


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