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O dia seguinte às chuvas

Municípios como Jaguarão, Bagé e Canguçu tiveram transtornos devido às intensas precipitações dos últimos dias

14 de Setembro de 2021 - 14h27 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Academia ao ar livre, na margem do rio, está coberta pela água - Fotos: Ricardo Menna Barreto - Especial - DP

Academia ao ar livre, na margem do rio, está coberta pela água - Fotos: Ricardo Menna Barreto - Especial - DP

Cais também está imerso

Cais também está imerso

Barcos de pescadores, tradicional paisagem do local, também estão embaixo d\'água

Barcos de pescadores, tradicional paisagem do local, também estão embaixo d\'água

*Matéria atualizada às 20h04min

Se setembro era visto como um período para que os municípios se recuperassem do alto volume de chuvas de agosto, essa recuperação terá que esperar mais um pouco. Apesar de menos intensa que a precipitação do mês anterior, a constante chuva que chegou à Zona Sul na noite de domingo deixou seu rastro pela região. Enquanto a cheia do rio Jaguarão preocupa moradores do município homônimo, a equipe da Defesa Civil de Canguçu atua para estipular os danos em pontes e estradas rurais e a prefeitura de Bagé decreta calamidade pública em função do evento climático.

"Nós tivemos vários episódios de chuva, em decorrência de passagem de frentes frias, quentes, ciclones extratropicais que são normais nessa época do ano e que trouxeram e concentraram os maiores acumulados de precipitação na Metade Sul do Estado. Então essa sequência de episódios importantes de chuvas e de grandes acumulados trouxeram essa situação de cheia na Região Sul, principalmente no rio Jaguarão, que subiu bastante com esse último episódio, que teve 120 a 130 milímetros, um volume muito alto", explica a meteorologista Estael Sias, do MetSul.

Desde a madrugada de segunda-feira, o rio Jaguarão está com o nível de água elevado devido à chuva dos últimos dias. A cheia acabou provocando enchentes - tanto na cidade brasileira, quanto na cidade-irmã, do outro lado da margem, Rio Branco, no Uruguai. Com a trégua da chuva, na manhã de ontem o nível começou a baixar, chegando a quatro metros às 19h.

O rio começou a subir por volta das 4h da manhã de segunda, em ascensão de 12 a 15 centímetros por hora devido às chuvas constantes no Brasil e no Uruguai. Segundo a Defesa Civil, o nível normal é de 2,88 metros.

O órgão está com a equipe montada, fazendo o monitoramento inclusive das famílias que moram às margens do rio e de pescadores. "Temos alguns pontos críticos. Todos eles estão sendo vistoriados e monitorados e até o momento não houve o registro de remoção de famílias", informou o coordenador municipal, Julio César Padilha, que acrescenta que o espaço de acolhimento já está pronto caso seja necessário.

Bagé decreta situação de calamidade pública

Com o acúmulo de 54,2 milímetros de chuva na segunda, somando 153,1 milímetros no nono mês do ano, a prefeitura de Bagé decretou, no fim da manhã de ontem, situação de calamidade pública e encaminhou o pedido ao Estado. Desde o início da semana, equipes visitam residências atingidas e avaliam os estragos nas zonas urbana e rural.

Conforme nota divulgada pelo Executivo bageense, em reunião de avaliação dos danos causados pelas chuvas, o prefeito em exercício, Mário Mena Kalil (PTB), e os secretários de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso, Graziane Lara; de Desenvolvimento Rural, João Pedro Finger; de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano, Everton Kaupe; e o representante da Defesa Civil, Roberto Aiub, disponibilizaram as estruturas correspondentes para atender as demandas da comunidade.

"As precipitações foram muito superiores à capacidade de drenagem e, com isso, alguns transtornos aconteceram. Estamos decretando calamidade pública municipal e fazendo o pedido para que o estado avalie a mesma possibilidade. Estamos tomando todas as medidas necessárias, porém precisamos de um tempo para que as águas baixem e que as ruas deem acesso aos equipamentos para que a situação possa ser revertida", informou Kalil.

Canguçu analisa danos

De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Canguçu, Michel Gonçalves, até as 19h de ontem havia o registro de danos em pontes e estradas na zona rural do município. Ele afirma que as equipes ainda estão analisando os estragos causados pela chuva. Nenhuma família precisou ser realocada.


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