Acidente

Navio grego deixa dois mil litros de óleo no mar em Rio Grande

Causa do vazamento do material deve ser indicado nos próximos dias por um inquérito da Capitania dos Portos; trabalho de contenção está sendo realizado

14 de Novembro de 2019 - 13h05 Corrigir A + A -
Barreiras foram instaladas no local para tentar conter o avanço do óleo (Foto: Divulgação - Patram)

Barreiras foram instaladas no local para tentar conter o avanço do óleo (Foto: Divulgação - Patram)

*Atualizada às 20h05min para acréscimo de informações.

Um inquérito da Capitania dos Portos deve indicar nos próximos dias as causas de um vazamento que despejou no mar, em Rio Grande, entre dois e três mil litros de óleo combustível. "Ainda não sabemos se a falha foi mecânica ou humana", disse o superintendente dos Portos RS, Fernando Estima, ao garantir que todas as medidas de contenção e armazenamento do produto estão sendo realizadas para posterior destinação.

O problema ocorreu na quarta-feira (13), por volta das 23h, quando o navio Dimitris L, de bandeira grega, realizava procedimento para abastecer a embarcação. Ele estava atracado no terminal da Termasa, onde seria carregado com soja para posterior partida, provavelmente para a China. Ainda não é possível saber se a mangueira soltou ou não chegou a ser conectada. Porém, com a falha, o combustível que deveria ir para o tanque do navio acabou sendo lançado para a parte superior da embarcação e consequentemente jogada para a água.

Um comitê de crise foi instituído na quinta-feira à tarde e ficará responsável por monitorar o local pelos próximos dias. O grupo é formado por entidades ambientais, pelos terminais e o Porto. Órgãos ambientais já estimam problemas relacionados aos animais que habitam a região e ficarão de prontidão para o atendimento. Contudo, garantem que o produto não oferece riscos à população.

Segundo Estima, assim que o problema foi detectado, o plano de área - procedimento padrão para emergências - foi acionado. Imediatamente, barreiras absorventes de contenção foram instaladas no entorno da embarcação para evitar que o óleo se espalhasse. A maior parte da substância ficou concentrada entre os dois terminais. Porém, parte do material já se deslocava em direção aos Molhes da Barra da Praia do Cassino. No final da tarde de quinta-feira, vídeos que circularam pelas redes sociais mostravam também a substância próxima às pedras.

O superintendente informa que, além de realizar todas as medidas mitigatórias que a situação exige, assim que o inquérito for concluído, também serão aplicadas ações de penalização. Por enquanto, a embarcação está impedida de deixar Rio Grande, pelo menos até concluir a limpeza do casco. O seguro também foi acionado.

Impactos à fauna

Conforme Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a quantidade é suficiente para causar prejuízos aos animais que habitam as áreas afetadas. No entanto, não oferece riscos à população. A maior preocupação é com os animais marinhos que habitam as áreas afetadas, como tartarugas e os leões marinhos que ficam no entorno dos Molhes da Barra, explicou o agente de emergências do Ibama, Alex Cunha. O Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram) da Universidade do Rio Grande (Furg) realiza o monitoramento da região.

O produto

O óleo é do tipo bunker, uma mistura do diesel com outros combustíveis de textura mais grossa, resíduos pesados, oriundos da destilação do petróleo bruto. Por conta do movimento das ondas do oceano Atlântico, em contato com o oceano, o óleo começa uma ação de dispersão das partículas, em função das bactérias presentes na água. Assim, o combustível, aos poucos, se torna menos nocivo para a área. "Não vai ficar nada durante o veraneio", ressalta o agente de emergências do Ibama. "Diferente do que ocorreu nas praias do Nordeste no país, manchas de óleo não serão vistas no Cassino".


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