Zona Sul

Municípios negam ter aplicado doses vencidas na população

Jaguarão, Candiota e Capão do Leão emitiram posicionamento sobre as doses fora do prazo de validade; governo estadual também lançou nota

03 de Julho de 2021 - 20h12 Corrigir A + A -
Na Zona Sul, os Executivos municipais de Jaguarão e Candiota atribuíram a questão das doses vencidas a um possível erro do MS (Foto: Divulgação - DP)

Na Zona Sul, os Executivos municipais de Jaguarão e Candiota atribuíram a questão das doses vencidas a um possível erro do MS (Foto: Divulgação - DP)

A informação de que três cidades da Zona Sul teriam aplicado doses vencidas do imunizante Astrazeneca trouxe mais desdobramentos neste sábado. Depois da informação divulgada pelo Ministério da Saúde (MS) que apontou Jaguarão, Candiota e Capão do Leão como três cidades que aplicaram vacinas fora do prazo de validade, as prefeituras municipais se manifestaram neste final de semana. Além das Secretarias Municipais de Saúde (SMSs), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Secretaria Estadual de Saúde (SES) também se posicionaram à respeito destas informações.

Na Zona Sul, os Executivos municipais de Jaguarão e Candiota atribuíram a questão das doses vencidas a um possível erro do MS. Em nota, a prefeitura de Jaguarão informou que uma reunião de urgência foi realizada ainda nesta sexta-feira (2), entre o vice-prefeito e coordenador da vacinação contra a Covid-19 na cidade, Rogério Cruz (MDB) e as enfermeiras do setor municipal de imunização. Nesta reunião, foi constatado que o lote 4120Z005 realmente foi repassado ao município. Porém, foi lançado no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) no dia 5 de fevereiro de 2021 e todas as doses desse lote foram aplicadas até o dia 3 de março de 2021. Desta forma, as vacinas teriam sido aplicadas antes de vencer o prazo de validade, o que não traz riscos à população e não interfere na eficácia do imunizante. “Acreditamos que possa ter havido algum erro no sistema do Ministério da Saúde. A população pode ficar tranquila que toda a vacina usada em Jaguarão possui autorização da Anvisa e nossa equipe trabalha com segurança e seriedade no cuidado com as pessoas”, afirmou o vice-prefeito, Rogério Cruz.

Em Candiota, quatro doses com data já expirada teriam sido aplicadas. Assim como a dose aplicada em Jaguarão, elas também pertencem ao lote 4120Z005. Sobre este caso, a SMS negou que tenha aplicado doses vencidas na população. Em nota, o município afirma que recebeu os lotes 4120Z005 - que venceu em 14 de abril - e CTMAV520 - que expirou em 31 de maio nos dias 25 de janeiro e 29 de março, respectivamente. Segundo a prefeitura, ambos lotes foram aplicados no mês de entrega. “O município não tem a rotina de armazenar doses, elas são recebidas e imediatamente aplicadas por nossas equipes de Imunização. Reafirmamos que não foram aplicadas doses vencidas em Candiota. Estamos dispostos para auxiliar em qualquer dúvida ou esclarecimento”, afirma o secretário municipal de saúde de Candiota, Fabrício Moraes. Já a prefeitura do Capão do Leão se comprometeu em revisar os lotes recebidos no município e ainda não se manifestou sobre o caso. Na cidade, a vacinação já avançou para os 45 anos.

SES se manifesta

Durante a tarde deste sábado, a SES também se pronunciou sobre os lotes vencidos que teriam sido aplicados no Rio Grande do Sul. A Secretaria afirmou que está em processo de checagem dos imunizantes que podem ter sido administrados fora do prazo de validade. Na nota, a SES afirma que existem planos de contingência previstos pelos protocolos estaduais caso sejam identificadas doses aplicadas com data já expirada ou com problemas de conservação. Segundo relatos da Organização Mundial da Saúde, o risco se dá em relação à diminuição do efeito protetor da vacina e não ao risco de evento adverso pelo prazo de validade. No pronunciamento, a Secretaria ainda afirmou que aguarda posicionamento do PNI.

Fiocruz garante que lotes não foram fabricados no Brasil

Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que os lotes que estariam com prazo de validade expirado não foram feitos no Brasil. O órgão é responsável pela produção nacional dos imunizantes da AstraZeneca contra a Covid-19. Segundo a Fiocruz, os lotes sob suspeita foram importados da Índia e são do tipo do imunizante da Astrazeneca chamado de Covishield. Os demais carregamentos foram enviados pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS). “Todas as doses das vacinas importadas da Índia foram entregues pela Fiocruz em janeiro e fevereiro dentro do prazo de validade e em concordância com o MS, de modo a viabilizar a antecipação da implementação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, diante da situação de pandemia. A Fiocruz está apoiando o PNI  na busca de informações junto ao fabricante, na Índia, para subsidiar as orientações a serem dadas pelo programa àqueles que tiverem tomado a vacina vencida”, informou a Fiocruz.


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