Luz

Municípios da Zona Sul na escuridão

Moradores de diferentes cidades relatam o problema de constantes desabastecimentos de energia

25 de Janeiro de 2022 - 21h12 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke

Companhia afirma que fará investimentos nas redes da região - Foto: Infocenter DP - Marcus Maciel

Companhia afirma que fará investimentos nas redes da região - Foto: Infocenter DP - Marcus Maciel

Indispensável na rotina tanto na zona urbana quanto na rural, a energia elétrica é ainda mais requisitada durante o verão, seja para climatizar ambientes, abastecer a água da residência ou para a produção de cultivos, como o fumo. Entretanto, a nova rotina dos moradores de municípios da Zona Sul, como São Lourenço do Sul, Pedras Altas e Pinheiro Machado, é de constante falta de luz. Com isso, pinheirenses reuniram denúncias ao Ministério Público (MP) e a pauta poderá ser debatida em reunião da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul).

O publicitário Tiago Fagundes relata que o problema com a energia elétrica ocorre “há muitos anos”, mas que, nos últimos dez dias, se agravou. “As quedas de energia são frequentes há muitos anos, mas não com tanta frequência como agora. Sofremos não só com o desabastecimento total, mas muitas vezes com a baixa tensão”, relata.

“Além da questão de ficarmos sem energia, acontece um efeito cascata porque a Corsan depende da energia elétrica também, eles não têm geradores. Então em minutos começa a faltar água na cidade, por horas, porque depois é difícil de restabelecer”, desabafa.

O sogro de Fagundes, que tem uma propriedade a dez quilômetros da cidade, comentou com o genro que o local já chegou a ficar quatro dias sem energia. Pelas redes sociais, moradores relatam não ter luz há nove dias no Passo do Coelho e há 11 no Curral de Pedras. “Pessoal que mora na região teve prejuízo, perdeu carne, perdeu leite. São muitos prejuízos para pessoas que não têm onde estocar comida”, acrescenta o publicitário, que também anda com dificuldades para trabalhar de casa.

Não só o trabalho dele está sendo prejudicado, como também o de servidores da prefeitura. Segundo o prefeito de Pinheiro Machado, Ronaldo Madruga (PP), na última semana o Executivo ficou quase quatro dias sem conseguir trabalhar porque os eletrônicos se desligavam em função de constantes quedas. “A gente tem percebido que, após a nossa reunião [com a CEEE Equatorial, na semana passada], os problemas têm se agravado muito, muito mesmo. A gente está monitorando, existem muitas reclamações, tanto na cidade como na zona rural”, afirma.

“Há pessoas que já fizeram denúncia ao Ministério Público referentes à qualidade da energia e às faltas constantes. O doutor Adoniran Lemos [promotor de Justiça] me chamou para uma reunião na quinta-feira, na qual eu fiz uma proposta para a gente fazer essa reunião no dia 28, às 10h, na reunião dos prefeitos da Azonasul, porque vários municípios estão passando por esse mesmo problema de falta de energia e não é esporadicamente”, diz Madruga, que aguarda o retorno do MP sobre a possibilidade de incluir a pauta no encontro regional.

Outro município que vem enfrentando dificuldades com a energia elétrica é São Lourenço do Sul, onde localidades do interior, como Campos Quevedos e Santa Augusta, já passam das 48 horas sem luz. O caminhoneiro Gilnei Timm está desde as 14h de domingo sem energia em casa, após um temporal, e conta que, conversando com outros vizinhos, sabe que a situação é a mesma em diversas residências. “A água aqui é de poço, não conseguimos puxar desde que faltou luz. O que temos na torneira estamos guardando só para consumo e para fazer comida. Aproveitamos a chuva dos últimos dias para captar e usar para descarga ou lavar o chão”, comenta.

Tanto Fagundes quanto Timm buscaram retorno de normalização da energia elétrica através dos canais de atendimento da CEEE Equatorial, ou via mensagem de texto, no entanto não receberam respostas esclarecedoras. “Uma moça só respondia: ‘está em atendimento, mais alguma coisa?’. Eu pedia algum retorno da situação e ela repetia a mesma coisa”, conta Timm, indignado.

O que diz a CEEE Equatorial

Em nota, a empresa alegou que os casos de falta de energia ocorrem, principalmente, em “situações externas à rede elétrica, como tempestades com fortes chuvas e ventos” e explica que os prazos para a solução de cada ocorrência dependem da complexidade de cada caso. “Para restabelecer é necessário deslocamento e acesso de equipe às localidades com fornecimento interrompido, ações em parceria com outros órgãos públicos, já que alguns serviços prestados são interligados e envolvem várias atividades, como isolamento de área afetada, retirada de objetos e reconstituição de postes quebrados e de toda a rede elétrica”, explica a empresa. Ainda na nota, a CEEE Equatorial informou investimentos na subestação São Lourenço do Sul, com a substituição de um transformador de 25 MVA por um novo de 40 MVA, que “aumentou em 60% a capacidade de disponibilidade de energia para a cidade”, com recurso de R$ 4,5 milhões. Estão previstos também investimentos de R$ 5 milhões, este ano, para novas estruturas de redes para, além de São Lourenço, Morro Redondo, Canguçu, Turuçu e Pinheiro Machado.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados