Zona Sul

Médico em Rio Grande conta como superou a Covid-19 após ser internado

Ao iniciar sua história como paciente da Covid-19, ele lembrou que, durante a pandemia, os profissionais médicos sempre trabalharam

23 de Novembro de 2021 - 15h21 Corrigir A + A -
Os dados sobre a pandemia e as medidas de prevenção foram destaque na Live semanal

Os dados sobre a pandemia e as medidas de prevenção foram destaque na Live semanal

Cerca de 280 casos novos de pessoas contaminadas com a Covid-19 foram registrados, na semana passada, no município do Rio Grande. O número ainda é alto e requer cuidados, de acordo com a secretária de município da Saúde (SMS), Zelionara Branco. Apesar desse alerta em relação aos casos novos, houve redução no número de óbitos e de internações, “mas isso não significa que se possa relaxar nos cuidados”, reafirma a secretária.

Os dados sobre a pandemia e as medidas de prevenção foram destaque na Live semanal, nesta segunda-feira à noite (22), transmitida pela página da Prefeitura do Rio Grande no Facebook. Além dessas informações, a transmissão trouxe a experiência do médico ginecologista, Sandro Gonçalves Oliveira, que foi vítima da Covid-19 e passou uma semana internado no Hospital Universitário do município do Rio Grande.

Ao iniciar sua história como paciente da Covid-19, ele lembrou que, durante a pandemia, os profissionais médicos sempre trabalharam. “No HU, sempre fizemos cirurgias e quando iniciou a pandemia todos nós fomos realocados.” Ele foi para o Centro Obstétrico, onde faria atendimento às grávidas, partos, cesarianas e ginecologia geral. Na Prefeitura, onde também atua como médico concursado, não parou de atender.

“Apesar de manter os cuidados em relação à pandemia, a exposição é grande porque temos que examinar de perto os pacientes. Não é uma função que temos que olhar de longe para avaliar”, contou o profissional. Num dos atendimentos, o médico acabou se contaminando porque atendeu a uma paciente que havia contraído o vírus da Covid-19 e, no momento do atendimento, ainda não havia o diagnóstico para a Covid-19. A paciente acabou falecendo, numa terça-feira, em novembro do ano passado. No sábado seguinte, data do aniversário do médico, ele começou a sentir um desconforto, mas não suspeitava que estivesse com o vírus. Passado alguns dias, consultou com outro médico que o examinou e constatou que 25% do pulmão esquerdo estava comprometido. Ficou em casa numa época em que ainda não havia a disponibilidade no país de nenhuma vacina. “A primeira semana em casa, isolado no quarto, foi terrível.”

Após esse período, foi novamente fazer um exame, quando recebeu a notícia de que 50% dos dois pulmões estavam comprometidos, mesmo sem ter sintomas respiratórios. A partir desse diagnóstico, decidiu com outros colegas médicos pela internação.

“Foi outro momento pior da doença. Ficamos isolados no hospital, a família não pode visitar”, lembrou. O médico contou das dificuldades por ser um paciente da Covid-19. Disse que sentia muito cansaço, não conseguia se vestir, tomar água. “Tinha que ser gole por gole.” Perdeu 10kg em uma semana, pois o apetite não existia. Com a introdução de alguns medicamentos intravenosos, começou a melhorar, mas permaneceu no hospital para cumprir a medicação e se fortalecer para receber alta. Em casa, ainda sofrendo as consequências da doença, permanecia o cansaço. Tentava caminhar dentro de casa, pois na rua tinha medo de poder tentar e cair. Conseguiu fazer fisioterapia e, por mais um mês, continuou o tratamento. Só se sentiu bem para trabalhar três meses após sair do hospital. Melhorou e voltou às suas atividades, tanto no HU como na Prefeitura.

O médico ressaltou que, quando foi contagiado pelo vírus, não existia a vacina no Brasil. Atualmente, ele já tomou todas as três doses. “As vacinas não protegem 100%, mas elas evitam um grande número de internações. E, se ocorrer internação, não será grave como tive. Serão casos mais brandos.”

No relato, o ginecologista falou da importância da manutenção dos cuidados preventivos, como uso correto das máscaras, tapando a boca e o nariz, e da higienização das mãos, frequentemente. Falou dos sintomas gripais: “Se tossir, não tire a máscara. Mantenha o distanciamento.”

Em novembro deste ano, um ano após ser contaminado, ele voltou a fazer cirurgias. No consultório médico, mantém todos os cuidados e passa orientações aos pacientes em relação à prevenção contra a Covid-19. Citou a importância das gestantes fazerem a vacina, tanto para elas como para os bebês. “A doença é silenciosa e invisível, precisamos tomar cuidados e fazer a vacina”, reforçou o médico.

A secretária Zelionara Branco adiantou que, para 2022, o Ministério da Saúde promete aplicar, pelo menos, duas doses da vacina contra a Covid-19 em idosos acima de 60 anos. Serão 350 milhões de doses disponibilizadas no país, de acordo com o Ministério. “A vacina nos protege, diminui os sintomas e torna a doença mais branda”, disse a secretária. Ela lembrou que a meta em Rio Grande é chegar a, no mínimo, 85% a 90% da população com as duas doses.


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