Pobreza

Mais gente nas ruas

A pandemia é uma das causas apontadas pela Secretaria de Assistência Social

15 de Fevereiro de 2021 - 08h24 Corrigir A + A -
Conforme a Secretaria, 253 pessoas estão em situação de rua (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Conforme a Secretaria, 253 pessoas estão em situação de rua (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A pandemia acabou levando mais pessoas à situação de rua em Pelotas. De acordo com a Secretaria de Assistência Social (SAS), o número de pessoas abordadas pela rede de proteção social saltou de 155 em janeiro de 2020, para 356 no mês passado. Além disso, o número de acolhimentos na Casa de Passagem mais do que triplicou na comparação entre os dois períodos, passando de uma média diária de 20 para 78 usuários do serviço.

"A pandemia levou mais pessoas às ruas. Desemprego, uso abusivo de álcool, drogas. Nós acolhemos essas pessoas. Alguns conseguem se reorganizar aqui conosco, outros acabam voltando às ruas e posteriormente ao sistema", analisou o secretário José Olavo Passos.

Ainda de acordo com o mapeamento da Secretaria, 253 pessoas estão em situação de rua hoje na cidade. "Esse número oscila bastante, é bem difícil mensurar. Mas vemos um aumento significativo nas abordagens sociais e acolhimentos nos serviços da rede de proteção social", avalia o secretário José Olavo Passos.

As abordagens sociais, realizadas em parceria com as ONG's Gesto e Vale a Vida, identificam o perfil das pessoas e as encaminham para os serviços vinculados à SAS, destacando-se o Centro Pop e a Casa de Passagem.

"A abordagem social é feita pelos técnicos, que abordam essas pessoas e as convidam para acessar os serviços. No entanto, há diferenças entre o morador de rua e as pessoas em situação de rua. O morador de rua muitas vezes tem para onde ir ou a quem recorrer. Ele está ali por escolha própria. Situação de rua é bem diferente. Eles não tem aonde ir e os serviços são fundamentais para eles recuperarem a dignidade", acrescenta.

Das drogas à rua

É o caso de G.X, de 32 anos. Ele é um dos 60 cadastrados nos serviços oferecidos pelo Centro Pop, que atende mulheres e homens adultos em situação de rua. Ali, ele faz suas refeições e sua higiene pessoal. Depois, é acolhido na Casa de Passagem para passar a noite. "O serviço é muito bom. Eles me ajudam muito a recuperar a autoestima", comentou.

A história do jovem é comovente. As drogas o levaram ao divórcio, ao desemprego e às ruas. "Não tive a quem recorrer. Até consegui arrumar um emprego na pandemia, o que está complicado, mas acabei sendo demitido. É uma luta muito difícil", contou G.X, que está há cerca de sete meses em situação de rua.

Após ser amparado pela rede de proteção social, o homem revelou que sonha em cursar eletrotécnica e busca uma vaga de internação voluntária. "Eu quero buscar o atendimento e me livrar das drogas. Não aguento mais ver minha vida assim. Se não fosse a minha fé, já teria desistido há muito tempo", completou.

Serviços oferecidos

O Centro Pop, localizado na rua Três de Maio, 1070, funciona das 8h às 17h. Atualmente, 60 pessoas estão cadastradas no sistema, que inclui acompanhamento psicossocial, almoço, café da tarde e local para higiene, além de cortes de cabelo. Ao lado fica a Casa de Passagem, que funciona das 19h às 7h. Na mesma quadra está localizado o Restaurante Popular, onde são servidas 434 refeições diárias. Do total, 89 são gratuitas e o restante com preço fixo de R$ 2,00. Os serviços são vinculados à Secretaria de Assistência Social. Para mais informações e/ou doações, basta entrar em contato pelo telefone 3309-3600.

 

 

 


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