Quente

Mais calor até o final de semana

Na região não são descartadas temperaturas próxima dos 35ºC; tempo seco já atinge culturas como a do fumo e do feijão

27 de Dezembro de 2019 - 08h51 Corrigir A + A -
Calor tirou os pelotenses de casa na tarde desta quinta-feira.  (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Calor tirou os pelotenses de casa na tarde desta quinta-feira. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A água gelada e a sombra devem ser valorizadas nos próximos dias, quando temperaturas podem superar os 35º C na Zona Sul. A onda de calor, que começou no Natal, deve permanecer até a virada do ano, quando pode ter chuvas e ventos em Pelotas e região. No setor agropecuário, a ausência constante de chuvas desde a segunda metade de novembro já afetam culturas como o feijão e o fumo, além da produção de leite e ganho de peso na criação de animais.

Durante a tarde desta quinta-feira (26), a sensação térmica superou os 30ºC e tirou os pelotenses de casa. O tempo nublado e a instabilidade formada durante o dia trouxe até chuvas em algumas cidades, como Santa Vitória do Palmar, no extremo sul. O calor intenso deve dar uma trégua somente perto da virada do ano na Zona Sul, com a formação de um sistema de baixa pressão entre segunda (30) e terça-feira (31).

Conforme Estael Sias, da MetSul Meteorologia, há possibilidade de vendaval e temporais da região, devido ao abafamento e calor exacerbado. "Até segunda deve ser de muito calor e abafamento, com perspectivas de chuvas isoladas, típicas de verão - rápidas e passageiras - e não se descarta a possibilidade de temporais em razão deste calor extremo", projeta a meteorologista.

De acordo com a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura pode chegar a 37ºC nesta sexta-feira (27), seguido de 34ºC no sábado e 33ºC no domingo. As mínimas não devem baixar dos 22ºC. Nesta quinta, comenta Estael, as temperaturas só não passaram dos 35ºC devido a nuvens e à instabilidade que atingiram a região. "Sexta e sábado deve ter as tardes mais quentes deste período em Pelotas, Rio Grande e Jaguarão. Não há como descartar marcas próximas dos 40ºC", cita.

Estiagem preocupa produção
Mesmo em pouca quantidade, as chuvas da semana passada possibilitaram a finalização do plantio da soja, completando a área estimada de semeadura. Numa análise do panorama da produção da região, o engenheiro agrônomo da Emater, Evair Ehlert, torce para que o tempo não fique muito seco, para não prejudicar o desenvolvimento dos cultivos.

Para as plantações de arroz, observa, o tempo está perfeito. "Calor, radiação plena, claro, em função da irrigação", cita. Na área de pecuária, tanto no setor do bovino de corte como na produção de leite, já há perdas na produção. Com o desconforto térmico, analisa Evair, há um menor ganho de peso por dia e menor produção de litros de leite.

Na fruticultura, caso do pêssego, as perdas são relativas ao desenvolvimento da fruta. A colheita já supera 80% da produção, estimada entre 36 e 38 milhões de toneladas entre todos os municípios produtores. Se do tipo um, maior, paga-se R$ 1,30; o tipo dois, menor, é pago R$ 1,05, motivo de frustração para alguns produtores, apesar de ser melhor em relação ao ano passado.

Outras culturas que sofrem com a falta de chuvas e calor extremo são o feijão e o fumo. No caso do feijão, a alta temperatura e a falta de chuva prejudicam o desenvolvimento das vagens. "No tabaco, a produção ficou reduzida, em número de folhas e seu tamanho. Havia estimativa de dois mil quilos por hectare, hoje a previsão cai para 1,2 mil quilos", projeta o técnico. As perdas se dão para aqueles que não possuem irrigação, uma maioria de 80% dos produtores de fumo.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados