Animal em recuperação

Lobo-marinho ferido é resgatado na orla da praia do Cassino

Animal é um macho juvenil e apesar da lesão na nadadeira, apresenta estar em boas condições de saúde

02 de Agosto de 2022 - 19h06 Corrigir A + A -

Por Victoria Fonseca
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Resgatado na beira da praia, apesar da lesão na nadadeira, aparentemente o animal está em boas condições de saúde (Imagem: divulgação)

Resgatado na beira da praia, apesar da lesão na nadadeira, aparentemente o animal está em boas condições de saúde (Imagem: divulgação)

Um lobo-marinho juvenil com ferimentos na nadadeira posterior foi resgatado pelo Centro de Reabilitação de Animais Marinhos, nesta terça-feira (2) pela manhã. O animal que estava na orla da praia do Cassino, foi encontrado por uma moradora do local que acionou a Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Afinal, o CRAM já é referência nesse tipo de atendimento há mais de quatro décadas.

Apesar da lesão na nadadeira, aparentemente o animal está em boas condições de saúde. De acordo com a oceanóloga e coordenadora do CRAM, Paula Canabarro, o tratamento para o ferimento já foi iniciado. "Os cuidados para o restabelecimento dele já começaram. Ele está passando por um processo de adaptação, está sendo medicado e amanhã (terça) vai passar por uma série de exames", explica. Ainda não há uma previsão de quando o lobo-marinho será reintroduzido no seu ambiente, devido ao diagnóstico completo ainda não ter sido efetuado.

O surgimento de animais como lobos-marinhos, leões-marinhos e pinguins na praia do Cassino ocorre frequentemente nesta época do ano. Conforme explica Paula, isso é comum, pois são animais que se reproduzem mais ao sul do continente americano, na Argentina e no Uruguai. Após o período de reprodução, entre os meses de primavera e verão, eles migram para outros lugares em busca de alimentos, geralmente no litoral sul brasileiro no inverno.

"Os pinípedes ocorrem aqui, principalmente no inverno e na primavera. É o período em que eles mais aparecem na nossa costa", afirma. Já nos meses de verão, a maior incidência de animais marinhos surgirem na orla da praia é de tartarugas e aves-costeiras.

A coordenadora informa ainda que os leões e lobos-marinhos possuem o hábito de descansar na orla. Por isso, é habitual encontrá-los no solo. "Muitos estão apenas descansando, porque esses animais têm esse hábito de se alimentar na água e sair para a terra. É comum no inverno encontrarmos esses animais na beira da praia apenas dormindo, mas alguns deles, realmente estão debilitados, com algum ferimento", menciona.

Contudo, ao encontrar esses animais na praia é de suma importância, manter distância segura e avisar o Cram, além de, se possível, registrar com fotos, cuidando para não utilizar o flash da câmera. "Eles podem acabar machucando alguém sem querer, a gente orienta manter uma distância do animal, não oferecer água, nem alimento, não tentar colocá-los no mar e cuidar para os animais domésticos não terem contato com os marinhos", explica a oceanóloga.

Diferente dos lobos e leões-marinhos, os pinguins, apesar de migrarem para a região todos os anos, não vão para o solo, a não ser que haja algo de errado, como por exemplo, o animal ter se perdido de seu bando ou estar debilitado.

O trabalho do CRAM 
O CRAM é pioneiro no Brasil no trabalho de reabilitação de animais marinhos, atuando há mais de 40 anos, conta Paula. Anualmente, o Centro resgata, em média, 200 animais. "Isso pode variar bastante de ano para ano". No momento estão em tratamento no local seis pinguins de Magalhães e três lobos-marinhos.

Historicamente, a principal causa de animais feridos que entram em tratamento no CRAM é a interação com a atividade humana. "A poluição dos oceanos, interação com a atividade pesqueira, ingestão de lixo. Esses animais machucados refletem a degradação do ambiente marinho costeiro", declara a coordenadora.

 

 


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