Balsa

Falta de balsa e espera longa na travessia Rio Grande - São José do Norte

Após uma embarcação da empresa Becker Transportes estragar, os últimos 20 dias tem sido de horas na fila para aqueles que dependem do serviço

11 de Janeiro de 2022 - 08h13 Corrigir A + A -
Balsa da empresa Becker Transportes estragou no dia 16 de dezembro e tem afetado a travessia  (Foto: Jô Folha - DP)

Balsa da empresa Becker Transportes estragou no dia 16 de dezembro e tem afetado a travessia (Foto: Jô Folha - DP)

Desde dezembro, pessoas que buscam se deslocar entre Rio Grande e São José do Norte através do canal Miguel da Cunha estão tendo que lidar com a falta de embarcações em diversos horários. Isto porque a balsa, responsável pela locomoção de carros, de uma das empresas que realiza o serviço, estragou e uma nova não foi colocada em operação. A ausência tem causado transtornos para quem depende do sistema e sobrecarga à outra empresa que realiza a travessia. Em contrapartida, a Becker Transportes segue vendendo passagens por aplicativo e as prefeituras de ambas as cidades afirmam que o problema não chegou até o Executivo.

A reportagem do Diário Popular esteve na cidade de Rio Grande na manhã da última quinta-feira. Por lá, movimento de quem esperava a travessia para a cidade que fica do outro lado do canal. Entre eles estava o caminhoneiro Alessandro da Silva, 48, que conhece muito bem o percurso, que faz todos os dias. O trabalhador estava aguardando a embarcação desde as 18h do dia anterior, algo que tem sido comum desde 16 de dezembro, data em que a balsa da empresa Becker Transporte estragou. "A gente fica seis ou sete horas para passar. Tem muito caminhão grande que vem tudo por aqui. Está fazendo falta a outra balsa", afirma.

Com uma carga que seria transportada do Albardão, em Santa Vitória do Palmar, para São José do Norte, em condições comuns, por volta daquele horário Silva já teria descarregado e poderia retornar à sua casa. Anteriormente, o trajeto era realizado uma vez por dia, mas com a mudança brusca nas últimas semanas apenas duas viagens tornaram-se possíveis. Sendo assim, o caminhoneiro passa mais tempo na fila de espera pela balsa do que realizando outros afazeres ou descansando.

Passeando pela região, o cineasta e professor Ivanir Migotto, 46, também aguardava a embarcação desde o dia anterior. Após viagem pelo Uruguai, o próximo destino seria o município de Tavares, que fica entre Mostardas e São José do Norte. "A gente optou por voltar antes para tirar um pouco das férias no Brasil. Alugamos um chalé em Tavares porque gostamos da região da Lagoa do Peixe e o objetivo era pernoitar lá". O plano deu certo, mas ao chegar ao local, às 17h, veio a notícia: não havia mais balsa realizando a locomoção.

A "novidade" no trajeto obrigou o cineasta a desembolsar uma quantia não programada. "Se eu não tivesse amigos em Pelotas para ter onde dormir, teria que alugar um apartamento em Rio Grande. Perdi uma diária do hotel em Tavares para esperar a balsa para o dia seguinte e ainda cheguei aqui e descobri que a balsa das 8h não opera também, só das 9h". No aplicativo próprio da empresa Becker a tabela segue com os horários desatualizados, constando como se ainda houvesse operação. "Falam que a balsa quebrou há 20 dias, que não tem explicação nenhuma. Falta consideração com o consumidor, que não tem uma alternativa, então fica à mercê deles e quem tem o prejuízo é sempre um consumidor", finaliza.

Além dos horários, o aplicativo Click Travessia segue disponibilizando a compra de passagens e possibilitando o agendamento de travessias. A reportagem do Diário Popular, no final da tarde de ontem, simulou a compra de passagens para hoje e constavam vagas disponíveis para todos os horários.

Visando buscar uma posição oficial da Becker Transporte, entramos em contato com a empresa, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

Contrapontos

Em nota, a empresa F. Andreis e Cia, também responsável pelo trajeto hidroviário pelo canal Miguel da Cunha, afirma que aumentou dois horários em seu cronograma diário, a fim de dar conta da demanda. Foram adotados pontos de saída da cidade de Rio Grande às 5h30min e após, visando dar conta do horário de maior movimentação.

Responsável pela regularização do transporte aquaviário até 2019, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) explicou em nota que não possui mais autorização para fiscalizar os trabalhos das empresas que realizam a travessia de carros. Segundo a Agência, após uma ação judicial, que ainda está em andamento, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) passou a ser responsável pelo assunto. A reportagem entrou em contato com a Antaq, mas até o fechamento da edição não obteve retorno.

Entretanto, a Agergs explica que, seguindo os contratos com ambas as empresas, Becker Transportes e F. Andreis e Cia, sempre houve a obrigação por parte destas a possuir uma balsa reserva em funcionamento, para caso de qualquer percalço existente.

As prefeituras de Rio Grande e São José do Norte afirmam que ainda não possuem conhecimento sobre o assunto e que divergências neste sentido devem ser tratadas diretamente com o governo do Estado.


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