Perdas

Estiagem segue causando prejuízos na Zona Sul

Após mais dois municípios decretarem situação de emergência, quase metade da região já pediu auxílio ao Estado

20 de Janeiro de 2022 - 09h14 Corrigir A + A -
Em Canguçu, lavouras de milho sofrem com os reflexos da estiagem (Foto: Divulgação-Emater)

Em Canguçu, lavouras de milho sofrem com os reflexos da estiagem (Foto: Divulgação-Emater)

A região Sul começa a sentir de forma mais intensa os reflexos da estiagem que atinge o Estado. Ontem, mais dois municípios decretaram situação de emergência e a quantidade total de atingidos pode aumentar nos próximos dias. Entre as áreas mais prejudicadas estão lavouras de soja, milho e arroz. Na pecuária, a falta de chuva está interferindo no desenvolvimento da pastagem.

Atualmente, dos 22 municípios da Zona Sul, dez homologaram o pedido de ajuda ao governo estadual. São eles: Pedras Altas, Jaguarão, Herval, Pinheiro Machado, Candiota, Arroio Grande, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Canguçu e São José do Norte.

A primeira cidade do entorno a decretar situação de emergência foi Herval, onde os prejuízos, que eram de R$ 30 milhões, já ultrapassam os R$ 50 milhões, segundo a Secretaria de Agropecuária do município. As perdas são contabilizadas nas plantações de soja e mais de 50 famílias contam com o auxílio no abastecimento de água potável. A Defesa Civil já realizou a vistoria sobre a situação da cidade e, agora, o relatório está em avaliação do governo do Estado.

Um levantamento dos prejuízos está sendo feito em São Lourenço do Sul e será apresentado amanhã durante uma reunião entre o Executivo e entidades ligadas aos setores atingidos. A falta de chuvas prejudica o abastecimento de água em algumas residências e 38 famílias já contam com a ajuda de caminhões-pipa. "A situação vem se agravando nos últimos dias. A perda na soja é de 20%; no milho, 30%. Porém, a maior perda é no plantio do feijão: a estimativa é de 50%", explica o prefeito Rudinei Harter (PDT).

Novos decretos

Ontem, São José do Norte sinalizou situação de emergência. Entre as culturas afetadas estão abóbora japonesa, hortaliças, arroz irrigado e feijão. O milho é o que mais contabiliza prejuízos, com perdas de 70% na produção para grãos e 50% para silagem. Segundo a secretária de Agricultura e Pesca do município, Danúbia Chaves, a chuva das últimas semanas não foi o suficiente, já que acabaram ocorrendo de forma irregular, com uma quantidade de milímetros considerável em algumas regiões do município, mas em outras não. "A gente sente o problema principalmente nas culturas e no gado, porque nossos pequenos produtores geralmente possuem produção de gado de corte nas propriedades. Os açudes [utilizados para o fornecimento de água aos animais] já estavam secando e a pastagem também já estava bastante prejudicada", explica a titular da pasta.

Essa semana, outra cidade que indicou estar passando por problemas causados pela estiagem é Canguçu. De acordo com o prefeito Vinicius Pegoraro (MDB), a agricultura já soma prejuízos de mais de R$ 91 milhões. As lavouras de tabaco, soja e principalmente de milho estão entre as afetadas. Além disso, 105 famílias já contam com abastecimento de água potável feito por caminhão-pipa. O chefe do Executivo ainda disse que uma empresa terceirizada será contratada para atuar na abertura de poços e cacimbas.

Prejuízos no campo

Segundo o último levantamento feito pela Emater/RS Ascar, até a última sexta-feira, 862 famílias da Zona Sul estavam com falta de água potável, mas a tendência é que nesta semana esse número aumente. No campo, as perdas já são de 15% no tabaco e 20% no feijão. O engenheiro agrônomo da instituição, Edgar Norenberg, diz que na soja e no milho os prejuízos ainda não foram contabilizados, mas que já são de conhecimento números expressivos.

No arroz, a preocupação é com o baixo nível dos reservatórios e da lagoa. "Alguns afluentes como o Arroio Pelotas estão com salinidade alta, o que prejudica a qualidade da água para irrigação", explica Norenberg. A falta de chuva também atrapalha o desenvolvimento da pastagem utilizada para tratar o gado e faz com que os produtores precisem recorrer a rações, silagens e outras formas de alimentação, o que representa um aumento nos custos.

Ainda sem grandes perdas

Apesar de algumas cidades da região estarem sofrendo com a falta de chuvas, em Pelotas a estiagem ainda não atingiu o município com grande intensidade, segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Jair Seidel. Ele diz que as precipitações dos últimos dias têm mantido a situação dos agricultores e das plantações estável e, até o momento, o único prejuízo registrado foi na plantação do milho, com estimativa de 10% de perda. O Sanep informou que, até o momento, houve somente o reforço no abastecimento de água potável às famílias que já recebem o auxílio normalmente.


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