Escassez

Estado presta contas, mas cidades ainda sofrem

Estiagem em 2020 foi uma das mais severas dos últimos anos e problema volta a ameaçar região

27 de Janeiro de 2021 - 19h31 Corrigir A + A -
Falta de água volta a preocupar famílias na Zona Sul (Foto: Jô Folha - DP)

Falta de água volta a preocupar famílias na Zona Sul (Foto: Jô Folha - DP)

Em 2020, municípios enfrentaram a seca, que gerou prejuízos (Foto: Jô Folha - DP)

Em 2020, municípios enfrentaram a seca, que gerou prejuízos (Foto: Jô Folha - DP)

Enquanto lida com o retorno da estiagem, o Rio Grande do Sul contabiliza gastos para amenizar os impactos causados pelo problema no ano passado em diversas regiões do Estado, a Zona Sul entre elas. Nesta quarta-feira (27), o governo gaúcho realizou prestação de contas dos valores investidos no combate à escassez de água entre o final de 2019 e 2020 - também nesta semana, a Azonasul cobrou repasses de verbas referentes ao plano de enfrentamento posto em prática pelo Executivo gaúcho.

Ao todo, foram empregados no período R$ 23,1 milhões para perfuração de poços, construção de açudes e pagamento de horas-máquina na recuperação de estradas. De acordo com o balanço apresentado pelo governador Eduardo Leite (PSDB), os R$ 23 milhões representam quase a metade do Plano de Enfrentamento à Estiagem, anunciado em julho do ano passado - outros R$ 29 milhões seriam investidos pelo governo federal, através da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), mas acabaram contingenciados. 

Na ocasião, o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho destacou que o plano tem como objetivo não apenas amenizar os impactos da escassez de água do período anterior, mas prevenir futuras secas. “Infelizmente, há muita burocracia e a troca de comando nas prefeituras prejudicou o trabalho. Mas estamos felizes, porque a nossa meta tem sido cumprida e seguiremos trabalhando para minimizar os danos”, afirmou.

Ainda sob os impactos

A estiagem do ano passado, que levou diversas localidades da região a decretar situação de emergência, ainda causa impactos. No último dia 21, a Azonasul chegou a realizar uma reunião junto ao governo do Estado, cobrando repasse de recursos prometidos para execução de obras e redução dos danos causados no período.

Em São Lourenço do Sul, por exemplo, os prejuízos foram profundos: cerca R$ 300 milhões com a perda de produção na agricultura. Ao final de 2020, quando uma nova estiagem se anunciava, a chuva se fez presente e não foi preciso decretar novamente situação de emergência. Ao Diário Popular, Vinícius Pegoraro, disse que na cidade os principais efeitos, ainda do período passado, estão no abastecimento de água potável. Sem estimar valores, ambém informou à reportagem que foi necessário investir em 260 microaçudes e cacimbas, além do abastecimento de água potável para 70 famílias da zona rural. "As chuvas têm nos ajudado na questão da agricultura, mas não são suficientes para o fornecimento às pessoas."

Na reunião, a Azonasul também pediu a inclusão de municípios que ficaram de fora do plano e alertou para efeitos que a estiagem causa também em 2021. De acordo com o último informe emitido pela Emater-RS, referente ao período de 18 a 24 de janeiro, por exemplo, haverá impacto na produção do feijão, importante para cidades como Piratini, Santana da Boa Vista e São Lourenço do Sul. Outras culturas, como o tabaco e a abóbora também poderão sofrer danos pela falta de chuva aliada ao calor intenso, alerta o documento.

Os impactos também são sentidos em Arroio Grande, cidade que depende da barragem Eclusa, no canal São Gonçalo. A construção tem por objetivo impedir o ingresso da água salgada, vindas do mar, através da Lagoa dos Patos e conduzidas pelo canal para a Lagoa Mirim. Porém, de acordo com o professor Gilberto Collares, atual diretor da Agência da Lagoa Mirim, a estiagem tem obrigado a barragem a ficar com as 18 comportas fechadas durante a maior parte do tempo. A ação tem por objetivo minimizar a saída da água durante o período de escassez. Além de Arroio Grande, Rio Grande e parte das lavouras de arroz em Pelotas precisam do funcionamento da barragem para terem garantida a qualidade da água. Collares e o vice-prefeito de Arroio Grande, Casca Silva, estiveram reunidos na terça-feira para tratar do assunto.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados