Sem pedágios

Ecosul retira pedido de prorrogação da concessão

Solicitação antecipada visava ampliar o período do contrato que encerra em março de 2026

13 de Agosto de 2021 - 20h21 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Em nota à imprensa, a Ecosul afirmou na sexta-feira que a decisão \

Em nota à imprensa, a Ecosul afirmou na sexta-feira que a decisão \"decorre diante da ausência de um ambiente favorável à continuidade do projeto\" (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Após pouco mais de um mês da protocolação do pedido de prorrogação antecipada da concessão das BRs 116 e 392, a Empresa Concessionária de Rodovias do Sul (Ecosul) pediu a suspensão da solicitação para a Agência Nacional de Transporte e Trânsito (ANTT). Com isso, e se não houver um pedido futuro, a gestão da empresa no polo rodoviário de Pelotas deve ser encerrada no fim de março de 2026.

Em nota à imprensa, a Ecosul afirmou na sexta-feira que a decisão "decorre diante da ausência de um ambiente favorável à continuidade do projeto". Em troca do aumento da concessão e da construção de duas novas praças de pedágio entre Arambaré e Guaíba, a empresa reduziria em 40% o valor do pedágio - de R$ 12,30 para R$ 7,38 -, terminaria a duplicação da BR-116, assumiria a duplicação do lote 4 da BR-392, no acesso ao Porto de Rio Grande, recuperaria a antiga ponte sobre o canal São Gonçalo, desativada desde 1974, além de duplicar a BR-290, entre Pantano Grande e Eldorado do Sul.

"Assim, num entendimento com o Ministério da Infraestrutura, de forma madura, respeitosa e equilibrada, de que o atual cenário não apresenta as condições mais favoráveis a todos os atores para avançar neste debate e nas próximas etapas do processo, optou-se pela solicitação de retirada da proposta junto à ANTT", diz a nota.

Para o presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e prefeito de Canguçu, Vinícius Pegoraro (MDB), a decisão foi recebida com surpresa. Segundo ele, o debate sobre a proposta da empresa teve momentos de tensão. "Eu acho que a forma que a comunidade se manifestou sobre esse encaminhamento gerou um pouco essa retirada do pedido de tramitação pela companhia para evitar qualquer tipo de atrito. Mas, como falei, a questão dos altos preços do pedágio levam, naturalmente, a comunidade a rejeitar essa proposta", analisa.

Para o presidente da Azonasul, o alto valor dos pedágios na região faz com que exista "uma rejeição à Ecosul". "Essa insistência [da concessionária] poderia gerar desunião na região, mas nós não podemos perder o foco de seguir debatendo os gargalos regionais que têm que ser resolvidos, como a segunda ponte do São Gonçalo, principalmente o término da duplicação da BR-116, a questão do acesso ao Porto de Rio Grande. São assuntos que, para a região, são importantes e que nós vamos ter que debater junto ao ministério", complementa.

Já o presidente da Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel) e líder do movimento Juntos pela Duplicação da BR-116, Amadeu Fernandes, lamentou o encaminhamento. "Uns veem com vitória. Outros, como eu, vemos que podíamos sentar e conversar para negociar com a Ecosul. Éramos favoráveis à renovação com redução de pedágio, estávamos dispostos a sentar na mesa para negociar. Lamentamos que [o pedido] tenha sido retirado."

Sobre um possível ajuste no preço do pedágio até o fim da concessão, Fernandes diz não ter esperança. "Isso está no TCU [Tribunal de Contas da União] para ser julgado. O primeiro parecer diz que o preço correto seria em torno de R$ 7,00. Mas isso pode levar de quatro a cinco anos e ainda cabe recurso [da Ecosul]. Não teremos isso [redução de tarifas] até o fim da concessão."

De 15 para 28 anos

A relação entre a empresa e o polo rodoviário de Pelotas iniciou em julho de 1998, quando o contrato, que previa uma concessão de 15 anos, foi iniciado. A previsão de durar até 2013 foi alterada em 2000, houve um aditivo prorrogou para abril de 2026.

Com o passar dos anos e o constante aumento do preço dos pedágios, usuários das vias atendidas passaram a demonstrar descontentamento com a concessionária, tornando-a uma pauta política.

A Ecosul administra 457,3 km de estradas na Metade Sul do Estado, sendo na BR-116 os trechos entre Camaquã e Jaguarão e na BR-392 entre Rio Grande e Santana da Boa Vista.


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