Esforço coletivo

Duas décadas de arte, cultura e assistência

Movimento Solidário Colmeia conta com uma rede de voluntários, sócios e empresas para tornar o trabalho realidade em Rio Grande

27 de Junho de 2022 - 10h07 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Acolhimento e formação. Atualmente, cerca de 15 oficinas estão em andamento (Foto: Divulgação - DP)

Acolhimento e formação. Atualmente, cerca de 15 oficinas estão em andamento (Foto: Divulgação - DP)

Sempre que possível atividades são realizadas ao ar livre, para se tornarem mais descontraídas  (Foto: Divulgação - DP)

Sempre que possível atividades são realizadas ao ar livre, para se tornarem mais descontraídas (Foto: Divulgação - DP)

Grupos de leitura e interpretação de texto. Roda de conversa. Encontros com Português e Filosofia em pauta. Reforço escolar. Oficinas de cinema e criatividade. São apenas algumas das atividades. E o esforço é coletivo. Há 20 anos. Era dezembro de 2002 quando a Associação Movimento Solidário Colmeia ganhava Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e estatuto e passava a desencadear uma série de ações sociais e culturais direcionadas a famílias em situação de vulnerabilidade, em Rio Grande. Até hoje é assim. E cada vez mais importante.

Com os efeitos da pandemia no orçamento familiar e também no processo de aprendizagem, principalmente da gurizada, o trabalho do Movimento Colmeia tem peso ainda maior neste 2022. Desde a fundação, os quatro eixos de atuação se mantêm: educação de crianças e adolescentes, educação de adultos, cultura e lazer e geração de renda. E o alvo se justifica: para ser contemplado com as ações, as famílias devem ter filhos em idade escolar e, em boa parte destes núcleos, as mulheres são as responsáveis pela renda.

"Em todo este tempo que participo do Colmeia, nunca tinha testemunhado pessoas passando fome", lamenta a presidente da Associação, Lisiana Lawson. São consequências deixadas pela Covid-19, somadas à disparada da inflação. Quando o assunto é a aprendizagem dos estudantes, não é diferente. As equipes sentem os reflexos dos quase dois anos de afastamento das salas de aula. Com dificuldades de acesso à internet e a telefones celulares, que pudessem servir de ferramenta para contato com a escola, o aprendizado de muitos alunos limitou-se ao vaivém de papeladas com tarefas encaminhadas pelos professores. Resultado: crianças matriculadas no 5° e 6° Anos ainda patinando na leitura.

"Não é algo irreversível, mas temos que buscar reverter porque é algo que eles carregam pra vida e impacta, inclusive, em trabalho e emprego que eles conseguirão, no futuro", projeta Lisiana, doutoranda em Educação da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

Leitura e interpretação de texto são um dos focos

Se o clima permite é em semicírculo, ao ar livre, que os jovens dos 13 aos 22 anos participam da oficina Confraria da Leitura, nas tardes de quarta-feira. E o objetivo não se restringe a despertar o gosto pelo mundo dos livros. A atividade pretende ir além. E vai. Ao encararem página a página, coletivamente, os estudantes buscam o significado de novas palavras, ampliam vocabulário, debatem sobre os temas e aguçam a criatividade.
E o imaginário, cutucado, transforma-se também em produção textual, à medida que os capítulos avançam. No momento, o foco da gurizada está em De repente, nas profundezas do bosque, do escritor israelense Amós Oz. "Eles foram provocados a criar um texto, cruzando a ficção com a realidade do bairro deles. É interessante porque acaba gerando debate", conta a voluntária Álison Altmayer.

O próximo desafio literário já está definido: O menino que comeu uma biblioteca, da gaúcha Letícia Wierzchowski. São tarefas que espalham ânimo, tanto entre a gurizada, como entre quem define as próximas obras a desbravar. Em 2016, Álison se tornou membro do coletivo Escritores de Quinta e coordenadora da Confraria da Leitura e começou a desenvolver atividades no balneário Cassino e no Centro de Rio Grande. Um ano depois, em 2017, passou a fazer parte da Associação Movimento Solidário Colmeia.
E as leituras e interpretação de texto são, realmente, prioridade. No momento, outras duas voluntárias também desenvolvem o trabalho com os jovens leitores.

Com apoio da comunidade e do empresariado

Atualmente, 30 famílias são contempladas com o projeto. E as diferentes oficinas são apenas um dos braços do trabalho. O Colmeia também inclui uma série de ações assistenciais: da distribuição de uma sacola com gêneros alimentícios no início de cada mês à entrega de uma caixa de leite para cada criança e adolescente, ao marcarem presença nos encontros para realização das oficinas. Distribuição de cobertores e de pares de tênis novos também costumam fazer parte do esforço coletivo para amenizar a crise de moradores dos bairros Castelo Branco I e II, Santa Rosa e arredores.

E para tornar tudo isso realidade, há duas décadas, existe uma longa lista de apoiadores, entre voluntários, sócios e empresas que ajudam a bancar as contas fixas e fazem doações. A participação em projetos e editais, que permitam se candidatar a verbas, também são instrumentos para viabilizar as atividades, já que o Colmeia possui certificação federal como entidade beneficente. Um dia a dia de esmero e solidariedade em alta.

Para fazer contato e ajudar!

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