Educação no campo

Da pandemia brotou o projeto Germinar

Escola Santa Izabel no assentamento São Miguel, em Candiota, investe no ensino através de hortas agroecológicas, cultivadas pelos alunos com apoio de familiares

09 de Setembro de 2020 - 08h55 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Estudantes de todas as idades participam e recebem ensinamentos conforme a fase do desenvolvimento (Foto: Divulgação - DP)

Estudantes de todas as idades participam e recebem ensinamentos conforme a fase do desenvolvimento (Foto: Divulgação - DP)

Troca de conhecimento provoca interação entre a própria família e os relatos chegam à escola (Foto: Divulgação - DP)

Troca de conhecimento provoca interação entre a própria família e os relatos chegam à escola (Foto: Divulgação - DP)

Resultados com a colheita alegram a gurizada, viram troca de relatos e, não raro, transformam-se em receitas também compartilhadas (Foto: Divulgação - DP)

Resultados com a colheita alegram a gurizada, viram troca de relatos e, não raro, transformam-se em receitas também compartilhadas (Foto: Divulgação - DP)

A pandemia avança na região, as aulas presenciais estão previstas só para 2021, mas o processo de aprendizagem não estanca. E pode, sim, gerar entusiasmo. É o que tem ocorrido em Candiota, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Izabel. Os 152 alunos, da Pré-Escola ao 9° Ano, dão vida ao projeto Germinar, criado com a intenção de fortalecer a agricultura familiar e abrir espaço para integração de saberes. Tudo através de hortas agroecológicas, preparadas com apoio dos familiares.

As atividades são programadas para cada faixa etária e fase de desenvolvimento da gurizada. Todas as terças-feiras, os estudantes recebem em casa as tarefas que terão pela frente. E, claro, as lições - interdisciplinares - fogem ao modelo padrão: aula, conteúdo, copia e resolve; explica o diretor Alex Perleberg. A ideia é de que ali, com as mãos na terra e olhares atentos ao cultivo, as crianças e adolescentes sintam-se motivados em indagar e fazer seus relatos.

A proposta é de que, juntos com a família, os alunos possam aprender - de maneira simples e lúdica - conceitos de agroecologia, sustentabilidade e qualidade de vida a partir de uma alimentação saudável produzida por eles mesmos. E, na carona, há um despertar do interesse e da valorização do meio ambiente

"É uma proposta que compreende o território como uma grande sala de aula, em que a educação acontece a toda hora e em todo o lugar, como resultado de um esforço compartilhado por toda a comunidade", enfatiza o diretor.

Do Diário de Dúvidas às redes sociais

De 15 em 15 dias os professores têm acesso ao Diário de Dúvidas; um dos canais de diálogo entre os estudantes e a escola. É uma das ferramentas físicas para que a gurizada também possa compartilhar vivências: de curiosidades durante plantio e colheita aos resultados de uma deliciosa receita preparada com os alimentos.

Ao identificar que apenas 64% dos alunos tinham acesso à internet, a Escola Santa Izabel localizada na localidade de Jaguarão Grande, decidiu estabelecer a rota semanal - através do transporte escolar - para envio e retirada de material. E, claro, o Diário de Dúvidas vai e vem neste mesmo sistema. Afinal, a equipe também observou que, mesmo entre as famílias que estavam interligadas à internet, menos da metade interagia através dos grupos.

Hoje, portanto, as mensagens através do WhatsApp servem, principalmente, para troca de fotos e de vídeos das experiências. Todas as informações que precisam chegar, diretamente, a todos os estudantes são enviadas no formato físico. E os professores, em contrapartida, contam com o chamado Guia de Acompanhamento, para observar o quanto cada um dos alunos está conseguindo realizar as atividades em casa.

Trabalho deve virar programa permanente

Os resultados foram tão positivos que os planos são de transformar o projeto Germinar em programa permanente, a partir de 2021; alicerçado, claro, sobre a pedagogia da alternância: com lições para cumprir em casa e outras para fazer na escola.

E para que o projeto da Santa Izabel, no assentamento São Miguel, pudesse deslanchar duas parcerias foram fundamentais: da empresa Bionatur e da Secretaria Municipal de Agropecuária e Agricultura Familiar, que forneceram insumos e apoio técnico e estrutural. Ao todo, 1,8 mil mudas e mais de seis mil sementes orgânicas foram distribuídas à comunidade.

Mais uma iniciativa para fortalecer o conceito de que escola é, sim, ambiente de interação social. De convívio. De afeto. Ainda que a distância.

Confira o vídeo:


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