Investimento

Construção da termelétrica de Rio Grande pode iniciar em 2022

Reunião com prefeitos pautou o projeto junto à empresa responsável. Obra também aguarda audiência pública da Fepam

26 de Novembro de 2021 - 20h46 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Reunião ocorreu na manhã desta sexta-feira (Foto: Divulgação - DP)

Reunião ocorreu na manhã desta sexta-feira (Foto: Divulgação - DP)

Próximo de completar 11 anos desde o início do debate do projeto da Usina Termelétrica (UTE) Rio Grande, o enredo parece estar chegando próximo do fim. Após a liberação judicial para o empreendimento, o agendamento da audiência pública para discutir a instalação pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), uma reunião entre alguns prefeitos da Zona Sul e o Grupo Cobra, empresa responsável pela termelétrica, foi realizada na sexta-feira (26). A expectativa de início da obra é para o início de 2022.

Com o objetivo de entregar mais informações, apresentar o projeto aos chefes municipais de Pelotas e São José do Norte, municípios mais próximos à instalação, e publicizar a termelétrica, o CEO Brasil do Grupo Cobra, Jaime Llopis, e demais representantes estiveram em Rio Grande pedindo a participação de todos na audiência pública, que irá discutir o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), tendo em vista "ser um momento crucial para o futuro do projeto".

O superintendente dos Portos RS, Fernando Estima, esteve presente na reunião e concordou que, até a audiência, todos que quiserem contribuir com opiniões estão convidados. Ele explica que, após este evento, será aberto um prazo de conclusão para o licenciamento e que a expectativa é que a obra seja iniciada entre janeiro e fevereiro do próximo ano. "É um projeto extremamente relevante para o Rio Grande do Sul porque ele dá a independência energética. É bom lembrar que o Estado importa praticamente 40% da sua energia", comenta.

Para Estima, além do impacto financeiro positivo, outro benefício será para o complexo portuário e para o Distrito Industrial. "[Hoje] já começa a ter a substituição de navios abastecidos tradicionalmente pelo óleo e que agora começam a operar com gás e vão precisar de terminais mundiais que atendam essa demanda de reabastecimento. Nós estamos nos candidatando a ser um dos portos de reabastecimento", informa o superintendente.

"O projeto chamado Rio Grande Porto-Indústria vai poder decolar, nós tendo uma matriz energética nova, sem ficar dependendo de uma única. Isso trará a possibilidade de atrair mais empregos e também está trazendo uma oportunidade, em paralelo, que é melhorar todos os controles ambientais", destaca Estima, que acrescenta que uma subestação de captação de informações do ar para monitoramento permanente foi instalada. Outras estações devem ser criadas para ampliar para outros pontos de Rio Grande e entorno.

"Então acho que, com as demandas dos nossos projetos, cresce também a possibilidade de nós melhorarmos as informações e sabermos até onde podemos ir. Chegou o momento de definir o futuro e as margens que se tem para atrair os empregos", opina sobre o empreendimento de R$ 6 bilhões em investimento e com previsão de duração da obra de 36 meses.

Durante uma reunião, realizada também na sexta-feira, na Câmara de Comércio da Cidade do Rio Grande, o prefeito Fábio Branco (MDB) ressaltou que esse é um projeto que torna o município independente de decisões de governos e que o orçamento municipal conseguirá uma receita perene, o que impactará positivamente na vida das pessoas. "Já pedi o levantamento do impacto desse projeto no orçamento municipal para ser apresentado", afirmou, na ocasião.

A prefeitura de Pelotas foi representada pelos secretários de Qualidade Ambiental, Eduardo Schaefer, e de Desenvolvimento, Turismo e Inovação, Gilmar Bazanella.

Entenda o projeto

Além da construção da termelétrica a gás natural, o projeto também prevê a construção de uma estação de recebimento, armazenagem e regaseificação de gás natural liquefeito, o GNL. A obra foi pauta durante a comitiva do governador Eduardo Leite (PSDB) em missão governamental na Europa, quando se reuniu com o Grupo Cobra, no início de outubro, para resolver os entraves que persistem desde 2009.

A empresa espanhola Grupo Cobra é o segundo investidor da usina. O vencedor do leilão de energia para a construção, em 2014, Grupo Bolognesi, não iniciou a obra e desistiu do negócio alegando dificuldades em obter os licenciamentos, há quatro anos. Com a indefinição da viabilização da usina, em 2017 a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu revogar a autorização para a construção da termelétrica em Rio Grande. Através de uma decisão judicial provisória, a decisão da Aneel foi suspensa, em maio deste ano.

Caso a licença seja obtida, o empreendimento pode gerar a criação de 2,1 mil postos de trabalho e operar até 14 milhões de metros cúbicos por dia, o que deve atender a demanda do Estado até 2030.


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