Diário de Verão

Capilha: um reduto de água doce

Às margens da Lagoa Mirim, praia, que costumava ser referência à calmaria, passou a ser cada vez mais visitada

15 de Janeiro de 2022 - 08h32 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Prazer. A formação de bancos de areia, devido às águas rasas, permite o conforto de se instalar dentro da lagoa, transparente (Foto: Jô Folha - DP)

Prazer. A formação de bancos de areia, devido às águas rasas, permite o conforto de se instalar dentro da lagoa, transparente (Foto: Jô Folha - DP)

Belezas. Cenário ao mesmo tempo simples e encantador (Foto: Jô Folha - DP)

Belezas. Cenário ao mesmo tempo simples e encantador (Foto: Jô Folha - DP)

De pai para filho. William frequenta o local há mais de dez anos e já apresentou a Capilha ao pequeno Guilherme (Foto: Jô Folha - DP)

De pai para filho. William frequenta o local há mais de dez anos e já apresentou a Capilha ao pequeno Guilherme (Foto: Jô Folha - DP)

Parte dos visitantes vai de motorhome e permanece no local (Foto: Jô Folha - DP)

Parte dos visitantes vai de motorhome e permanece no local (Foto: Jô Folha - DP)

Público leva cadeiras e guarda-sóis pra dentro da lagoa e, em alguns casos, até a caixa térmica (Foto: Jô Folha - DP)

Público leva cadeiras e guarda-sóis pra dentro da lagoa e, em alguns casos, até a caixa térmica (Foto: Jô Folha - DP)

3,5 quilômetros de orla, às margens da Lagoa Mirim. Nenhum hotel ou restaurante. Infraestrutura limitada basicamente a banheiros químicos. O que poderia ser encarado como precariedade, é justamente o que faz da Capilha - próximo à Estação Ecológica do Taim, em Rio Grande - um reduto tão especial. E, para quem descobriu há mais tempo, o ideal era que tivesse permanecido praticamente intocado.

As águas rasas - e não, raro, em temperatura bem agradável - criam condição absolutamente prazerosa. Muitos visitantes se instalam dentro da lagoa, em bancos de areia, para onde levam cadeiras, guarda-sóis e até caixas térmicas. Em outros pontos, em que o nível também é baixo, os turistas ficam deitados - e refrescados - nas rodas de bate-papo. Um luxo, sem luxo.

Frequentador há mais de uma década

A alegria está estampada no rosto do pequeno Guilherme, de um ano e sete meses. Ele corre, chuta a água e vive a aventura de andar de caiaque com o papai William Müller, de 39 anos. O microempresário de Pelotas descobriu a Capilha há mais de uma década e nunca mais deixou de frequentar. Para terem a chance de passar uns dias por lá, ele e a esposa Francine, 32, alugam casa no vilarejo em que fica o balneário, no Taim, 4º distrito de Rio Grande.

É uma das estratégias que têm sido adotadas por quem deseja permanecer mais tempo, já que o local não possui hotéis nem pousadas. "A gente vem todos verões. É bom por causa da tranquilidade, a água bem calminha", resume. Na tarde do dia 28 de dezembro, quando o DP esteve no local, um dos únicos sons que se sobressaía, em alguns momentos, era dos motores dos quadriciclos.

Para fugir de badalações

Se milhares de pessoas tomam o rumo das praias catarinenses a cada temporada, há quem faça exatamente o caminho inverso para fugir da alta movimentação. Neste período, ainda de pandemia e rápida circulação da variante Ômicron, evitar aglomerações segue entre as medidas recomendadas. E foi o que fez o servidor da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Laerte Terres, 36: deixou Camboriú, onde vive há cinco anos.

"Como Camboriú era um dos únicos locais onde os fogos de Réveillon iam ser mantidos, decidimos sair do movimento e vir pro sossego", conta o pelotense. E nesse garimpo por calmaria, a Capilha despontou entre as alternativas. E o melhor: surgiu o convite dos pais Leda, 71, e Arlei Terres, 77, para que ele, a esposa Vanessa, 37, e o filho Roberto, de dois anos de idade, embarcassem no motorhome da família para acampar mais uma vez, na Capilha.

Aliás, o veículo equipado com banheiro, geladeira, ar-condicionado e uma pequena placa solar para gerar energia para uma lâmpada, serve de abrigo às viagens dos Terres há 25 anos. Em roteiros que não cruzam apenas o Rio Grande do Sul. O motorhome já circulou por Santa Catarina e Uruguai.

Fluxo cresce, investimentos também 

Os primeiros dias de 2022 foram de melhorias em infraestrutura mínima aos visitantes da Capilha, como consequência da concentração de público que tem sido registrada, principalmente, em finais de semana. O acesso principal à praia, no km 530 da BR-471, foi iluminado e ganhou alargamento. A Secretaria de Zeladoria de Rio Grande também providenciou a instalação de mais banheiros químicos. Agora são seis conjuntos espalhados pela faixa de praia.

O vilarejo que, durante o verão, passa a contar com cerca de 1,4 mil moradores, recebeu 16 lixeiras, assim como reforma na pracinha utilizada pela gurizada. Entre os planos, destacam-se a instalação de uma guarita com dois guarda-vidas à disposição, prevista até o dia 18 deste mês - apesar de as águas calmas -, e a disponibilização de retroescavadeira e de guarda de trânsito para evitar transtornos com o atolamento de veículos.

"Lembramos o pessoal que a Capilha é um lugar ambientalmente especial. Por isso, reforçamos o pedido para que o respeitem e o mantenham limpo", enfatiza o secretário Marlon Soares.

* Veja como chegar 

- A Capilha fica um pouco antes da Estação Ecológica do Taim, no sentido Pelotas-Rio Grande.
Está no km 530, da BR-471. Há uma placa de identificação à direita.

* Vá com alimentação na bagagem

Não deixe de preparar bebidas e lanches para levar, em uma caixa ou bolsa térmica. Não existem bares ou restaurantes. Eventualmente, há carros com isopores e venda de produtos, mas não conte com isso. 


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