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BRs 116 e 392 são as rodovias com melhor avaliação na Zona Sul

Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte aponta que a sinalização é o principal problema na região

17 de Janeiro de 2022 - 10h43 Corrigir A + A -
Boas condições. Na comparação com outras regiões, sul do Estado tem estradas em melhor situação (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Boas condições. Na comparação com outras regiões, sul do Estado tem estradas em melhor situação (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Segurança. Duplicação da BR-392, que liga ao centro do RS, é demanda de motoristas. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Segurança. Duplicação da BR-392, que liga ao centro do RS, é demanda de motoristas. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Concluída no final do ano passado, uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre as condições de trafegabilidade nas rodovias do país aponta que, na Zona Sul do Estado, a sinalização é um problema enfrentado pelos motoristas. De acordo com o levantamento, entre as principais estradas da região, a BR-116 e a BR-392 foram as que tiveram melhor resultado. Por outro lado, a RS-734, em Rio Grande, e a RS-101, em São José do Norte, foram as piores avaliadas.

A pesquisa analisou todas as rodovias federais e as principais estaduais do Brasil. Os pesquisadores estiveram presencialmente em todo o território nacional, percorrendo mais de 109 mil quilômetros. Foram estabelecidos três critérios para avaliação: pavimentação, sinalização e geometria da via, que leva em conta, por exemplo, o traçado das curvas. Esses critérios receberam avaliação de ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo.

Na Zona Sul, nenhuma rodovia foi avaliada como péssima, mas tampouco como ótima. A BR-116, entre Jaguarão e São Lourenço do Sul, foi classificada como boa, assim como a BR-392 nos trechos entre Pelotas e Rio Grande e entre Canguçu e Santana da Boa Vista. A BR-293, entre Pelotas e Bagé, e a BR-471, entre o Chuí e a BR-392, próximo a Rio Grande, foram classificadas como regulares. Na região, dentre as administradas pelo Estado, foram levadas em conta apenas a RS-734 e a RS-101, ambas apontadas como ruins.

Entre os apontamentos referentes à necessidade de melhor sinalização nas estradas da Zona Sul, a CNT identificou o problema não só em rodovias mais antigas. No trecho recém duplicado da BR-116, entre Pelotas e São Lourenço do Sul, o diagnóstico em relação ao pavimento foi ótimo e no quesito geometria foi bom. No entanto, a via perdeu pontos na sinalização, vista apenas como regular.

Pouco investimento

Segundo Fernanda Rezende, gerente executiva de Gestão e Projetos da CNT, a pesquisa indica que houve piora significativa das rodovias sob administração do poder público nos últimos anos, reflexo da falta de investimento, especialmente, do governo federal.

Entre 2010 e 2014, o orçamento anual para as rodovias esteve sempre acima dos R$ 8 bilhões, chegando ao máximo de R$ 11 bilhões em 2011. Depois de uma queda brusca em 2015, manteve-se acima de R$ 7 bilhões entre 2016 e 2018, mas desde 2019 vem caindo. Em 2021, segundo a CNT, o investimento federal nas rodovias, até novembro, foi de apenas R$ 4,1 bilhões. Assim, caiu a qualidade daquelas que são administradas diretamente pelo poder público, o que não aconteceu com as concedidas à iniciativa privada.
Ainda conforme a CNT, o estado geral de 61,8% da malha rodoviária brasileira está abaixo do ideal, sendo classificada como regular, ruim ou péssima. Desse percentual, 91% são estradas administradas pelos governos.

“O reflexo é o aumento do custo operacional para o transportador. Quando se trafega por uma rodovia com buracos e curvas acentuadas, tem-se mais consumo de combustível, maior manutenção e menor vida útil do veículo. Isso reflete também ao transporte de passageiros, aumento da passagem, e os danos aos usuários em geral”, avalia Fernanda.

A estimativa da CNT é de que, apenas no Rio Grande do Sul, o custo do transporte cresce aproximadamente 30% devido às condições das rodovias. Em todo o Estado, há apenas uma avaliada como ótima, na região metropolitana de Porto Alegre, enquanto 7,6% são enquadradas como péssimas, 18,5% como ruins e outras 42,7% como regular.

Transporte regional

Para o diretor do Sindicato das Empresas dos Transportes Rodoviários de Cargas do Extremo Sul (Setcesul), Everaldo Born, os principais problemas nas rodovias da região dizem respeito à sinalização e ao recapeamento asfáltico. Mas lembra também que a isso se soma o preço dos pedágios, que acaba elevando ainda mais o custo do transporte e prejudica a competitividade econômica.

Born aponta que BR-116, com a duplicação, é a de melhor trafegabilidade atualmente, embora ocorram acidentes causados pela falta de letreiros luminosos, especialmente quando a pista passa de dupla para simples. “É muito mal sinalizado. Em outros estados têm o luminoso, aqui são placas. Tem trecho que em toda semana dá acidentes. Tem muitas placas, mas quem não é da região se confunde e praticamente para o veículo”, relata. “Na BR-392 os problemas são os recapeamentos, de má qualidade. O caminhão trafega e trepida.”

O sindicalista ressalta ainda uma antiga demanda dos caminhoneiros que circulam pela Zona Sul: pontos de atendimento aos motoristas e a duplicação da BR-392 no sentido entre Pelotas ao centro do Estado. “Boa parte da safra passa por ali, tem um grande fluxo”, argumenta.

Acidentes

Em 2021, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), aumentou o número de acidentes nas rodovias da região – 447 nas quatro BRs que cortam a Zona Sul. No ano anterior foram 380. De acordo com o policial rodoviário federal Marcos Molina, o aumento tem relação com a suspensão de atividades em 2020 por conta da pandemia. “Esse aumento é, na verdade, a retomada aos níveis anteriores. Se compararmos ao período de 2019, anterior à pandemia, temos redução em alguns indicadores”, afirma.

A rodovia federal com mais acidentes na região é a BR-392. Foram 210 no ano passado, com 17 vítimas fatais. Em seguida aparece a BR-116, com 133 acidentes e 16 mortes, a BR-293, com 81 colisões e quatro mortes e, por último a BR-471, com 23 acidentes e sete vítimas fatais. Os pontos com mais acidentes estão no perímetro urbano de Pelotas, nos pontos duplicados e com vias marginais, e nos trechos de pista simples.


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