Estiagem

Atentos e vigilantes à previsão do tempo

Zona Sul está em alerta por prognóstico de pouca chuva para os próximos meses

07 de Janeiro de 2022 - 21h21 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Barragem Santa Bárbara está 1,1 m abaixo do nível (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Barragem Santa Bárbara está 1,1 m abaixo do nível (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Nos últimos anos, a partir da segunda metade de dezembro, a preocupação da Zona Sul vem sendo a mesma. As altas temperaturas do verão com os baixos volumes de chuva vêm tornando a estiagem uma triste realidade nesta época do ano. Com situações de emergência já decretadas em outras regiões do Estado, a sexta-feira foi marcada pelo início de um plano estratégico de prefeituras, escritórios municipais da Emater e Defesa Civil para combater a seca prevista para os próximos meses.

Em reunião da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), foi perceptível que todos os 22 municípios estão na mesma situação. Ainda não há um levantamento do que deve ser perdido com a estiagem na agricultura e pecuária, tendo em vista que a situação está iniciando, mas um número já vem preocupando os envolvidos: até a manhã de sexta, 527 famílias estavam sendo abastecidas com água potável pelas prefeituras.

O baixo nível de poços e açudes aumenta a demanda dos municípios em deslocar a água para consumo e também a usada para tarefas domésticas através de caminhões-pipa ou até mesmo caminhões improvisados com caixas d’água, como relatou o prefeito de Santana da Boa Vista, Garleno Alves (MDB). As antigas promessas de construção de seis mil açudes e a urgência do aluguel de caminhão-pipa terceirizado também foram diversas vezes citadas pelos gestores municipais. Um documento, a ser entregue ao governador Eduardo Leite (PSDB) na próxima segunda-feira, cobra que os investimentos e providências do Estado dentro do programa Avançar na Agricultura sejam feitos o quanto antes.

Em Cerrito, no final de 2021, 72 famílias estavam sendo atendidas pela distribuição semanal de água potável. Hoje, segundo o prefeito Douglas Silveira (PP), já são 95. “Demanda que vem aumentando dia após dia”, conta Silveira, que durante a reunião ressaltou a importância de cada município fazer seu levantamento de prejuízo para que tenha a documentação completa para decretar situação de emergência. Na visão dele, ao menos até o fim desta semana, Cerrito ainda não precisava da medida.

“Esperança sempre é a ‘última que morre’, ainda mais nesse caso, que o que precisamos mesmo são chuvas mais regulares e com maior intensidade. No entanto, estamos acompanhando que a situação deve se agravar nas próximas semanas, mas ainda não temos, pelo menos aqui em Cerrito, as condições necessárias para decretar situação de emergência”, afirma.

Acompanhando a situação, o coordenador regional da Defesa Civil, sargento João Domingues, ressalta que, de fato, ainda não há condições concretas para decretar emergência, nem como apontar o município em situação mais crítica. “Todos eles ainda estão fazendo o levantamento dos dados, a compilação das informações, principalmente a Emater”, informa.

“Cada um, dentro de suas especificidades e das suas características geológicas, apresente essas informações. O coordenador municipal dará o parecer e irá apresentar para o prefeito tomar a decisão de decretar ou não a situação de emergência e de pedir ou não a homologação por parte do Estado e o reconhecimento por parte da União”, explica Domingues.

A situação de Pelotas é a mesma dentro desse cenário. Durante o encontro virtual da Azonasul, a diretora-presidente do Sanep, Michele Alsina, comentou aos presentes que a quantidade de água potável distribuída vem aumentando ao longo dos dias, passando de cem mil litros/dia para 180 mil litros/dia. Michele também externou outra preocupação: em comparação com a pior estiagem enfrentada recentemente pelo município, há exatos dois anos, o nível da barragem Santa Bárbara está mais abaixo do que à época. Nesse mesmo período de 2020, estava 89 centímetros negativa, enquanto na sexta-feira já apresentava 1,1 metro abaixo do nível. Já as barragens da Corsan na região estão em nível normal, de acordo com a superintendente adjunta, Silvana Dutra.

Previsões do tempo são desafiadoras

Conforme a meteorologista do MetSul, Estael Sias, o La Niña seguirá influenciando em todo verão, podendo perder força com o outono. Isso é, na explicação da profissional, pouca chuva e muito calor. Na semana que inicia, na segunda-feira, uma onda de calor irá fazer companhia aos gaúchos.

“A gente vai ter uma onda de calor na semana que vem, especialmente entre os dias 11 e 16, com temperatura acima de 35°C, e isso é importante porque vai agravar os efeitos da estiagem, aumentar o consumo de água, aumentar a evaporação dela. Tem chuva prevista entre os dias 17 e 20 de janeiro, com a passagem de uma frente fria após esse calor, trazendo temporais e chuva típica de verão, que é irregular”, adianta Estael, que acrescenta que alguns apontam chuvas de 130 milímetros em Pelotas e outros de apenas 24 milímetros. Ela reforça que, com o longo período, é difícil apontar um valor “mais ou menos confiável”.

Já para fevereiro e março, a previsão é que a chuva seja ainda mais rara. “Quando a gente olha fevereiro e março, a gente vê um cenário muito propício à estiagem, talvez de agravamento, chovendo ainda menos em comparação com dezembro e janeiro, e o calor, principalmente no mês de fevereiro e início de março”, antecipa.


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