Inovação

Web3: um movimento pela internet descentralizada e segura

O conceito de descentralização preconiza que todos os seus usuários possam participar das etapas de criação, governança e melhoria.

22 de Outubro de 2021 - 07h21 Corrigir A + A -

Por: K2. – Assessoria e Comunicação Digital

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Já imaginou uma internet mais descentralizada, segura e verificável

Esses são os preceitos da Web3, um amplo movimento embasado por um conjunto de protocolos. 🌐

De acordo com a Web3 Foundation, o movimento busca o ideal da internet como serverless (sem servidor) e da web descentralizada, isto é, uma internet em que os usuários têm o controle sobre suas identidades e dados, assim como o que é feito com eles.

Segundo a Fundação Internacional, o que guia o movimento é a ideia de uma internet onde...

  • os usuários tenham controle sobre seus dados, e não as grandes corporações;

  • a existência de segurança nas transações digitais globais;

  • trocas online de valores e informações descentralizadas.

Transição da Web 1.0 para Web 2.0

Para entender a noção de Web3 é preciso voltar à Web 1.0 e à Web 2.0, traçando a transição entre esses dois modelos.

Em 1989, o cientista britânico de computação Sir Tim Berners-Lee escreveu um documento onde apontava uma visão da web como um sistema de informações interligadas por links de hipertexto.

A principal ideia dessa versão da web dizia respeito à capacidade de acessar a rede de uma forma descentralizada por máquinas remotas, permitindo que os sistemas estivessem interligados sem necessitar de um controle ou de coordenação central.

Berners-Lee também foi o responsável por delinear três tecnologias que são fundamentais e permanecem como a base da web que utilizamos hoje:

  • HTML: abreviação da expressão da língua inglesa HyperText Markup Language, que significa Linguagem de Marcação de Hipertexto, ou seja, HTML é uma linguagem de marcação que é usada na construção de páginas na Web.

  •  URI: sigla abreviada da expressão da língua inglesa Uniform Resource Identifier (Identificador Uniforme de Recurso), que significa uma cadeia de caracteres compacta, utilizada para identificar ou denominar um recurso na Internet.

  • HTTP: sigla derivada da expressão da língua inglesa Hypertext Transfer Protocol (Protocolo de Transferência de Hipertexto). Este protocolo de comunicação é usado para sistemas de informação de hipermídia que são colaborativos e distribuídos.

Se você navega na internet, provavelmente conhece algum dos termos acima, ou pelo menos tenha ouvido falar sobre.

Este modelo acabou se materializando como a versão inicial da web, ou seja, a Web 1.0.

O início dos anos 2000 marcou um crescimento enorme da internet em todos os sentidos, mas principalmente em seu desenvolvimento. As companhias de tecnologia não mediram esforços para trazer novas possibilidades para seus clientes.

O volume enorme de dados gerados pelas atividades na internet, aliado à percepção do seu valor competitivo, fez com que as empresas precisassem encontrar novas formas de atender tamanha demanda.

Para tentar acompanhar essa mudança rápida, a O’Reilly Media – companhia de mídia responsável por publicação de livros e websites – cunhou o conceito de Web 2.0, com o intuito de capturar as modificações existentes através dos princípios do design

O objetivo era claro: melhorar a interatividade e usabilidade da internet.

Basicamente, a internet nasceu descentralizada, onde qualquer pessoa podia criar aplicações em um site sem precisar de um intermédio. 

Já com a ascensão da Web 2.0, a nova configuração da internet com interfaces mais simples abriu caminho para os usuários marcarem sua presença online.

Os blogs passaram a ser espaços onde o usuário podia compartilhar o que desejasse. Logo depois, as redes sociais começaram a surgir e a ganhar força.

Tanto em blogs quanto em redes sociais, o acesso era simples, fácil e sem a necessidade de lidar com códigos. Não era mais preciso ter um conhecimento extenso de programação para navegar na internet.

Certo, mas parece muito similar com a web que temos hoje. O que há de diferente agora?, você pode estar se perguntando.

O espaço digital é dinâmico e muda a todo o momento. Contudo, para que a experiência do usuário seja mais customizada para seu perfil, é necessária a coleta dos seus dados. Afinal, como conhecer suas preferências sem saber quem é?

É aí que tudo muda.

Os dados se tornaram valiosos e a sua captação foi aumentando de uma forma exponencial. Então, a web passou a ser centralizada, fugindo da sua ideia inicial: um espaço descentralizado e livre

Com essa centralização, é mais fácil para organizações governamentais intervirem, controlarem ou, até mesmo, cancelarem um aplicativo ou site, se acharem necessário.

Além disso, os dados pessoais ficam sob domínio de grandes corporações de tecnologia. A privacidade passa a ser uma grande preocupação.

Web3: o desafio da descentralização

Na Web3 a ideia de centralização é tirada de cena e entra em seu lugar o conceito de validação e consenso, que é colocado em prática através de milhões de nós que compõem uma rede.

No entanto, fazer com que a internet volte a ser descentralizada – como era previsto em sua criação – pode parecer simples na teoria, mas na prática é um grande desafio.

Motivo: mesmo que a tecnologia possua ferramentas para construir tais sistemas, é difícil criar uma plataforma que atinja a descentralização em grande escala.

Segundo o site Money Times, há plataformas que se apresentam como alternativas para as já conhecidas e centralizadas. Uma delas promete ser o novo YouTube, só que nessa versão os vídeos não têm algoritmos para captarem informações pessoais. O criptoativo (ativo virtual protegido por criptografia) que a representa subiu 4.480% no último ano, para se ter uma ideia.

Como as plataformas descentralizadas podem ser aprimoradas?

Aqui está um grande diferencial: todas as pessoas que utilizam a web descentralizada podem participar nas etapas de criação, governança e melhoria.

Ao fazerem isso, elas são recompensadas. Já quem não quer ou não sabe como ajudar nessas etapas, pode colaborar apenas utilizando as plataformas descentralizadas na rotina diária.

E como funciona na prática?

Vamos pegar o exemplo dos aplicativos. Um app elaborado sob as premissas da Web3 é obrigatoriamente descentralizado. 

Sendo assim, ele não precisa de um banco central de dados pessoais, pois os serviços podem ser autenticados sem precisar coletar dados. A utilização de chaves específicas pelos usuários é uma alternativa.

Há outros exemplos no mercado como corretoras, redes sociais, games e marketplaces descentralizados. 

Resumindo: para quem preza a privacidade acima de tudo, a Web3 é o caminho para uma internet mais “livre”.

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Já conhecia o conceito de Web3? Você acredita que a internet pode realmente chegar nesse nível de descentralização? Compartilhe sua opinião nos comentários! ✍️


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