Home Office

Trabalho remoto: os escritórios não serão mais os mesmos

Trabalhar (pelo menos parcialmente) em casa deverá ser o padrão para os empregos no futuro.

07 de Maio de 2021 - 08h38 Corrigir A + A -
(Foto: Unsplash)

(Foto: Unsplash)

Por: K2. - Assessoria e Comunicação Digital

contato@k2ponto.com.br

A pandemia de Covid-19 foi a responsável pela grande mudança nas relações de trabalho em 2020. Há algum tempo já se falava sobre as tecnologias que possibilitam reuniões virtuais, mas o que não se sabia era o quão impactante elas seriam para milhões de trabalhadores ao redor do mundo.

Poucos meses após o início da pandemia, grandes corporações como Twitter, Facebook e Shopify já começavam a estudar maneiras de definir o home office como único formato de trabalho em seus departamentos, já que haviam percebido que, para alguns setores, essa prática realmente funcionava.

Uma coisa é inegável: o trabalho remoto modificou vários aspectos de inúmeras profissões. 

Aplicativos como Zoom, GoogleMeet, Slack e Trello se tornaram as principais ferramentas para a realização das tarefas diárias.

O que poucos sabem é que a ideia de trabalho remoto é antiga. Diversas empresas, grandes e pequenas, já tentaram implementar as tarefas feitas a partir de casa como uma forma de trabalho.

Como explica o jornalista de tecnologia David Streitfeld, em 1985 a mídia tradicional usava frases como “o crescimento do movimento telecomunicacional”. Na época já se discutia a possibilidade da nova tecnologia tornar desnecessário o deslocamento para o trabalho.

A telecomunicação parecia ser uma tecnologia inovadora, capaz de oferecer benefícios para os empregadores e empregados, uma vez que ela poderia viabilizar o trabalho feito da sala de casa.

De fato, muita coisa mudou com a chegada da telecomunicação. Mas, como já sabemos, o trabalho remoto não foi uma delas. A grande maioria das empresas continuou com o trabalho presencial como principal forma de exercício das funções.

Só que ninguém esperava as surpresas que 2020 traria. Dentre elas, a adaptação para o trabalho remoto foi praticamente uma imposição, pois as aglomerações não eram mais uma opção. 

Ao ter sua casa como escritório principal, o trabalhador se viu diante de novos desafios.

Quem começou a trabalhar de casa precisou investir em diversas tecnologias (em alguns casos, por conta própria; em outros, amparados pelos empregadores): computador novo, pacote de software de videoconferência, webcam, headset com microfone, planos de internet mais robustos... Sem contar os móveis, como mesas e cadeiras, que pudessem garantir mais conforto.

Mas o trabalho remoto realmente funciona?

Não há consenso sobre essa questão. Algumas empresas acreditam que, para o seu segmento, o trabalho remoto funciona perfeitamente. Não é à toa que milhares de companhias fecharam seus escritórios presenciais (mas não podemos esquecer que a questão econômica também fez toda diferença para a decisão pelo home office).

No entanto, há vários segmentos em que o trabalho remoto não funciona, a exemplo das atividades que precisam ser realizadas presencialmente, com o colaborador estando na sede da empresa.

De acordo com pesquisa desenvolvida pela Robert Half em 2020, 86% das pessoas que estão trabalhando remotamente gostariam de continuar nessa modalidade, mesmo com as dificuldades encontradas.

49% dos participantes da pesquisa relataram que conseguem balancear melhor o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, já que não há necessidade de deslocamento para o local de trabalho.

No entanto, nem tudo são flores: 52% dos entrevistados acreditam que estão trabalhando mais horas em casa do que antes. 

Além disso, as relações entre colegas de trabalho diminuíram de forma significativa: apenas 10% relatam terem se aproximado dos colegas durante a modalidade remota.

Novo modelo: o trabalho híbrido

Empresas de diversos países têm investido na modalidade de trabalho híbrido – uma mistura de trabalho remoto e presencial. Companhias como GoogleMicrosoftWalmart já anunciaram propostas de trabalho híbrido, onde parte dos funcionários continuarão trabalhando de casa em alguns dias da semana.

👉 De acordo com a Microsoft, trabalhar parcialmente em casa (cerca de 50% da jornada) vai ser um padrão para os empregos no futuro.

Segundo a pesquisa desenvolvida pela plataforma de tecnologia imobiliária KayoCloud, mais de 80% das companhias estão migrando para o modelo híbrido, no qual seus funcionários trabalharão no escritório apenas três vezes na semana.

E o que isso significa para as empresas?

Esses novos arranjos possibilitam uma menor demanda por salas e espaços coletivos, o que, consequentemente, gera economia de gastos. Porém, é preciso ter em mente que os colaboradores necessitam de condições apropriadas de trabalho para exercer suas funções, como conexões de qualidade à internet e boas estruturas tecnológicas.

Por isso, antes de adotar o trabalho remoto (seja total ou híbrido) como solução definitiva após o fim da pandemia, as empresas precisam de estratégias que assegurem essa estrutura aos trabalhadores.

Para alcançar a efetividade - tanto no modelo híbrido quanto no trabalho 100% remoto - é preciso adaptar diversos aspectos que antes eram a norma. As empresas que adotam esses modelos estão repensando suas estruturas e investindo no treinamento de seus colaboradores.

As estruturas físicas das empresas que estão optando pelo modelo híbrido também estão sendo reajustadas. O mobiliário, muitas vezes, precisa ser adaptado - afinal, com a mescla de funcionários utilizando a sala em dias diferentes, o layout dos escritórios precisa ser efetivo e prático. Mesas e divisórias móveis são uma opção. 

Mas as principais mudanças são relativas ao investimento emtecnologia:

  • bons computadores

  • softwares apropriados

  • melhores redes de conexão à internet (não esqueça: o 5G vem aí).

Como será o trabalho no futuro?

Definitivamente, o trabalho será diferente. Talvez não para todas, mas certamente várias companhias adotarão novos modelos para a execução das tarefas.

Conforme aempresa PwC, para o trabalho híbrido funcionar, são necessárias algumas etapas:

  • repensar as funções e o design dos escritórios;

  • reavaliar o bem-estar dos colaboradores;

  • redefinir as obrigações de cada colaborador;

  • reestruturar as lideranças.

A premissa é clara: novo modelo de trabalho, novas mudanças.

Segundo o palestrante sênior da Sloan School of Management, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), Robert Pozen, e a pesquisadora de tecnologia Alexandra Samuel, há certos fatores em que as empresas devem se concentrar ao migrar para um modelo híbrido de trabalho.

A pesquisadora utiliza a sigla FLOCS para nomear os cinco fatores essenciais: função, localização, organização, cultura e cronograma. 

Algumas questões a respeito desses fatores precisam ser repensadas pela organização da empresa:

  • Qual é a função de cada membro do time?

  • Qual é a localização de cada um?

  • Qual é a estrutura da organização?

  • Qual é a cultura da empresa?

  • Qual é o cronograma e agenda de cada colaborador?

Apesar de esses fatores também serem utilizados para organizar o fluxo do trabalho presencial, eles se tornam imprescindíveis para o funcionamento do trabalho remoto ou híbrido.

Enfim, a adoção do trabalho remoto está em pleno processo. Ainda há muitas dúvidas sobre qual cara terá o trabalho no pós-pandemia. Mas algumas boas práticas estão emergindo.

A única coisa que pode ser dada como certa é:

As formas de trabalho que já não são mais as mesmas não voltarão ao que eram - e provavelmente vão mudar ainda mais no futuro próximo.

___

Qual é a sua opinião sobre as novas estruturas de trabalho? Nesse momento você está em trabalho remoto ou seu cargo não permite isso? Conte um pouco sobre como a pandemia afetou o exercício da sua profissão nos comentários! 


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados