Inovação

O que é economia criativa e como ela pode impactar a sociedade?

Entenda como a aliança entre tecnologia, inovação, cultura, sustentabilidade e criatividade gera empregos e inclusão social.

04 de Junho de 2021 - 07h00 Corrigir A + A -

Por: K2. – Assessoria e Comunicação Digital

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Fonte: Unsplash

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São grandes as chances de você já ter consumido algo que envolva a economia criativa ao longo da sua rotina.

Provavelmente você já fez alguma dessas coisas: escutou um podcast ou alguma música no seu dispositivo móvel enquanto fazia outra atividade ou jogou algum jogo eletrônico no seu celular ou computador. 

De acordo com Ana Carla Fonseca, coordenadora do Programa de Educação Continuada para Economia Criativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o conceito de economia criativa diz respeito aprodutos e serviços nos quais o valor agregado deriva da criatividade.

👉 Resumindo: os produtos e serviços da economia criativa utilizam a criatividade para gerar inovação e valor.

Indo um pouco mais longe:

A economia criativa tem como objetivo utilizar tecnologia, inovação, cultura, sustentabilidade e criatividade para impactar e desenvolver a sociedade de forma positiva.

O setor da economia criativa vem se desenvolvendo consistentemente a cada ano. Isso se explica pelo fato de que, com o aumento do acesso à internet e às tecnologias, a demanda por serviços criativos cresceu de forma exponencial.

Não é à toa que cada vez mais as pessoas buscam assinaturas de pacotes de streaming para assistir a séries e filmes ou ouvir músicas e podcasts.

Como surgiu o termo economia criativa?

Segundo o British Council, o termo economia criativa ou indústria criativa começou a ser adotado há poucos anos. Ambos são usados para descrever diversas atividades, sendo algumas delas bastante tradicionais na sociedade, como teatro, dança, música, artes visuais e cinema.

Por muito tempo, as noções de economia e indústria foram relacionadas a outras áreas do trabalho, deixando de fora as artes, a cultura e o entretenimento.

Contudo, as duas últimas décadas promoveram transformações nos âmbitos cultural, artístico e digital, quando os setores ligados à ciência e à tecnologia foram aliados ao entretenimento e às artes.

Em pouco tempo, se percebeu que essa aliança pode gerar rendimentos respeitáveis. Resultado: atração de recursos e consequente criação de mais empregos.

Em um mundo tecnológico e globalizado que muda a todo o instante, várias nações perceberam que a combinação de cultura e artes com o comércio, através das indústrias criativas, possibilita que o país ou cidade se destaque de outros locais, atraindo mais visitantes e investimentos.

Quais são os princípios norteadores da economia criativa?

Parece óbvio dizer isso, mas esse setor depende da criatividade. Além disso, as ações que envolvem economia criativa estão aliadas à tecnologia, cultura e inovação.

Como aponta o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, as principais características e potencialidades da economia criativa são:

  • produção não poluente;

  • fortalecimento das características regionais e locais;

  • geração de emprego, renda e tributos;

  • inovação tecnológica;

  • economia associada a outros segmentos;

  • reforço da cidadania e promoção da diversidade e do respeito.

E para nortear a economia criativa, há alguns princípios que podem ser seguidos, como: 

  1. valorização da diversidade cultural do país;

  2. percepção de sustentabilidade para o desenvolvimento;

  3. inovação como vetor da cultura;

  4. inclusão produtiva baseada em economia cooperativa e solidária.

Como a economia criativa pode desenvolver uma localidade?

A economia criativa pode ser aplicada em qualquer país, estado ou cidade. No entanto, é preciso estabelecer estratégias para que ela funcione e traga resultados positivos para a sociedade.

Em primeiro lugar, é fundamental ter em mente que a economia criativa traz benefícios econômicos que podem ser mensurados.

Além disso, ela também ocasiona vantagens que não envolvem apenas dinheiro, mas que contribui significativamente para a sustentabilidade, a inclusão e o desenvolvimento social.

Vamos pegar como exemplo uma cidade que está tentando se desenvolver economicamente em um setor da indústria criativa. No que a gestão dessa cidade deveria pensar?

Como já foi apontado, as indústrias criativas envolvem setores que já conhecemos bastante, como cinema, teatro, artes visuais, mídias, música, tecnologia - ou seja, tudo aquilo que pode ser entendido como criatividade humana.

Uma gestão municipal que está tentando desenvolver esses setores precisa garantir oportunidades para os seus empreendedores culturais e fornecer a eles um ambiente que seja adequado para suas atividades.

Se determinada cidade tem uma forte mobilização musical e muitos empreendedores nesse ramo, por exemplo, é papel da gestão municipal criar estratégias, projetos e políticas públicas que desenvolvam esse setor.

O impacto da economia criativa

Os trabalhos que envolvem cultura e artes têm apelo universal e, como já ressaltado pelo Fórum Mundial de Economia, os serviços da indústria criativa podem agir como um motor para construção de confiança, entendimento e aceitação entre diferentes culturas.

O desenvolvimento do mercado de serviços criativos também tem impacto direto em diversos desafios globais, como o desemprego de jovens, por exemplo.

Isso é ainda mais expressivo quando pensamos em bens culturais virtuais, que requerem baixo custo de produção quando comparados a outras indústrias - já que, em muitas vezes, é necessário somente um computador conectado à internet para realizar o trabalho e se inserir na economia global.

Segundo uma pesquisa publicada na revista Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a economia criativa nacional está em pleno crescimento e acredita-se que, até o final de 2021, ela irá girar mais de 40 bilhões de dólares e facilitar a vida de mais de 835 mil profissionais que estão incluídos em diversos grupos sociais.

Ainda de acordo com o estudo, um dos maiores efeitos da economia criativa é a possibilidade de aliar o consumo com o desenvolvimento social e tecnológico.

Exemplos de cidades que aplicam a economia criativa no Brasil

Oito cidades brasileiras já receberam o selo de “cidades criativas” da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO): 

  • Belém (PA), Florianópolis (SC) e Paraty (RJ) - gastronomia

  • Brasília (DF) e Curitiba (PR) - design

  • João Pessoa (PB) - artesanato e artes folclóricas

  • Salvador (BA) - música

  • Santos (SP) - cinema.

Essas cidades fazem parte da Rede Cidades Criativas da UNESCO (UNESCO Creative Cities Network – UCCN), que abrange o mundo inteiro.

Para continuarem na Rede, as cidades precisam se comprometer em desenvolver e compartilhar experiências, a fim de promover a economia criativa.

Dessa forma,elas contribuem para a criação de vínculos entre setores públicos e privados, além de aliar a  cultura às políticas públicas.

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Você já conhecia o termo economia criativa? Já consumiu produtos ou serviços em alguma das cidades brasileiras que compõem a Rede de Cidades Criativas da UNESCO? Compartilhe a sua experiência nos comentários! 


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