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Eletrobras, UFPel e FDMS assinam termo de cooperação para construção de prédio de alta eficiência energética

Edificação terá cerca de 600 metros quadrados e será construída entre os prédios da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e do bloco 1 do Centro de Artes

09 de Dezembro de 2021 - 14h45 Corrigir A + A -
O termo de cooperação é a concretização da eleição do projeto da UFPel como um dos quatro contemplados pela chamada pública “Procel Edifica – NZEB Brasil” (Foto: Divulgação - DP)

O termo de cooperação é a concretização da eleição do projeto da UFPel como um dos quatro contemplados pela chamada pública “Procel Edifica – NZEB Brasil” (Foto: Divulgação - DP)

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) está mais próxima de ter seu primeiro prédio com balanço energético próximo de zero. Foi publicado no Diário Oficial da União, na última terça-feira (30), o termo de cooperação técnica entre a UFPel, a Fundação Delfim Mendes Silveira (FDMS) e a Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras) que tem por objetivo a construção do Anexo FAUrb – NZEB UFPel, edificação que, como diz o nome, será construída junto à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

O termo de cooperação é a concretização da eleição do projeto da UFPel como um dos quatro contemplados pela chamada pública “Procel Edifica – NZEB Brasil”, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que oferecia até R$ 1 milhão para a construção de edificações de alta eficiência energética, de forma a demonstrar a possibilidade de utilização desse tipo de projeto em larga escala. NZEB é a sigla para Near Zero Energy Building, ou seja, edificação de balanço energético próximo de zero, em livre traduação. Além do projeto da UFPel, também foram selecionadas iniciativas das Universidades Federais de Brasília (UnB), do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Santa Catarina (UFSC).

Com custo aproximado de R$ 2 milhões, dos quais R$ 1 milhão será financiado pela Eletrobras, a edificação terá cerca de 600 metros quadrados e será construída entre os prédios da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e do bloco 1 do Centro de Artes. Distribuída em três pavimentos, abrigará espaços acadêmicos da FAUrb, o Centro Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo e o Laboratório de Inspeção de Eficiência Energética em Edificações (LINSE), entre os três únicos organismos brasileiros que emitem etiquetas de eficiência energética para edificações.

Apesar de a proposta ter sido submetida pela UFPel, a execução do recurso será realizada pela FDMS, fundação de apoio à UFPel. Além dessa tarefa, a entidade também organizará o envolvimento de outras empresas parceiras, que desejem participar do projeto, especialmente na área de automação.

A ideia é que no início de 2022 já sejam contratados os projetos executivos, para que seja cumprido o cronograma de dois anos de obra. Dessa forma, a edificação estaria pronta no final de 2024. Depois de concluído, o Anexo FAUrb – NZEB deverá receber visitas de interessados por dois anos, uma das condições encontradas na chamada pública.

Eficiência e tecnologia

Segundo o coordenador do laboratório e um dos responsáveis pelo projeto, professor Antônio César da Silva, esta união entre propósitos acadêmicos e a atividade do LINSE foi um dos motivos que levou à escolha do anexo pela Eletrobras. Essa visão é compartilhada pela arquiteta da Eletrobras, Elisete Cunha, que afirma que um dos diferenciais é justamente a vivência de estudantes em uma edificação NZEB em seu dia-a-dia.

Elisete destaca ainda o fato de o prédio ser destinado a sediar um Organismo de Inspeção Acreditado pelo Inmetro para etiquetagem de edificações: “Um uso de extremo alinhamento com a eficiência energética, sem dúvida”.

O Anexo FAUrb – NZEB aliará diversas táticas para manter um perfil de alto desempenho energético. Adotando estratégias bioclimáticas, como a orientação solar, o tamanho das aberturas e isolamento térmico, serão mantidas condições de conforto internas, na maior parte do tempo, a partir de meios naturais, complementados quando necessário. O prédio também terá geração de energia fotovoltaica, com capacidade instalada de 14 kW, o que, conforme as simulações, gerará mais energia do que o consumo, sobra essa que será abatida do consumo da Universidade. A tudo isso, será somada automação predial agregada à inteligência artificial, que atuará na tomada de decisão de uso dos sistemas complementares de iluminação e climatização a partir de informações coletadas por sensores.

Para chegar a essa configuração, diversos grupos da UFPel trabalharam coletivamente, de forma a garantir a forma final do projeto, tais como o Grupo de Pesquisa em Gestão da Construção (Gecon), da FAUrb, o Grupo de Aplicações em Inteligência Artificial (GAIA), do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTec) e a Superintendência de Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (SGTIC).

Repensando a construção

A chamada pública que ofereceu cerca de metade do valor da construção do prédio teve por objetivo, entre outros, a disseminação de um conceito de construção para o qual a indústria da construção volte seu olhar. A arquiteta do Procel explica que, além desse edital da Eletrobras, outras instituições estão incentivando esse tipo de edificação, tal como a Caixa, que oferece taxas diferenciadas de financiamento para edificações residenciais do tipo.

A ideia é que, cada vez mais, as edificações de alta eficiência energética vão tomando espaço, tal como acontece atualmente na União Europeia, local no qual tal exigência é compulsória. Para o professor Silva, o novo prédio poderá ser um marco de uma forma de repensar a forma de construir na UFPel. “É uma construção para quebrar paradigmas”, diz.

Na prática, segundo Elisete, essa é uma transformação que pode ocorrer de forma concreta, ao se projetar a partir do clima local, considerando regimes de insolação e ventos e a vegetação, permitindo soluções passivas de iluminação e ventilação; isso foi levado em consideração na proposta da UFPel, que é desafiadora por se localizar em zona bioclimática de invernos com baixas temperaturas e verões quentes e úmidos.


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