Metaverso

Brasil se prepara para o metaverso

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e a big tech Meta reuniram-se para discutir o futuro do metaverso no país

04 de Fevereiro de 2022 - 07h03 Corrigir A + A -

Por: K2. – Assessoria e Comunicação Digital

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Prefeitura de Uberlândia realiza a primeira reunião de um órgão público brasileiro no metaverso. Crédito: Divulgação/Prefeitura de Uberlândia.

Prefeitura de Uberlândia realiza a primeira reunião de um órgão público brasileiro no metaverso. Crédito: Divulgação/Prefeitura de Uberlândia.

As discussões sobre o metaverso se intensificam cada vez mais. O que parecia ter começado com as idealizações do CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, rapidamente tomou outras proporções e tem sido discutido por diferentes organizações em diversos países.

Recentemente, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) declarou haver planos para a criação de um centro para desenvolvimento de tecnologias voltadas ao metaverso. 

A iniciativa está sendo discutida com a Meta (antigo Facebook). 

Meta? Ex-Facebook? Como assim? 

Para quem ficou confuso sobre essa mudança de nomes, em 2021, o Facebook passou por uma reestruturação de sua identidade: foi criada a Meta, a “empresa guarda-chuva” sob a qual se encontra o Facebook (que agora é só o nome da rede social).

Em uma conferência realizada em outubro do último ano, Mark Zuckerberg anunciou a mudança e também destacou que o intuito é dissociar a big tech do nome Facebook - tendo em vista que a companhia é dona de outros grandes produtos, como Instagram e Whastapp.

O nome Meta faz referência direta ao metaverso e às experiências de imersão e realidade virtual.

No momento, nossa marca está tão intimamente ligada a um produto que não pode representar tudo o que estamos fazendo hoje. Com o tempo, espero que sejamos vistos como uma empresa de metaverso, explicou Zuckerberg.  

Qual é a relação disso com o Brasil?

O grande conglomerado Meta está interessado em lançar algumas ações de capacitação de jovens em programação, aceleração de startups, cidadania digital e conectividade no país. 

Além disso, em reunião realizada com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, foi destacado o foco no desenvolvimento do metaverso, conforme as propostas já anunciadas por Mark Zuckerberg. Essas iniciativas envolvem a união de espaços virtuais, onde as pessoas possam interagir a partir de qualquer lugar.

De acordo com Marcos Pontes, há prioridades do ministério que envolvem a Internet das Coisas (IoT) e inteligência artificial. Contudo, é possível que incluam nessa área o metaverso e a computação quântica. Talvez a gente pudesse ter uma parceria para o desenvolvimento de um centro de tecnologias para o Metaverso, destacou o ministro.

Quais são os próximos passos para o Brasil?

Não é novidade que, na prática, as coisas funcionam de forma diferente. A aplicação do metaverso no Brasil não acontecerá do dia para a noite e há algumas questões importantes no país que precisam ser levadas em conta. 

A primeira delas diz respeito a algo já discutido entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e a Meta: a capacitação de profissionais nas tecnologias do futuro. 

Os dados apontam uma realidade preocupante. Segundo um estudo da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), o setor de tecnologia no Brasil precisará de 70 mil profissionais por ano até 2024. 

No entanto, apenas 46 mil alunos se formam no país com um perfil tecnológico, o que representa um déficit muito grande para as áreas afins.

Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Kantar Ibope Media apontou que 6% dos brasileiros com acesso à internet já tiveram alguma experiência no metaverso. Essa porcentagem corresponde a 4,9 milhões de pessoas.

Há também algumas iniciativas de organizações brasileiras que envolvem o metaverso. Esse é o caso do Banco do Brasil, que possui ações do mundo real deslocadas para a cidade virtual do “Complexo”, que é um servidor de RolePlay.

Entre as opções, há fundos de investimento sustentáveis, por exemplo. No game, o jogador tem a chance de abrir contas e conquistar benefícios para o seu avatar (personagem). Além disso, são oferecidos empregos como abastecedor de caixa eletrônico. 

“O ‘Complexo’ conduz o gamer na interação de um edifício do Banco do Brasil, com base na sede existente, em Brasilia, e promove um tour virtual pelo prédio histórico que abriga o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ), acompanhando de perto a exposição ‘Egito Antigo’”, explica o Banco.

Futuro do metaverso

Para Zuckerberg, o metaverso se concretizará em sua plenitude no prazo de 10 a 15 anos. Os ambientes virtuais terão três dimensões de interação e as pessoas poderão interagir através de avatares. 

Segundo a Brasscom 91% dos brasileiros que testaram o metaverso são usuários que apreciam novas tendências tecnológicas e se interessam pela experimentação. 

Esses 6% das pessoas brasileiras com acesso à internet que já experimentaram o metaverso são chamados de early adopters, que em tradução literal para língua portuguesa significa “pioneiros na adoção”, ou seja, pessoas antenadas que gostam de testar novas tecnologias.

Uma das maiores motivações para brasileiros acessarem o metaverso é a indústria dos games. De acordo com o estudo, 89% dos usuários afirmam que jogam algum jogo eletrônico.

Entre os jogos acessados, League of Legends e Fortnite são as principais escolhas dos usuários de metaverso no país. Esses jogos funcionam como um espaço de imersão digital, onde há inúmeros eventos virtuais que atraem os usuários, como festas, festivais e espetáculos. 

Em 2021, por exemplo, o Fortnite lançou uma turnê que rendeu um engajamento enorme: a Rift Tour, na qual a cantora estadunidense Ariana Grande realizou uma apresentação. Os usuários do jogo não apenas assistiam à performance como também interagiam entre si. 

A primeira reunião de um órgão público brasileiro no metaverso

O setor público do Brasil também está se adaptando ao metaverso e suas potencialidades. Recentemente, a Prefeitura de Uberlândia (MG) foi o primeiro órgão público a realizar uma reunião diretamente no metaverso. 

O serviço público que não acompanha a modernidade, certamente, não irá atender aos anseios e necessidades da população. Vamos ficar atentos ao desenvolvimento e difusão dos equipamentos e serviços do metaverso para podermos utilizar em prol da população”, explicou o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão.

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Você acredita que o Brasil está preparado para a implementação do metaverso? Se isso acontecer, você será um usuário engajado ou não tem interesse nessa tecnologia? Conte nos comentários! ✍️ 


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