A tecnologia em prol da prevenção

Ada Bot chega para identificar violência psicológica contra mulheres

Chatbot criado pela UFPel visa conectar vítimas de agressão com orientações através do Whastapp

30 de Novembro de 2021 - 09h42 Corrigir A + A -
Chat oferece orientações às vítimas de violência psicológica (Foto: Jô Folha - DP)

Chat oferece orientações às vítimas de violência psicológica (Foto: Jô Folha - DP)

Humilhações, desvalorização moral, agressões verbais e ameaças. Qualquer mulher pode estar passando por violência psicológica e, por falta de informações básicas, não saber que se encaixa neste grupo. Em busca de auxiliar na identificação do nível deste tipo de agressão em um relacionamento e orientar sobre como e onde procurar ajuda de forma gratuita, o projeto de extensão Mais Juntas, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), lançou o Ada Bot, um software capaz de manter uma conversa com um usuário através do WhatsApp e proporcionar ajuda, que vai desde orientações jurídicas até uma rede de apoio online.

A ideia partiu do projeto extensionista e, a partir dele, foi realizado um Living Lab, ou uma reunião, que uniu o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Professora Cláudia Hartleben, o Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (Gamp), o Emancipa Pelotas, a Secretaria de Assistência Social (SAS) e o Gurias Tech. As entidades, que trabalham com temas voltados a mulheres em Pelotas, uniram-se para debater os problemas enfrentados pela sociedade que não são resolvidos por si só e nem por instituições públicas ou privadas. A constatação se deu no segundo encontro: a violência de gênero ou violência psicológica está em diversos lares.

A coordenadora do Mais Juntas e professora do Centro de Engenharias da UFPel, Larissa Medianeira Bolzan, explica que durante as reuniões foi levado em consideração que uma mulher que está sofrendo violência psicológica não se abre para os outros por vergonha ou por não entender que está passando por um tipo de agressão não-física. "Foi notada a necessidade da mulher responder a um questionário sozinha, sem que isto cause vergonha. Qualquer mulher pode fazer e quem sabe entender que aquele grito não é normal, que aquele assédio não é normal, que isso não é amor, não é coisa de relacionamento".

Conforme explica a coordenadora do Centro de Referência de Atendimento a Mulher, voltado a mulheres em situação de violência, Paola Fernandes, a partir do chatbot será possível medir os índices deste tipo de agressão na cidade. "A violência psicológica é muito mais sutil que a física e difícil de perceber. A gente não percebe as pequenas coisas, na chantagem emocional, a gente não se dá conta que um relacionamento pode ser tão nocivo para nossa vida e nossa saúde". Ela conta que muitas mulheres que chegam ao Centro possuem um grau de dificuldade de entendimento sobre a vivência de um relacionamento abusivo.

Como funciona?

O nome Ada Bot faz jus à matemática e lembra a escritora inglesa Ada Lovelace, responsável pela criação do primeiro algoritmo matemático para computadores. "Já que é uma mulher e ela desenvolveu esse algoritmo da tecnologia digital, e o Ada é uma tecnologia social, mas também digital, nós utilizamos o nome Ada", explica Larissa Bolzan. O nome através do qual o chat se comunicará é Maria Ada. "A gente 'abrasileirou' para criar uma Ada brasileira, como nós todas", brinca.

Trata-se de um robô, com mensagens automáticas. Basta adicionar o contato no telefone e mandar um "Oi" através do WhatsApp. A partir de 19 perguntas, validadas por psicólogos voltados à violência de gênero - como "seu parceiro grita com você?" e "seu parceiro quer escolher suas amizades?" - e que levam em torno de dez minutos para serem respondidas, a chatbot verifica o nível de violência contido em um relacionamento. A partir do resultado, são indicados os modos de buscar auxílio, que vão desde orientações jurídicas a uma rede de apoio online, todos totalmente gratuitos.

Sua abrangência é nacional, mas inicialmente está focada na Zona Sul do Estado. A professora conta que não pensou que o projeto seria de grande resultado, logo o planejamento grande e rápido ainda não foi projetado, uma vez que demanda parcerias, mas ela não nega a ampliação do acesso. "A gente fica extremamente feliz por criar o chatbot, de conseguir colocar para rua. A gente fica muito feliz em conseguir ajudar as mulheres, assim cumprimos o nosso objetivo", finaliza.

Não se cale!

Chame a Ada Bot através do (53) 99176-6604

Instagram para mais informações: @mariaadasilv
Instagram do projeto de Extensão Mais Juntas: @maisjuntas.ufpel


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