Polícia

Uma sede própria e moderna para a PF em Pelotas

Novo titular da Delegacia da Polícia Federal, Robson Robin da Silva fala sobre os desafios da instituição

05 de Setembro de 2020 - 12h07 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

Como agente, delegado Robin participou da primeira força-tarefa na cidade, na década de 90 (Foto: Divulgação - DP)

Como agente, delegado Robin participou da primeira força-tarefa na cidade, na década de 90 (Foto: Divulgação - DP)

Quando fez parte da primeira equipe de Força-Tarefa montada para atuar em Pelotas, lá na década de 90, o então agente federal Robson Robin da Silva não imaginava que um dia estaria à frente da Delegacia de Polícia Federal. Sua chegada foi em janeiro e quando se preparava para colocar em prática todas as suas ideias e propostas de trabalho, veio a pandemia, fato que não desmotivou sua equipe, apenas está prolongando a execução de algumas atividades.

Para saber um pouco mais dos desafios do titular, o Diário Popular conversou com o delegado de 57 anos. Natural de Santiago, formado em Direito, com especialização em Gestão Pública e com 37 de profissão, o titular assume que tem uma ligação especial com a cidade e muito trabalho a fazer.

“Eu cheguei em Pelotas em janeiro deste ano dentro de processo de gestão da PF de revezamento, assumindo a responsabilidade pelas atividades administrativas, sem deixar de atuar como polícia judiciária”, revela. Isso inclui organizar toda a estrutura de atendimento às empresas que lidam com produtos controlados, uma vez que, em um desvio de conduta, podem ser usados em refinos de entorpecentes. Também fiscalizar empresas que executam serviço de segurança privadas e regularizar os cursos de formação de vigilantes. Sem contar o atendimento ao cidadão que deseja ter o porte e o registro de uma arma, demanda que vem aumentando segundo Robin.

Com uma proposta de gestão para dois ou três anos, o delegado logo pensou em facilitar o acesso do pelotense e dos moradores da região na aquisição de passaporte, firmando uma parceria público-privado para a instalação de um posto de trabalho e também para atendimento a estrangeiros no Shopping Pelotas. “Nossa ideia é levar os atendimento, inclusive o serviço de registro de porte de armas para um local que oferece segurança e comodidade. A Polícia Federal vem fazendo isso em todo o país”, sinaliza. Robin lembra que em meio à pandemia, o atendimento segue na sede da PF, na avenida Duque de Caxias, 1.049, mas de forma restrita e com agendamento.

Estrutura

Entre as metas do novo delegado, está oferecer melhores condições de trabalho a sua equipe, o que requer obras estruturais na atual sede, ou a locação de um novo espaço. “Acontece que Pelotas não tem um prédio vocacionado para esse tipo de demanda, que requer espaço, estacionamento estrutura para prisões provisórias e, principalmente, para a instalação do nosso laboratório, com todas as observâncias técnicas exigidas.” Dentro dessa visão, a meta é de longo prazo. “O que está concretizado é a construção de uma sede própria e moderna. Temos que avançar na questão do terreno, para iniciar o processo de construção. Mas ainda estamos na fila” diz. O titular ressaltou ainda que em conversa com a prefeita Paula Mascarenhas - quando foi convidado a integrar o GGI-M - o Executivo sinalizou interesse em colaborar para que a sede própria se concretize.

Rota do crime

Em meio à pandemia da Covid-19, o novo titular da PF em Pelotas lembra que o trabalho remoto, alternativa usada para evitar a propagação do coronavírus - leva as equipes cada vez mais para a rua. “E isso é um desafio a todos os órgãos de segurança da cidade.” Com formação, especialização, qualificação e paixão em combater o tráfico de drogas internacional, o profissional já atuou no quadro técnico Secretaria Nacional de Segurança Pública, e toda sua experiência está sendo colocada em prática na delegacia regional, com várias investigações em andamento. “Minha marca forte é combater o crime organizado e estou em uma região estratégica, cortada pela BR-116, que possibilita o desenvolvimento para o bem comum, mas também interessa ao crime”, observa. Para Robin, a região, pela diversidade, é objeto de muito assédio de criminosos, sendo que no período de pandemia, muitos crimes estão sendo orquestrados pelas redes sociais. “Mas estamos atentos a tudo isso e já efetuamos duas prisões de pessoas que receberam notas falsas pelos Correios.”

O que chamou a atenção no primeiro semestre de 2020, de atividade na região, foram os crimes contra o sistema financeiro ou evasão de divisas. Somente no primeiro semestre foram R$ 2 milhões apreendidos, de forma fracionada, em que que os suspeitos transportavam grande quantidade de dinheiro de maneira duvidosa. “Não é normal uma pessoa levar dentro de uma caixa de som R$ 200 mil”, comenta.

O trabalho da PF tem tido efeito pela parceria com a Polícia Rodoviária Federal. “Numa das linhas de investigação, descobrimos que em duas situações o dinheiro era pagamento pelo entorpecente, vendido no Uruguai, o que caracteriza o tráfico internacional de drogas”.


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