Criminalidade

Um fevereiro violento em Rio Grande

Para conter a onda de crimes, três em dois dias, polícias apostam no combate ao tráfico de drogas

18 de Fevereiro de 2021 - 11h39 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

Este mês a Polícia Civil apreendeu mais de 20 armas (Foto: Divulgação - Polícia Civil)

Este mês a Polícia Civil apreendeu mais de 20 armas (Foto: Divulgação - Polícia Civil)

Uma mulher morta em frente à filha de três anos; um caminhoneiro encontrado sem vida, e um desentendimento que acabou em tiroteio e morte de uma pessoa. Assim, Rio Grande contabiliza mais um mês violento. Em janeiro foram cinco homicídios. Para conter a onda de criminalidade, Brigada Militar e Polícia Civil apostam em ações estratégicas e contam com as parcerias da Segurança Pública da cidade, como Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), Guarda Municipal, Bombeiros e agentes de Trânsito da cidade, em ações integradas. O foco principal está no combate ao tráfico de drogas, uma vez que, para as autoridades, é um fator que desencadeia outros crimes como furto, roubo e homicídio.

Paralelamente aos crimes, até o momento, fevereiro está sendo também um mês de prisões e apreensões de drogas e armas. De acordo com a titular da 7ª Delegacia Regional de Polícia Civil, delegada Lígia Furlanetto, são mais de 20 armas retiradas das ruas nesse período, fato que, segundo ela, atinge negativamente as facções criminosas. A resolução dos casos e prisões também passa à sociedade uma maior sensação de segurança. Dos crimes do último final de semana, o autor do feminicídio foi preso em flagrante por matar a mulher e ferir a facadas a cunhada. O homicídio ocorrido na rua Henrique Pancada, quando um homem disparou várias vezes e acabou tirando a vida de uma pessoa, também acabou em prisão feita pela Brigada Militar. Segue sendo investigado a circunstância em que um homem foi encontrado morto dentro de um caminhão, com um corte profundo no pescoço. “Essas são situações específicas e esporádicas, digamos, e estão dentro das probabilidades de ocorrer, mesmo com as ações policiais em andamento. Pelo que temos monitorado e por cruzamento de dados, não são homicídios relacionados com disputas de facções. Mesmo assim, intensificamos estratégias de repressão e de investigação contra o crime organizado desde o ano passado”, lembrou Lígia.

Desafio

Recém chegado a Rio Grande, o novo comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar (6ºBPM) de Rio Grande, que abrange ainda os municípios de São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Chuí, o major Oberdan do Amaral Silva diz que a situação é de enfrentamento ao crime, principalmente o tráfico de drogas. “Onde há traficância, há crimes como furto, roubo e homicídio.” Para a autoridade, esse é o caminho traçado em conjunto com os demais Órgãos de Segurança. Numa primeira análise, o major considera positivo o desempenho das operações integradas.

“Nosso contato com a Susepe, por exemplo, permite saber quem está em situação de foragido”. Amaral Silva contabiliza uma prisão, às vezes até três, por dia pela BM, de pessoas que deveriam estar com tornozeleira ou cumprindo prisão domiciliar.

Homicídios

O comandante explica que toda ação de prevenção é trabalhada sobre os índices de criminalidade, mas no caso do homicídio, o autor já sai com a intenção de matar, o que dificulta inibir a ação. “Atuar em fatores que possam influenciar na decisão da pessoa de cometer um crime é a alternativa.” Ele cita as abordagens em possíveis pontos de venda de drogas e praças como exemplo. “O recolhimento de armas também é um fator positivo, uma vez que toda peça usada para o crime ou é roubada ou contrabandeada.” Embora os indicadores apontem que esse tipo de crime ainda esteja 66,6% menor que todo o mês de fevereiro de 2020, quando seis pessoas foram assassinadas, o empenho em reduzir os índices criminais é o mesmo, segundo as autoridades.

Para o comandante do 6ºBPM, a participação da comunidade em informar uma possível situação de risco é fundamental para o trabalho da Brigada Militar que atende 24 horas pelo 190. “Para isso estamos qualificando o sistema de atendimento da Sala de Operações”, garantiu o major.


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