Retrospectiva

Policiamento redobrado e um inimigo invisível

Além das ações já rotineiras, 2020 exigiu das forças de segurança um patrulhamento forte para tentar coibir a proliferação do coronavírus na cidade

31 de Dezembro de 2020 - 16h37 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

Retrospectiva1_ Michel CorvelloBarrar a pandemia foi o grande desafio para as forças de segurança (Foto: Michel Corvello - Ascom)

O ano da pandemia da Covid-19 redobrou o trabalho de quem sempre esteve na linha de frente no combate à criminalidade. Um 2020 atípico até para os índices criminais, que apontaram importantes reduções nos casos considerados graves, como homicídios (46%) e latrocínios (80%), mas mostrou a fragilidades das vítimas de violência doméstica e a vulnerabilidade de idosos que viraram alvo de organizações criminosas. E mesmo em meio à pandemia, quando as corporações tiveram que lidar com afastamentos de infectados e grupos de riscos, a resposta à sociedade foi rápida, com operações que desmantelaram quadrilhas envolvidas com o tráfico de drogas, falsificação de moedas e estelionatos que levaram a desfalques milionários para os bandidos. Acompanhe:

O ano parecia começar normal dentro do conceito de segurança pública. Policiamentos ostensivo, repressivos, fiscalizações e muitas investigações avançaram o mês de janeiro, que teve dois empresários sequestrados, resultando na morte dos criminosos. O único latrocínio e o primeiro homicídio de 2020 foram de jovens de 23 e 24 anos. Já fevereiro chegou com as notícias do coronavírus já figurando com relevância no noticiário nacional. Foi lançada em Pelotas a campanha Não é Não, de combate à importunação sexual. Foi quando a Covid-19 passou a fazer parte da vida de cada uma dos mais de 800 mil habitantes da Zona Sul.

Na linha de frente, polícias civis, militares, guardas municipais e agentes federais passaram a acumular mais uma função: fiscalizar a população diante das medidas de proteção, principalmente a partir do dia 19 de março. Surgiu a Equipe Volantes da Polícia Civil; 330 presos na região em regime semiaberto foram liberados para evitar surtos dentro dos presídios, ao mesmo tempo em que as visitas nas casas prisionais foram suspensas. O abril ficou marcado pelo início às operações de conscientização para a propagação do vírus através do isolamento social e distanciamento controlado. Neste mês, a Guarda Municipal recebeu reforço de 27 profissionais.

O principal pedido das autoridades da área da saúde em maio - ficar em casa - teve um significado diferente às mulheres vítimas de agressões: o medo. Os boletins de ocorrência de ameaças fizeram as delegacias especializadas partirem para medidas que pudessem garantir uma quarentena tranquila. Os casos de feminicídios aumentaram no Estado e, em Pelotas, o vereador Fabrício Tavares (PP) apresentou a lei que obriga os condomínios a denunciarem casos de violência doméstica, lei esta aprovada no final do ano pela prefeita Paula Mascarenhas.

O quadro nos efetivos dos órgãos em julho sofreu abalos, o que não impediu que a Polícia Civil desmantelasse uma quadrilha que aplicava golpes do falso aluguel. Também foi o mês em que a procura pela Delegacia On-line cresceu 40% e ações radicais foram lançadas para proteger as vítimas da violência doméstica com as Campanhas Máscara Roxa e Sinal Vermelho. Mesmo assim, São Lourenço do Sul foi palco de uma tragédia: o assassinato de uma jovem pelo companheiro, que depois tirou a própria vida. Em Rio Grande, a Penitenciária Estadual foi interditada parcialmente por causa de um surto de Covid-19. Em agosto, o governo do Estado lançou o Comitê Interinstitucional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, com esforços dos três poderes e 16 instituições.

A permanência em casa fez com que os golpes pelo WhatsApp aumentassem 60% em setembro. Na fronteira, uma tragédia: um casal foi morto em Jaguarão, sendo que os suspeitos são a nora (que teria executado), o filho e um amigo. Todos os três foram presos.

Quando o Estado finalmente conseguiu apresentar dados positivos, com a redução dos feminicídios, Simone Souza, de 23 anos, foi violentada e morta na praia do Cassino. Em São Lourenço do Sul, Tairane Bauer Macedo, 24 anos, foi morta a tiros pelo companheiro, na frente do filho pequeno. As polícias agiram rápido com as investigações e os dois autores foram presos.

“O ano foi muito difícil, mas os nossos policiais continuaram se dedicando, sempre tentando prestar os melhores serviços à sociedade. Tivemos que enfrentar muitos desafios, procurando minorar ao máximo os riscos de contaminação pelo Covid-19 e, ao mesmo tempo, continuar trabalhando. E o fizemos”, ressaltou o titular da 18ª Delegacia Regional de Polícia Civil, Márcio Steffens.

2020 em números

PRF
1°/1 a 21/12
262 prisões
Apreensões:
R$ 1,56 milhão e
1,2 tonelada
de drogas

GM
1º/1 a 12/12
167 prisões

4º BPM
1º/1 a 30/12
1.479 prisões
e 142 armas

18ª Polícia Civil
1º/1 a 30/11
540 prisões
e 264 armas

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