Investigação

Polícia de Pelotas prende estelionatário na Colômbia

Defesa do empresário do setor imobiliário diz que irá provar na Justiça que não houve golpe

19 de Outubro de 2021 - 13h25 Corrigir A + A -
A ação foi batizada de Operação Bogotá, em referência à capital colombiana onde o investigado foi detido.

A ação foi batizada de Operação Bogotá, em referência à capital colombiana onde o investigado foi detido.

Atualizada às 21h40min para acréscimo de informações

O homem suspeito de dar um golpe de mais de R$ 2,5 milhões no ramo imobiliário foi preso na Colômbia após representação por prisão preventiva realizada a partir de investigação da 1ª Delegacia de Polícia de Pelotas. O Diário Popular divulgou o caso em março deste ano, após ser procurado por algumas vítimas que calculavam, na época, um prejuízo de R$ 5 milhões. A investigação policial identificou que o golpe milionário atingiu ao menos 30 pessoas. O suposto empresário lançou empreendimentos imobiliários e, posteriormente às vendas, interrompeu as obras, causando prejuízo aos compradores. Além disso, o suspeito chegou a comercializar uma mesma unidade habitacional, na rua José do Patrocínio, esquina Dom Pedro II, para mais de uma pessoa, recebendo os valores em dobro. A defesa do empresário garante que a obra está em andamento e que será provado na Justiça que não houve golpe.

A ação que prendeu o empresário foi batizada de Operação Bogotá, em referência à capital colombiana onde o investigado foi detido. “Nossa estimativa inicial é de um golpe superior a R$ 2,5 milhões, mas temos convicção de que com a repercussão do caso, outras vítimas que até então estavam somente com ações na esfera civil procuraram a Polícia Civil para relatar outros golpes”, afirma o delegado Gustavo Pereira, da 1ª DP.

Durante as investigações foi possível verificar que o suspeito, dono do Hayloft Dona Janaína, havia saído do país após a paralisação das obras. Dessa forma, foi solicitada sua prisão preventiva ao Poder Judiciário e o auxílio da Polícia Federal para inclusão do nome do foragido na Difusão Vermelha da Interpol a fim de concretizar sua captura. No último domingo, o investigado foi preso pela polícia colombiana na cidade de Bogotá. A partir daí aguardará o processo de extradição para o Brasil para responder pelos crimes dos quais é acusado.

O delegado Gustavo Pereira afirmou que os estelionatários se valem do descumprimento contratual como uma espécie de escusa para o intuito criminoso. “Além dos danos financeiros às vítimas, a conduta do suspeito abalou significativamente o psicológico de pessoas que sonhavam em ter seu imóvel próprio. Uma das vítimas, por exemplo, teve seus negócios desestruturados, perdendo completamente sua capacidade de fluxo de caixa nos negócios, chegando a necessitar de tratamento psiquiátrico”, afirma a autoridade policial.
De acordo com o delegado, o suspeito enganou as vítimas durante anos. “Seu intuito criminoso era preexistente, pois anunciou em aplicativo de negócios, apartamentos já vendidos. Angariou grandes quantias, já prevendo o não cumprimento dos contratos. Diante das cobranças, permaneceu no ardil, ludibriando as vítimas até a sua saída do país”, finalizou o delegado.

Um dos compradores falou com a reportagem. Ele prefere não se identificar. Disse que com a prisão espera reaver algum dinheiro. “Mas acho difícil.”

CONTRAPONTO

O advogado de defesa do empresário conversou com a reportagem, mas pediu para não ser identificado. Segundo ele, nenhum estelionatário manteria uma grua cara em uma obra se ela não estivesse em andamento. “O que ocorreu é que a pandemia potencializou a situação de crise na construção civil e, com isso, houve uma pausa.” Conforme a defesa, será provado ainda que nesse período foi buscado investimentos para aplicar na obra. “O meu cliente não estava fugido. Seu e-mail está ativo”, garantiu.

Relembre o caso

A venda em 2017 era atraente: um apartamento duplex, com mezanino, pé direito de cinco metros de altura e com a novíssima tecnologia Beyond em que o proprietário controla o imóvel de qualquer lugar do mundo. As negociações com a Habitare Empreendimentos Imobiliários Ltda. ocorreram normalmente, sendo que alguns investidores pagaram à vista e outros quase 90% do valor quitado, até fevereiro do ano passado, quando o responsável pelo empreendimento comunicou que a obra teria que parar em função da pandemia, pois faltou mão de obra. Os compradores acompanharam com receio a situação, até que em novembro de 2020, o proprietário da Habitare parou de responder às chamadas. Em março deste ano, os contatos telefônicos indicavam que os números não existiam, o que só aumentou a angústia para quem investiu na nova moradia.


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