Polêmica

Polícia Civil investiga possível apologia ao nazismo

Foto do aniversário de estudante de História da UFPel com bolo com imagem de Hitler repercute nas redes sociais

18 de Outubro de 2021 - 18h44 Corrigir A + A -
Caso está sendo investigado pela Polícia Civil (Foto: Divulgação - DP)

Caso está sendo investigado pela Polícia Civil (Foto: Divulgação - DP)

Nas últimas semanas, a foto de um bolo com a imagem de Adolf Hitler ganhou repercussão nas redes sociais. O registro foi feito durante a festa de aniversário de 24 anos da estudante do curso de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Caroline Gutknecht. A situação, que está sendo investigada pela Polícia Civil, dividiu a opinião dos internautas e gerou uma nota da instituição de ensino contra a ação da acadêmica.

As fotos da celebração com uma imagem do líder nazista foi publicada no final do mês de setembro por Caroline em seu perfil no Facebook. Logo após, usuários da rede social compartilharam capturas de tela fazendo fortes críticas à foto estampada na cobertura do bolo, remetendo à figura central do Holocausto, maior genocídio do século XX, que vitimou cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Na legenda, a jovem escreveu "E aqui a hora do parabéns tava ótimo" (sic).

Nos comentários, muitas pessoas não aprovaram o gesto. "Essa brincadeira é crime, na lei, na Constituição. Não tem sensibilidade de ninguém envolvido nisso", manifestou-se um comentarista. Porém, houve também quem defendesse a estudante. "As pessoas estão muito sensíveis. Possivelmente foi uma brincadeira entre a família", escreveu outro usuário da rede social.

UFPel se pronuncia

"A UFPel é contra qualquer forma de enaltecimento ao nazismo, ao fascismo e a autores de crimes contra a Humanidade", diz o documento publicado pela universidade em referência ao caso da aluna. Em conversa com a reportagem do Diário Popular, o representante da reitoria, Marco Aurélio Fernandes, informou que o episódio chegou até a instituição através da ouvidoria, que logo em seguida encaminhou para as autoridades policiais. Ele explica que, por não ter ocorrido durante atividade acadêmica ou dentro das dependências da UFPel, não foi aberta ação administrativa. "A princípio, pelo que está posto hoje, não vejo um fundamento jurídico para concluir que nessa atitude dela a consequência seja a perda da vaga na universidade, justamente pelo fato desta ação ter ocorrido em um ambiente privado", argumentou.

Fernandes diz que é a primeira vez que esse tipo de postura é registrado e que a UFPel seguirá acompanhando os desdobramentos do caso. "É lamentável que neste momento da nossa história tenhamos que conviver com situações como essa."

Polícia está investigando

Um inquérito foi instaurado na Polícia Civil de Pelotas para apurar o caso. Segundo o delegado regional Márcio Steffens, o próximo passo da investigação será ouvir os envolvidos. O órgão tem até 30 dias para emitir um parecer se houve ou não crime por parte da estudante. "Vamos avaliar qual era a intenção dessa moça", indica Steffens.

O delegado ainda explica que o episódio está descrito na lei 7.716/1989. Na legislação, está caracterizado como crime "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo". Nesse caso, a pena é de dois a cinco anos de reclusão e multa.

A reportagem não conseguiu contato com a estudante até o fechamento desta edição.


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