Investigação

Polícia Civil alerta para o golpe do cartão de crédito

Modalidade tem se tornado comum em Pelotas e chama atenção pelo procedimento

07 de Julho de 2019 - 08h00 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Delegada Lisiane Mattarredona disse que só na 1ª DP foram 20 registros (Foto: Gabriel Huth - DP)

Delegada Lisiane Mattarredona disse que só na 1ª DP foram 20 registros (Foto: Gabriel Huth - DP)

A Polícia Civil faz um alerta para uma nova modalidade de estelionato que está sendo praticada em Pelotas, é o golpe do cartão de crédito. Desde o início do ano, 55 casos já foram registrados, sendo 20 só na área central da cidade sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Polícia (DP). A maioria dos golpes foram aplicados em nome do Banco do Brasil, no entanto, os bandidos utilizam outras instituições para a prática do crime. As vítimas, em sua maioria, idosos com prejuízos que variam de R$10 mil e R$ 20 mil.

De acordo com a titular da 1ª DP e responsável pela investigação dos casos, Lisiane Mattarredona, criminosos se passam por funcionários de instituições bancárias, ligam para o telefone residencial da vítima e perguntam se ela fez a compra "x" no cartão. Com a negativa, os estelionatários orientam a ligar para o 0800 que está no verso. A delegada explica que, como a ligação é feita para telefone fixo, no momento em que a vítima desliga, os golpistas continuam na linha. "Por estarem muito nervosas, as pessoas não percebem que os bandidos continuam na linha e ligam para o número indicado que acaba caindo nos estelionatários. Com isso, elas seguem as orientações dos bandidos porque acreditam estar falando com o banco e passam os números de senhas e outras informações", explicou.

A Polícia Civil já identificou que os criminosos possuem, inclusive, "jingles" dos bancos para que a pessoa acredite que está falando com funcionário da instituição. Depois de feita a ligação, os bandidos conseguem fazer com que a vítima digite a senha do cartão e, através de um sistema de computação, capturam os números confidenciais. Logo em seguida, orientam a pessoa a quebrar o cartão ao meio e informam que servidores do banco ou da Polícia Civil irão buscar o cartão quebrado. "A polícia não faz esse tipo de serviço, exceto, se for uma intimação ou mandado judicial", alertou a delegada. Na 1ª DP, há relatos de vítimas que contaram que um homem bem vestido e com crachá de identificação foi até a casa e pegou o cartão quebrado.

O esquema é organizado e os criminosos possuem tarefas distintas. A seção de investigação da 1ª Delegacia apurou que mulheres agem como telefonistas e os homens realizam o trabalho de buscar o cartão. Algumas ligações já duraram de duas a quatro horas. "Eles se aproveitam do estado nervoso da vítima e conseguem todos os dados e senhas". A 1ª DP apura como os bandidos conseguem os dados pessoais das vítimas e tenta identificar os membros do grupo.

O gerente geral da Agência Estilo, do Banco do Brasil, Maiquel Almeida, ressalta que em hipótese alguma a instituição envia pessoas ou funcionários para buscar cartões e jamais pede ou irá pedir número de senhas. Almeida salienta que, qualquer ligação suspeita, o correntista entre em contato com a agência ou o gerente.

Denuncie
A Polícia Civil pede para que as pessoas denunciem o crime mesmo que não tenha sido consumado e alerta para que os comerciantes fiquem atentos aos cartões de crédito e confiram se o mesmo está em perfeita condições. Em caso de suspeita, entre em contato com a 1ª DP através do (53)3225-2599 ou pelo 197. O registro de ocorrência é feito da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).

COMO FUNCIONA
1) Criminosos fingem ser funcionários de instituição bancária, ligam para o telefone residencial da vítima e perguntam se a mesma fez a compra "x" no cartão.

2) Com a negativa, os estelionatários orientam a pessoa a ligar para o 0800 que está no verso do cartão. Como a ligação é feita para telefone fixo, no momento em que a vítima desliga, os golpistas continuam na linha.

3) A vítima não percebe que os bandidos continuam na linha e liga para o número indicado que acaba caindo nos estelionatários. Os criminosos, possuem, inclusive, "jingles" dos bancos para que a pessoa acredite estar falando com funcionários da instituição.

4) Feita a ligação, os bandidos conseguem fazer com que a vítima digite a senha do cartão e, através de um sistema, captura os números confidenciais. Logo em seguida, orientam a pessoa a quebrar o cartão ao meio e informam que servidores do banco ou da Polícia Civil irão buscar o cartão quebrado.

5) Depois de todo o procedimento, um homem bem-vestido e com crachá de identificação vai até a casa da vítima e pega o cartão quebrado. A partir daí, se utiliza da parte com chip para fazer compras e outros gastos. Há casos de criminosos colarem o chip de um cartão em cima de um outro de uma terceira pessoa.


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