Criminalidade

Pelotense relata momento de tensão no assalto a banco em Criciúma

Cerca de 30 criminosos explodiram a agência, fizeram reféns, aquartelaram a PM e deixaram um ferido

01 de Dezembro de 2020 - 16h12 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

Pelotense Heitor Araújo relata momento de tensão. (Foto: Guilherme Cordeiro)

Pelotense Heitor Araújo relata momento de tensão. (Foto: Guilherme Cordeiro)

Polícia Civil armou cerco para localizar quadrilha. (Foto: Divulgação)

Polícia Civil armou cerco para localizar quadrilha. (Foto: Divulgação)

Atualizada às 16h15min para acréscimo de informações

"A cidade está sitiada. Não saiam de casa", essa foram as palavras do prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, na madrugada de ontem ao se deparar com a situação de terror criada por cerca de 30 criminosos. Com armas de grosso calibre, eles invadiram e assaltaram uma agência do Banco do Brasil no centro da cidade. Servidores que pintavam uma faixa de segurança foram usados como reféns, fazendo cordão humano. Para dificultar o trabalho da polícia, os bandidos incendiaram um caminhão em frente ao batalhão, inviabilizando a saída de algumas viaturas da Polícia Militar. Em vários pontos da cidades, os bandidos atiraram para o alto, assustando a população. O jornalista pelotense Heitor Araújo acompanhou a situação e disse que era algo inacreditável.

De acordo com o delegado da Polícia Civil responsável pela investigação, Ulisses Gabriel, a ação começou pouco antes da meia-noite, quando começaram os primeiros disparos no batalhão da PM onde o caminhão foi incendiado fez os policiais percorrer cerca de dois quilômetros à pé para chegar à agência do Banco do Brasil, onde funciona a tesouraria regional do banco. Durante a troca de tiros, um policial militar foi alvejado e um refém foi agredido pelos criminosos. O policial passa por uma cirurgia e sua saúde inspira cuidado. Já o refém passa bem, informou o delegado.

Pelo menos R$ 340 mil foram recuperados em duas mochilas abandonadas e, posteriormente, roubadas por moradores locais. "Fui acionado por volta da meia-noite. Quando chegamos, populares estavam furtando parte do dinheiro que havia sido abandonado pelos criminosos. Quatro pessoas acabaram foram presas, com os valores dentro de seus apartamentos", disse o delegado. A Polícia Militar contabiliza até o momento R$ 810 mil recolhidos no local. Segundo ele, diligências e perícias estão sendo feitas no banco. "Há equipes analisando filmagens e câmeras de segurança. Muitos disparos foram efetuados no centro da cidade e vários prédios e construções foram alvejados", acrescentou.

O esquadrão antibombas foi chamado, pois cerca de 30 quilos de explosivos não detonados foram deixados no local podendo ser acionados via celular. Ao deixarem o local, os bandidos usaram cerca de dez veículos e foram na direção do município de Nova Veneza, a cerca de 10 quilômetros de Criciúma, onde teriam abandonado os carros e pego outros veículos. Ainda não se tem informações precisas sobre a origem dos criminosos.(Com informações da Agência Brasil)

Em coletiva de imprensa no município do Sul de Santa Catarina, o governador Carlos Moisés ressaltou que o Estado tem um histórico bem-sucedido de resolução deste tipo de crime, com um trabalho de excelência das polícias. "Não estamos medindo esforços para uma resposta rápida a este triste episódio.

Horas de medo e dúvidas

O repórter do Jornal Tribuna de Notícias, jornalista pelotense Heitor Araújo, que mora em Criciúma há um ano e meio, relata que estava na sala quando ouviu os primeiro disparos e logo o grupo da redação passou a comentar sobre o tiroteio. Como seu apartamento, no térreo, fica cerca de 600 metros do ocorrido, os estrondos (tiros e rajadas) ora eram próximos, ora distantes. "A sensação é que circulavam pela cidade atirando para coagir a população", disse. Fora longas duas horas, sendo que ao assistir os vídeos, o jornalista pensou que fosse uma ação policial pela organização da quadrilha. "A polícia militar ficou aquartelada."

Em meio à dúvida do que estava acontecendo, o repórter se refugiou no quarto, onde não há janela para a rua, pois soube que os criminosos faziam ronda em dez carros pretos. "Fiquei deitado ao lado da cama até a 1h30min, uma vez que quando tudo parecia ter se encerrado, uma nova explosão se ouvia ao longe", descreveu. Foi quando os amigos de Pelotas de Heitor passaram a chamá-lo pelo WhatsApp para ter notícias. "Assim que pude, avisei minha família."

Para o jornalista, foi algo inacreditável, sensação estava visível no semblantes das pessoas. "A tranquilidade só voltou pela manhã, quando a população pôde perceber muitas, mas muitas marcas de tiros pela cidade."

 


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