Essencial

Para dar um basta na violência contra a mulher

Ato Boca na Tribuna reuniu manifestantes no Centro de Pelotas e lembrou as vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul

27 de Novembro de 2021 - 16h46 Corrigir A + A -
Eva Santos (E) carregou no corpo o nome das vítimas da violência no Estado durante a leitura dos nomes (Foto: Leandro Lopes - DP)

Eva Santos (E) carregou no corpo o nome das vítimas da violência no Estado durante a leitura dos nomes (Foto: Leandro Lopes - DP)

Integrantes de coletivos e pessoas independentes acompanharam a manifestação no Calçadão (Foto: Leandro Lopes - DP)

Integrantes de coletivos e pessoas independentes acompanharam a manifestação no Calçadão (Foto: Leandro Lopes - DP)

Entre os discursos, até mesmo um poema foi lido pela causa na manhã de sábado (Foto: Leandro Lopes - DP)

Entre os discursos, até mesmo um poema foi lido pela causa na manhã de sábado (Foto: Leandro Lopes - DP)

A manhã de sábado foi de movimento intenso no Centro de Pelotas. Para muitos, uma oportunidade de ainda aproveitar alguns preços mais baixos proporcionados pelo “rescaldo” da sexta-feira de promoções. Mas, mais do que isso, quem circulou pelo Calçadão também recebeu a oportunidade de ouvir, aprender e se aproximar de um tema essencial: o combate à violência contra a mulher.

Convocado pela Frente Feminista 8M Pelotas, que abrange mais de 30 coletivos e entidades feministas, o ato Boca na Tribuna reuniu dezenas de pessoas no entorno do chafariz das Três Meninas. A manifestação denunciou o recrudescimento da violência contra a mulher. No Rio Grande do Sul, somente em 2021, até outubro, 87 mulheres foram vítimas de feminicídio, um crime que tem apresentado índices alarmantes, acentuados pelo período de isolamento social.

Durante o ato, que iniciou às 11h, todos que assim desejaram tiveram a chance de deixar o seu relato com o uso de um megafone, que propagou a voz, mas principalmente as ideias nas mensagens que foram ouvidas atentamente pelo público.

“Os feminicídios aumentaram muito, principalmente na pandemia. E além desse crescimento, também aumentou a forma violenta com que esses crimes são cometidos. O Boca na Tribuna vem denunciar toda violência contra a mulher, como também a violência étnico-racial e a violência das políticas de gênero”, defendeu a ativista Francisca Jesus.

A atividade integrou os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, uma pauta mundial. Em outros países são 16 dias, com início em 25 de novembro e fim em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. No Brasil, no entanto, a mobilização é maior. Começa no dia 20, data que marca o Dia da Consciência Negra, unindo assim uma dupla vulnerabilidade, questão preponderante que se observa principalmente no universo feminino.

Em respeito às vítimas

Em um dos principais momentos do ato de sábado houve um chamamento em memória de todas as vítimas de feminicídio no Estado em 2021. Os nomes das 87 mulheres foram lidos e a cada identificação foi possível ouvir o ecoar do tambor de sopapo, patrimônio da cultura pelotense. Cada batida da percussão representou a batida do coração de alguém que perdeu a vida pela violência de gênero. “E esses números seriam ainda maiores, pois não são incluídos nas estatísticas os números de transfeminicídios”, lembrou a ativista Eva Santos.

A vereadora Fernanda Miranda (PSOL) esteve presente e destacou a importância da união dos coletivos no ato, ao mesmo tempo em que lamentou a sua necessidade. “É um absurdo termos mais uma vez que vir às ruas para dizer basta, para pedir que parem de nos matar. Não somos objetos, somos seres humanos e queremos continuar vivas”. A exemplo de outras manifestantes, a representante do Legislativo pelotense lembrou de Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro após combater, entre outros pontos, o abuso policial e a formação de milícias. O crime ocorrido há 1.356 dias segue sem solução.

“Eu sou mãe, sou avó e também sou filha. Minha neta tem cinco anos e a gente já ensina a como se proteger na rua. Não é possível que a maioria da população tenha que viver permanentemente em estado de guerra, sem sentir segurança de parar em um ponto de ônibus ou ir à escola. Esse ato de hoje é sobre isso: sobre o direito de ter a vida garantida. Ainda que muitas pessoas passem por aqui e não parem ou não percebam, é importante o fato de estarmos aqui nos reconhecendo nessa luta conjunta”, apontou Eva.

Números na região

De acordo com os indicadores da violência de gênero no Rio Grande do Sul, atualizado no último dia 5 pela Secretaria de Segurança Pública, houve quatro ocorrências de feminicídios consumados na Zona Sul em 2021. Três delas foram em Rio Grande e uma em Pelotas.

Quanto às tentativas do crime, os números aumentam – assim como a presença de municípios da região na lista. São mais de 200 feminicídios tentados no RS este ano, até o início de novembro: dois em Canguçu, dois em São José do Norte, três em Pelotas e nove em Rio Grande.

O número de registros por ameaças contra as mulheres supera 26,3 mil no Estado. Somente em Pelotas são 594. Apenas 17 dos 497 municípios gaúchos não possuem ocorrências.

Notícias relacionadas


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados