Programa

Pacto Pelotas Pela Paz completa dois anos

Índices de criminalidade tiveram redução significativa, além de ações de prevenção à violência gerarem emprego e renda

12 de Agosto de 2019 - 09h02 Corrigir A + A -

Por: Redação
web@diariopopular.com.br

Evitar a evasão escolar - fator de risco para a violência -, resgatar a autonomia e a autoestima dos jovens, consolidar a relação professor-aluno e minimizar as situações de distorção entre idade e ano norteiam o Construindo Saberes (Foto: Igor Sobral/ASCOM)

Evitar a evasão escolar - fator de risco para a violência -, resgatar a autonomia e a autoestima dos jovens, consolidar a relação professor-aluno e minimizar as situações de distorção entre idade e ano norteiam o Construindo Saberes (Foto: Igor Sobral/ASCOM)

O Pacto Pelotas pela Paz, iniciativa da prefeitura de Pelotas, completou ontem dois anos com boas razões para comemorar. O programa é constituído por um conjunto de estratégias voltadas à redução da criminalidade e à promoção da paz, a partir de ações envolvendo toda a sociedade. Muito mais do que um olhar diferenciado sobre a segurança pública - apenas em 2019 houve redução de 35% nos crimes letais em Pelotas.

As mais de 30 ações desenvolvidas impactam o dia a dia de milhares de pessoas. Algumas, em particular, com o apoio da iniciativa privada, criaram mais de 1,4 mil oportunidades de emprego e geração de renda. Entre os projetos estão o Mão de Obra Prisional, voltado a apenados e egressos do sistema, e o Banco de Oportunidades, com foco nos jovens entre 14 e 24 anos. Essas atividades, além da qualificação, têm como objetivo a prevenção da violência, ao abrir novos caminhos.

Banco de Oportunidades
No Banco de Oportunidades - parceria do Município com empresários e instituições de ensino - mais de 1.100 vagas em cursos profissionalizantes, empregos, oficinas de esporte e cultura foram captadas. Entre as iniciativas que dão chance aos adolescentes para crescer e conquistar seus objetivos, está o Espaço de Referência para a Juventude, que funciona no Navegantes e oferece atividades profissionalizantes, e o Projeto Start, que abre portas no mercado de trabalho.

"Se olharmos apenas pra redução dos índices de criminalidade do presente, nós deixaremos de fazer uma ação fundamental que é preparar o futuro. Precisamos atacar as causas da violência, ou seja, investir em prevenção. Olhar para os jovens e investir na geração de emprego é a principal responsabilidade dos municípios", avalia a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB).


Mão de Obra Prisional
Em tratativas para ser replicado para o Estado, o Mão de Obra Prisional (MOP), que busca a ressocialização de presos através do trabalho, tem um objetivo simples: dar uma segunda chance. A iniciativa já envolveu mais de 300 apenados nos serviços de reforma de espaços públicos, limpeza da cidade e atendimento à população.

Além de promover a qualificação profissional, o projeto ajuda na ressocialização, pois as pessoas em cumprimento de pena trabalham em contato com a comunidade. Os "guris do MOP", como se autodenominam, já planejam o futuro. "É gratificante poder recomeçar, ter essa oportunidade. Depois quero continuar trabalhando com a prefeitura, em algum contrato ou fazendo concurso público", conta Igor, que é um dos responsáveis pelo atendimento no Ecoponto da Balsa.

Redução do crime
Entre 2017 e 2019, houve uma redução geral nos índices criminais de 23%, passando de 8.712 para 6.683. Contudo, a diminuição dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) - homicídio, feminicídio, latrocínio, dentre outros - foi ainda mais expressiva nesse período.

De janeiro a julho de 2017, 69 ocorrências do tipo foram registradas em Pelotas, número que caiu para 45 no mesmo período de 2019 (35% menos). Se comparados os números observados entre fevereiro de 2017 e abril de 2018 aos de entre maio de 2018 e julho de 2019, a redução nos crimes violentos chega a 44%. O resultado é considerado um sucesso pelo órgãos integrantes do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (Ggim), que faz parte do Pacto e reúne lideranças de várias instituições de segurança.

"A união dos esforços sempre será uma das soluções para os principais problemas envolvendo a criminalidade", opina o delegado da Polícia Civil (PC), Márcio Steffens. Ele diz que o Programa e o Ggim estão em constante evolução. "As metodologias vão se adaptando às necessidades, mas sempre objetivando a redução da criminalidade, com base em evidências e boas práticas."

O comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM), coronel Eduardo dos Santos Perachi, avalia positivamente essa união das forças de segurança . "Antes, cada um cuidava da sua área e, quando era preciso fazer alguma operação integrada, era comum os agentes envolvidos nem se conhecerem." Para Perachi, o processo de integração iniciado com o Pacto é algo já estabelecido e dificilmente se perderá, tendo em vista o sucesso da iniciativa. "O Ggim nos ensinou que é possível atuarmos juntos e com bons resultados. Ganha o serviço público, que fica mais ágil e efetivo, mas principalmente ganha a comunidade." O subcomandante do 4º BPM, tenente-coronel André Facin, complementa: "Foram dois anos de consolidação e ajustes, mas existe ainda um campo enorme para avanço".


Segurança em números (reduções registradas de janeiro a julho 2017 para 2019)

*Crimes violentos letais intencionais: -35%
*Roubo a pedestre: -32%
*Roubo a transporte público: -49%
*Roubo a residências: -44%
*Furto a veículos: -23%
*Furto a residências: -14%


Instituições que integram o Pacto
BM, PC, Corpo de Bombeiros, Susepe, Instituto Geral de Perícias (IGP), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério Público (MP), Poder Judiciário, Defensoria Pública, OAB Pelotas, Exército, Conselho Tutelar, Patram, Consepro, Sistema S e prefeitura.

Lares mais seguros
Através do programa (ACT - Criando Crianças em Ambientes Seguros), implantado como política pública no município de forma pioneira no Brasil, 218 pais, mães e cuidadores foram capacitados para educar seus filhos sem nenhuma forma de violência, utilizando o diálogo e o afeto como palavras-chave para embasar relações mais saudáveis e construir ambientes mais seguros. A partir de agosto, outras 200 famílias serão alcançadas.

Construindo Saberes
Evitar a evasão escolar - fator de risco para a violência -, resgatar a autonomia e a autoestima dos jovens, consolidar a relação professor-aluno e minimizar as situações de distorção entre idade e ano norteiam outro projeto bem-sucedido do Pacto, o Construindo Saberes, que registra resultados que comprovam a eficácia do papel da educação. Neste ano, 20 educandários mantêm a iniciativa, que ocorre sempre no turno inverso ao da aula. Através de pequenos grupos de estudo, o conteúdo é reforçado, as dúvidas são tiradas e o conhecimento se multiplica a partir das explicações de professores dedicados do município, como Jacqueline Braz, da Emef Ferreira Vianna, na Balsa.

"Não trabalhamos somente Português e Matemática, realizamos trabalhos de História, Arte, Geografia… Passamos técnicas de memorização, interpretação e formas de relacionar o conteúdo com a realidade dos estudantes. O vínculo entre professor e aluno fica mais forte e isso faz toda a diferença", opina Jacqueline.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados