União

Nove casais dizem sim em cerimônia no PRP

O casamento coletivo foi uma parceria entre Susepe, Vara de Execuções Criminais e Prefeitura de Pelotas

03 de Dezembro de 2018 - 21h30 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

(Foto: Carlos Queiroz - DP)

 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

(Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na sala da Assistência Social do Presídio Regional de Pelotas, a noiva “Michaela”, 29, carinhosamente chamada de “Mimi”, aguardava de mãos algemadas a chegada da reportagem do Diário Popular e da maquiadora responsável pela produção da primeira travesti a se casar dentro de uma penitenciária da região.
Mimi e o namorado - agora cônjuge -, ambos cumprem pena por roubo e dividem espaço com mais 45 presos na cela do Seguro. Juntos há dois dos sete anos que está na penitenciária, ela contou que já conhecia o companheiro, mas veio manter relacionamento dentro da cadeia. “Aqui a gente se conheceu mesmo, somos muito parceiros. Não temos problemas com outros presos, é questão de respeito”, comentou ao ser questionada quanto aos demais apenados.

Ansiosa pela cerimônia, para, enfim, realizar o sonho de casar e oficializar a união com Cristiano, Michaela disse que sempre teve apoio da família quanto à orientação sexual. Livre do crack e da cocaína há algum tempo e pai de um menino de sete anos, ela sonha com dias melhores. “Espero sair daqui e fazer tudo diferente, me refazer. As drogas são os maiores malefícios e o principal motivo de eu estar presa, mas sei que tenho uma dívida e preciso pagar.”

Enquanto a voluntária Nilza dos Santos preparava a maquiagem no rosto de Mimi, a travesti tentava desviar o olhar para o vestido de noiva, todo bordado, que estava pendurado atrás da porta da sala da Assistência Social. Para aliviar o nervosismo, ela contou que quando foi informada do casamento no Presídio, não sabia se poderia oficializar a união por conta da orientação sexual. No entanto, no momento em que soube da possibilidade, não restaram dúvidas. “Conversamos e decidimos que queríamos levar a vida juntos. Não é fácil estar presa, diante de diversas dificuldades do cárcere, mas quando se tem uma pessoa ao lado, as coisas se tornam menos piores”, disse.

Além de Michaela e o companheiro, outros oito casais celebraram casamento coletivo no Presídio Regional de Pelotas (PRP) ontem. É a primeira vez que uma casa prisional da Região Sul realiza união na cadeia. O casamento foi possível através de uma parceria entre a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), a Vara de Execuções Criminais (VEC) e a prefeitura de Pelotas que disponibilizou o embelezamento das noivas por meio de uma colaboração com um salão de beleza. As mulheres não são presas, mas se casaram com homens reclusos no PRP.

As cerimônias de casamento ocorreram no pátio da galeria feminina - que estava todo decorado para receber os casais - e foram realizadas por oficial registradora civil e juíza de paz. A assistente social Gabriela Dimuro afirmou que o casamento no Presídio é uma forma de humanização e inclusão social. “É uma maneira de que os presos se sintam cidadãos, que o Presídio não são só coisas ruins, há um grande esforço para que o apenado se sinta inserido”, comentou.

Devido à disputa entre facções instaladas no Presídio de Pelotas, a solenidade ocorreu em momentos distintos. Dos casais, apenas a união de Michaela e Cristiano é homoafetiva. Os vestidos das noivas e os ternos dos noivos foram uma doação da prefeitura.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados