Violência

Nova cena da criminalidade na fronteira Sul

Estudo mostra tendência crescente em homicídios, roubos e tráfico em Jaguarão Chuí e Aceguá

13 de Junho de 2019 - 13h26 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Grupo de pesquisa analisou dados da criminalidade entre 2015 e 2018 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Grupo de pesquisa analisou dados da criminalidade entre 2015 e 2018 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Boletim técnico elaborado pelo pelo Grupo de Estudos em Segurança Pública do Gitep, da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), mostra - através de dados estatísticos - tendência crescente em homicídios, roubos, tráfico de drogas e uma nova cena da criminalidade na fronteira da Zona Sul, nos municípios de Chuí, Jaguarão e Aceguá. A avaliação foi feita com base nos crimes praticados entre os anos de 2015 e 2018.

Consideradas de pequeno porte populacional e de bases econômicas agropecuárias e/ou comerciais, as três cidades experimentam as novas realidades dos mercados ilegais das regiões de fronteiras, as quais vêm acompanhadas de maior conflitualidade e violência. Conforme aponta o estudo, em relação aos homicídios, a tendência se mostra crescente, ainda que Chuí tenha registrado um menor número de casos em 2018, em relação a 2017, e que Aceguá apresente apenas um caso no período de 2015 a 2018.

Quanto aos roubos, a elevação também é registrada entre as variações verificadas no Chuí. Já o tráfico de entorpecentes se configura como uma face mais complexa em relação às cenas criminais das cidades gêmeas, haja vista o verificado interesse recente que a região tem despertado em organizações criminais de maior poderio nesse mercado ilegal.

Diante do cenário, o professor da UCPel e responsável pelo boletim, Luiz Antônio Bogo Chies, considera a necessidade de uma maior atenção do governo do Estado ao conjunto da Zona Sul que tem seu território incluído na Faixa de Fronteira (até 150 quilômetros da linha divisória), além das três cidades gêmeas em especial. De acordo com Chies, a criação de um Ggif (Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira), por parte do Estado, está prevista nos artigos 7º e 8º do decreto nº 8.903/2016. Os Ggifs têm como objetivo a proposição de ações conjuntas com vistas à integração e à articulação das ações de competência da União, previstas, com as ações dos estados e dos municípios. "Não basta que o governo do Estado, bem como os executivos municipais, apenas comemorem a autorização para a abertura dos dois primeiros free shops brasileiros em fronteira terrestre, se a situação de insegurança nos respectivos municípios fronteiriços seguir apresentando tendências de elevação."


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